terça-feira, 29 de setembro de 2009

Limite, sometimes fail


Vídeo atualizado.

Costumo dizer que um piloto veloz ignora o fator perigo, e que não é algo consciente. Quando se está buscando o limite em uma flying lap, o cérebro entra em um túnel de concentração que se resume a distâncias de frenagem, entradas de curva e pontos de reaceleração. Todo o resto torna-se automático, instintivo. Periférico. É um jogo delicado de balanço entre os três elementos de pilotagem, e valorizar demais um pode arruinar os outros dois - o preço a ser pago são preciosos décimos ou centésimos de segundo a mais no giro. Ou uma bela panca.

O vídeo de hoje é uma das maiores demonstrações de habilidades que já vi em um carro de turismo. O piloto, Dick Johnson, comanda um Ford Falcon com motor 351 Cleveland, bloco XE, que berra algo pra lá das 8500 rotações por minuto. É um carro muito bem acertado, levemente subesterçante nas entradas, sutil sobre-esterço nas saídas. Me impressiona a forma como Johnson busca desenhar a trajetória, utilizando cada milímetro do circuito australiano de Bathrust. Ele também utiliza muito bem a inércia, rolando a carroceria nas entradas para balancear as saídas de frente.
E as reduções de marcha? Música e precisão puras.

Em uma das últimas curvas, Dick adianta um pouco o ponto de reaceleração, fazendo o carro espalhar um pouco mais do que o usual. A traseira toca o muro, causando um efeito chicote que leva a um grande susto. Johnson nada sofreu no acidente.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

6 = 10? Sorry, no way.


O minimalismo na engenharia automotiva é uma arte. Reduzir as soluções complexas na mecânica, emagrecer a massa em cada poro da carroceria, garantir a menor inércia que permita o máximo de desempenho com o mínimo de esforço e desgaste. São carros capazes de encarar e vencer gigantes potentes e pesados, em batalhas ao melhor estilo Davi e Golias.

Não parece, mas sou um grande admirador desta escola. Na França, meus favoritos são o Matra D'Jet e o Renault Alpine; na Inglaterra, os antigos Lotus Elan e Elite. Na Itália, nada melhor que uma Alfinha GTAm branquinha, mas um Fiat Abarth 500 também me deixaria feliz. Dos germanos, o NSU TTS - errr, trocaria por uma loirinha bávara sem remorsos.

Contudo, há outra vertente. Estivessem nascidos os engenheiros Hermés & Renat naquela época, seria a escola joselítica. São os loucos que colocam um V8 de 7 litros em um AC, ou um V6 3L 24V de Alfa 164 em uma Duetto, propulsor de Hayabusa em Isettas... são seres muito mal educados, influenciados pelo coisa ruim. Malignos, não possuem a menor noção de finesse, são bárbaros, hunos famintos. São sensacionais!

Graças a mongolóides irresponsáveis como estes, temos o vídeo de hoje: um BMW M3 E30, de meados da década de 80, equipado com.... um V10 da bimmer M5 geração E60, aquela lançada em 2005. Cinco litros, quatro válvulas para cada um dos dez cilindros, bloco de alumínio (178kg peso total), massa rotativa e reciprocante forjada e aliviada, 507 cavalos a 7750 rpm!


Temos mais modificações? Quase nada: agregado do motor feito sob medida, suspensão de alumínio da série E90 (dianteira e traseira), eixo cardã e câmbio de 6 velocidades da M5, capô de fibra de carbono, gaiola completa de cromomolibdênio com tubos de 1,5 polegada (no vídeo, ainda não havia sido instalada), sistemas eletrônicos redimensionados, pinças de freio de Porsche 911 com seis pistões, etc, etc, etc. Too much to list!


Peso total: ~1280 quilos. Distribuição: 52,5% sobre o eixo frontal, 47,5% atrás. Ótimo equilíbrio, considerando o tamanho da usina.


Podemos resumir a conversa a duas sentenças. Velocidade aferida por GPS no local = 288 quilômetros por hora. Carro câmera que não pôde acompanhar o rojão = BMW M3 E90 (ou E92), última safra, V8, 420 pôneis.

