Só pra adoçar e perfumar esta quinta-feira que acaba de começar. Se bem que, pra mim, o amanhã só acontece depois que durmo. Ou seja, se eu não dormir, o amanhã nunca chega.
Parabéns ao piloto Luis Cláudio Amanajás e sua equipe, da Flash Preparações. Conseguiram o novo recorde para 402m da categoria Estruturada. O motor está monstruoso, e o acerto de suspensão, fabuloso. O carro realmente parece ser puxado por um gancho nos primeiros 50 metros... daí o verbo utilizado pelos norte-americanos para descrever um bólido que deslancha bem, to hook.
Isso sim é um carro verde. Verde Ping-Pong, como falei no post abaixo. Imaginem um Cayman assim, com gaiolinha, rodas pretas, um jogo de semi-slicks D.O.T. Bi-turbo ballbearing, intercooler, peças móveis da carroceria em fibra de carbono, amortecedores reguláveis, etc.
Vamos ver se este jogo dá certo! Desta vez, a marca escolhida é a clássica de Stuttgart. Pessoal, é só escolher o seu modelo favorito, um clássico e um moderno, e dizer por quê. Começo tocando a bola, lá vai...
1) Clássico. Porsche 718 RS/RSK Spyder. Racionalmente, poderia apontar o centro de gravidade baixo e a aerodinâmica aprimorada em relação ao 550 Spyder - modelo sobre o qual a variante 718 é criada. Mas a verdade por trás da escolha é puramente estética... que carro bonito, pûlta la mierda! Motor central-traseiro a ar, o clássico quatro cilindros boxer de 1,5 litro. Foi pilotado por lendas como Dan Gurney e Stirling Moss, e ostenta em seu currículo vitórias cobiçadíssimas, como a Targa Florio e as 12 Horas de Sebring.
Não. O meu teria de ser branco. Branco Lótus da VW, aquele com uma gota de creme. Sem adoçante.
É um bólido esportivo genuíno, low profile, feito para vencer com o mínimo de peso e recursos. Seu sucessor, o 904, é tão maravilhoso quanto o 718, mas possui um apelo visual que se assemelha mais a um pequeno esporte-protótipo. Por isso, fico com aquele que ainda possui a essência da obra prima 550 Spyder.
2) Moderno. Porsche Cayman. Sendo bastante radical, seria o único Porsche atual que eu compraria - se pudesse. Não que os outros não sejam carros incríveis, mas o Cayman resgata a essência de nada menos que o absoluto 356 - a linha de teto recortada, um "faster than fastback"... não, o termo não existe. Interessante notar que a "quebra de paradigma" da silhueta da marca se deu justamente por um resgate histórico, no caso, pré-911. É um automóvel minimalista, curto, veloz, leve. É um tesão. O ringmeister Walter Röhrl, piloto de testes da marca, deu a entender certa vez que o Cayman só não é mais veloz que o 911 por uma questão de valor agregado do produto. Posicionamento no mercado, peso da marca, etc.
Sai daí, bagulho! E tira a mão do paralama!
Isso me obrigaria a levar o meu Cayman a uma preparadora alemã, como a RUF ou a TechART. Vem 911, vem. Aliás, se for um Carrera 2.7 dos anos 70, pode vir. Direto pra minha garagem.
Yummy. Gostei. Aquele verde Ping-Pong também cairia como uma luva.
O laboratório ambulante do Mulsanne está pedindo água, no sentido literal e figurado. A bomba d'água abriu o bico, problema número 1. Trocar o reparo sairia mais caro que comprar uma nova com o meu fornecedor, então estou no aguardo da peça, que deve chegar nos próximos dias. Mas a outra "água" é complicada.
O V8 está cansado, novidade nenhuma pra mim. Tuchos batem, pressão de óleo em lenta está no mínimo do aceitável (por volta de 1kg quente), todas essas coisas. Mas recentemente, ele resolveu aprontar mais uma, bem desagradável: está emporcalhando algumas velas com óleo. Pode ser os retentores do cabeçote, anéis de pistão rompidos... não importa. O fato é que as velas meladas não queimam a mistura a contento, resultando em cilindros vacilantes, pipocos no escapamento e vibrações devido ao torque desigual aplicado sobre o virabrequim.
E poucas coisas me irritam mais que um motor assim. As peças do novo motor (sim, porque só vai sobrar o bloco...) ainda estão vindo, aos pingados, então talvez eu tenha de aguentar o propulsor nesta condição cadavérica por um bom tempo. E isso é muito ruim. Muito ruim mesmo.
Talvez seja uma boa hora pra lembrar o adesivo que coloquei há pouco no parabrisa. As dificuldades vão se empilhando. O segredo é Keep Walking. E se quebrar de vez, Walking literalmente.
