É manjado. Redução de peso é a melhor preparação que existe - ou você conhece alguma outra modificação que aprimore a capacidade de frenagem, aceleração e contorno de curvas... ao mesmo tempo?
Além do menor desgaste aos componentes mecânicos, bólidos diet possibilitam também uma direção mais agressiva em disputas de posição, aumentando o repertório de improviso. Já pensou sobre isso? Quanto mais pesado o carro, maior planejamento é requerido nas manobras: as reações são mais lentas e cumulativas - o culpado se chama inércia.
Dormia na escola durante as aulas de física, trocou Newton por uma garrafa de cerveja no cursinho? Isso vai lhe custar meio segundo por volta! Pelo menos agora você sabe porque vemos ultrapassagens tipo "bote de cobra" em categorias de monopostos, mas não em corridas de turismo.
Apesar do caso do emblema do McLaren MP4-12C ter virado piada frente aos 1300 quilos do tijolinho, a verdade é que o emagrecimento em detalhes insólitos é uma filosofia muito séria, seguida no automobilismo... desde que ele existe! Acompanhe alguns casos emblemáticos:
1) Chave de ignição do Porsche 917: alguns de vocês já sabem que o pomo da alavanca de câmbio deste monstro é feita de madeira balsa, aquela coisa pálida e leve usada em maquetes. Mas dê uma olhada na chave de ignição, toda perfurada. É meu amigo, cada grama vale ouro. Será que eles davam laxante para os pilotos antes das corridas?
2) Janelas do Hemi Dart. Era um carro profissional de arrancadas vendido em concessionárias, para qualquer Bill Ruela acelerar nas pistas. A lista de peças aliviadas era grande - exceção feita ao elefante laranja Hemi 426 sob o capô, que pesava 347 quilos e rendia mais de 600hp. A fábrica declarava 425hp, e todo mundo fingia que acreditava. Para se manter na categoria Super Stock, o bichano mantinha vidros nas janelas, ao invés de policarbonato. O pulo do gato é que eram vidros finíssimos, feitos pela Corning Glass, cujo acionamento era feito por um
3) "Maçaneta" da Ferrari F40. Apesar deste interior luxuoso e requintado - cheio de couro e madeira, como pode ser visto - aparentar pertencer a um Rolls Royce, na verdade é o escritório da F40. À esquerda da foto, você vê uma cordinha (podemos chamar de "cabo" pra ficar menos embaraçoso) que de fato pertence ao carro. Puxando ela, você abre a porta. Não dá pra chamar de maçaneta. Se fosse em um Uno, chamaríamos de economia porca, mas como é uma F40, trata-se de uma honrosa concessão feita em nome da performance extrema.
4) Monobloco do Lotus Elite. Plástico reforçado com fibra de vidro não é nenhuma novidade pra quem gosta das réplicas nacionais de Porsche, Cobra, Jaguar, e outros modelos. São belas carrocerias, presas em chassis tubulares de aço (deixemos de lado as cadeiras elétricas com chassis de Landau cortado) por meio de parafusos, rebites, buchas, e até cola. Mas Colin Chapman, considerado gênio do automobilismo e assassino em potencial por alguns pilotos, usou o material como elemento estrutural. O monocoque e a carroceria do Lotus Elite são todos de plástico reforçado com fibra de vidro. O resultado é um peso absurdo: 503 quilos - quase um terço do "por quê dizem ser tão leve" McLaren MP4-12C. Me pergunto quantos meses este carro aguentaria o tapete brasileiro.
5) Piquet. Além de aliviar o peso treinando boxe com pilotos chilenos braço-duro, o tricampeão, junto com o projetista Gordon Murray, tinha sacadas interessantes para deixar o carro mais leve. Primeira: no treino classificatório para o GP da Inglaterra de 1979, dispensou as engrenagens das duas primeiras marchas e conseguiu se classificar três posições à frente do companheiro Niki Lauda. Segunda: No GP do Brasil de 1982, os carros da Brabham estavam 80kg mais leves que o regulamento - mas apresentavam reservatórios d'água gigantes, que só viam água ao final da corrida: as regras exigiam que os reservatórios de água e óleo fossem completados antes da pesagem. Terceira: no mesmo ano, a equipe introduziu o reabastecimento na Fórmula 1. Com um carro muito mais leve, Piquet não só abria dos rivais no início da corrida, como também os levava a um desgaste maior de equipamento para acompanhar o seu ritmo.
6) O deka de plástico. Os pilotos Bob Sharp e Eduardo Ribeiro tinham um carro de plástico que andava muito. Pensou em Corvette, correto? PARABÉNS! Você errou! O carro em questão é um DKW Vemag 1964 (o próprio da foto), que em sua preparação para pista, foi todo desmontado, moldado e teve quase todas as suas peças de lataria refeitas em plástico reforçado com fibra de vidro – resultando em um alívio da ordem de 30% da massa total do veículo! Após superado um pequeno problema com a admissão de ar, o carro virou um pequeno canhão.
Este post foi patrocinado por: Bigornas O'Dwyer.
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6 comentários ( participe! ):
Ouh, você pegou bronca do MP4-12C?
De jeito nenhum, peguei bronca é dos marketeiros que forçaram a barra do MP4-12C...
só a título de complemento (cruz credo,que frase feia): não tenho toda certeza, mas li nalgum livro inglês que foram 3 as marchas que Piquet suprimiu da Brabham-Alfa em Silverstone 79 (e provavelmente mais a ré, se possível).
Ele é que teve a idéia e, num treino da sexta-feira, testou sair do pitlane para a pista em quarta, e conseguiu.
abs
fernando amaral
Tem também o caso do porsche GT3 que os emblemas são substituidos por adesivos.
ajuda tanto na aerodinamica quanto na redução de peso...
claro que não vai tirar 1 kg do carro, mas é uma preocupação com detalhes...
A F-40 snme também recebia só uma demão de pintura por causa de peso.
E eu um dia começo a dieta do meu futuro Puma VW LWB...
Parabéns pelo blog...lugar que sempre passo e sempre tem algo ótimo pra ler e ver!
Abraço
Juliano, a parte da F40 era pra ter sido irônico né? A F40 não tem nada de couro nem madeira, mas da maneira que vc escreveu não parece ser irônico... ficou estranho...
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