Na foto aparece também o volante e o novo conta-giros, colocado sobre a coluna de direção. Muito bacanas. Vocês também conseguem ver o banco de Dodge Magnum com forração de Uno. Vou me livrar disso em futuro próximo. No lugar, um par de conchas sob medida (baixinhos). Gostaria de colocar um par de bancos originais (Dart 1975-78), mas eles não seguram a onda... são de curvim, material muito escorregadio, e não possuem apoio lateral nenhum.
Pneus de perfil alto são mais confortáveis, dissipam melhor os impactos causados por irregularidades no asfalto. São também mais previsíveis no comportamento dinâmico, avisam com bastante progressividade o limite de aderência. Em uso off-road, protegem as rodas e elevam o chassis.
No jargão, chamamos um pneu de perfil alto de bolachudo, ou de bifão, referindo-se à espessura generosa de carne. Gosto do segundo adjetivo, acho que corresponde bem.
1) Dodge Viper Bi-Turbo. Para quem acha os 1001 cavalos do Bugatti Veyron pouco... que tal 1900 cv ? Quarto de milha (402m) em 7,99s. Neste período, a víbora amarela já está a 286 quilômetros por hora. Impressionante como o motor gira redondo... marcha lenta praticamente lisa, rotação de saída baixa... um perigo aos desavisados.
2) Porsche 911 GT3 RSR. Esqueçam aquela cerveja aguada do rótulo amarelo. Nada desce mais redondo o "S" do Senna que este fuscão pilotado por Max Wilson, em treinos livres para os 500km de Interlagos deste ano. Para quem está acostumado a ver uma ou duas reduzidas para a primeira perna do "S", este GT3 chega a assustar... mas não tanto quanto o torque e a aderência lateral do monstrengo.
Prestem atenção nos rivais em pista. Protótipos do campeonato paulista, Maserati V8, Ferrari 360 Modena... todos parecem se arrastar, mesmo em alta velocidade.
Sobre as reduções para o "S" do Senna, é interessante notar como o piloto desce duas marchas, e aguarda alguns instantes na quarta, antes de reduzir mais duas. O motivo é o escalonamento do câmbio, que apresenta uma terceira relativamente curta, para empurrar o Porsche na rotação ideal nas saídas do "S" e da Curva do Lago.
3) Simulador de Top Fuel. Quer experimentar uma aceleração longitudinal de algo entre 4 e 5G, mas não tem a grana para bancar um dragster? Seus problemas se acabaram-se... com este brinquedão presente em alguns parques temáticos nos EUA.
4) Gixxerkart. É uma lenda viva alemã, um hit multimídia consolidado muito antes do You Tube. Imagine um kart de chassis alongado, empurrado por um motor de 1,1 litro de uma Suzuki GSX-R. Quase 115 cavalos para 135 quilos.
Se um kart merece o apelido de bestial, este é o Gixxerkart. Ele mistura os power driftings de um F-1 da década de 60 com a velocidade de resposta de um monoposto dos anos 80. Antes de sentar nele, é bom se benzer...
5) BMW 525 Turbo, 700+ cv (nas rodas). Um turbo PT88 da Precision, do tamanho de um melão bem servido, empurra esta bimmer de 1992. De original no motor, pouco resta além do bloco de 3,6L... que por sinal, veio de uma M5.
Quer mais? A patada da máquina por pouco não quebra o dinamômetro... veja aos 5:50s do vídeo.
Qual o maior duelo de todos os tempos? Este vídeo oferece uma pausa para uma reflexão... quanta coisa acontece em cada partícula do mundo do automobilismo, e quase sempre ficamos sem conhecê-las. Quase.
Autódromo de Zandvoort, campeonato holandês de carros históricos de competição. Alfa Giulia versus Porsche 356, Rosso versus Rot. Última volta.
Nenhum dos pilotos está disposto a ceder. A volta começa quente, com uma ultrapassagem da Giulia feita por fora, na curva Tarzan - com direito a travagem do pneu dianteiro direito, no melhor estilo Villeneuve. O 356 dá o troco algumas curvas depois, passando sobre a grama pouco antes de Hunzerug... e recebe o rebote, novamente por fora, em Sheivlak.
Na Marlborobocht, a Alfa quase põe tudo a perder, contornando a variante com uma velocidade otimista, levando-a para fora da pista. Em meio à poeira, segue uma das manobras mais ousadas que eu já vi: a Giulia mantém a velocidade e consegue se defender por fora novamente, na curva seguinte, mesmo com pneus sujos.
No "S" da Audi, chega a vez do 356 dar um balé de classe e maestria. Contorna a curva com perfeição e ultrapassa o esportivo italiano na saída, aproveitando a trajetória equivocada da Giulia causada por uma freada excessivamente tardia.
O "Villeneuve" da Alfa não deixa barato, e mesmo espremido pelo Porsche na entrada da penúltima curva, coloca duas rodas sobre a grama e ultrapassa por dentro. Incrível... mas não terminou.
Os dois bólidos terminam a corrida lado a lado. Quem venceu? Assista ao vídeo. Um épico.