6 = 10? Dessa vez, não.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

"Comemorando" o dia mundial sem carro



Vinte e dois de setembro, dia mundial sem carro. Comemorar ou aderir a uma babaquice dessas?

Caiam na real. Nosso país não fornece estrutura de transporte público que sequer atenda à demanda diária da população. Nosso país não oferece segurança que permita a circulação de um empresário ou professor que utilize um laptop pelas ruas e coletivos. Aliás, esqueçam o computador. Estar razoavelmente bem vestido já é um convite para problemas em potencial, não importa a sua classe social.

Estarei sendo elitista? Negativo. Por muito tempo andei de ônibus, já estive nos quatro cantos da minha cidade a bordo de um coletivo, e sei muito bem como é o contraste social do mundo real, fora da panfletagem greenpeciana, do idealismo que seria belo se fosse real, mas que não existe em canto algum de nossa terra. É feio, é tenso, é heterogêneo. Nós (o perfil do público que visita o Mulsanne) não somos bem-vindos. Quem mora em São Paulo sabe: ônibus e metrô, fora do centro empresarial (Av. Paulista), é sufocante e perigoso. Quanto mais longe, pior. Trem? Esquece.

Sou ciclista. Uso minha bike como um exercício prazeroso nos finais de semana, pois como meio de transporte, também é uma oferta limitada. Não há segurança, tanto pela ausência de ciclovias e pelas calçadas acidentadas, como pelos riscos de assalto e acidentes causados por motoristas sem cultura. E nem todas as empresas fornecem uma estrutura bacana para o ciclista tomar um banho e se vestir para o ofício, e infelizmente, este é o meu caso. Senão, utilizaria a bicicleta com frequência durante a semana. É saudável, divertido, e dependendo do trânsito, mais ágil.


Em todo caso, pensemos na hipocrisia deste dia, que é uma idéia fora do lugar na sociedade contemporânea. Qual foi o ser humano que não ficou feliz quando tirou sua carta da liberdade, digo, de motorista? Qual foi o cara que não ficou feliz quando pôde comprar o seu primeiro automóvel? Quando saiu com os amigos de madrugada, sem precisar de táxi e nem de "paiê"? Quem nunca sentiu o prazer de namorar dentro de um carro, o prazer proibido, o jogo do amor na fronteira entre o público e o privado? Quem não conhece a alegria da família quando um carro zero quilômetro chega ao lar?

O carro tornou-se um vilão, neste mundo babaca maniqueísta em que vivemos. A falsidade maior deste dia, é que propõe uma reflexão sobre transportes alternativos. Pois bem. Leiam esta notícia.

Por isso, comemoro o dia mundial sem carro com um belo burnout de um Dodge Dart. Porque quero uma estrutura melhor para os ciclistas, porque quero mais segurança, porque quero um transporte público mais eficaz. Mas não aceito "hipocrisia sustentável" pequeno-burguesa, esse tipo de atitude rasa como um pires, um confessionário para alívios existenciais. Enfim.

Pra mim interessa mais doar sangue, saber sobre como está a saúde pública, e procurar reduzir a exploração e o maquiavelismo no mundo profissional. Ser bom para com meus amigos e meus amores. A sociedade está muito mais doente que a natureza, e certamente viverá menos tempo.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Mustang + boa fotografia + música eletrônica



Pra quem curte, é só meter volume nas caixas e viajar...

Denúncia. Peças extraviadas no correio (coisas do Brasil)

" Nem nos CORREIOS a gente pode confiar mais! Faço questão de repassar o que acabou de acontecer com um amigo aqui do União V8.

Dias atrás, esse amigo comprou um par de cabeçotes de alumínio no eBay e, por questões de frete, pediu que fossem enviados separadamente. Tudo bonitinho, com número de rastreamento no site dos Correios e tal. Bem, o primeiro cabeçote chegou sem problemas. Já o segundo, está há SEMANAS com o status do código de rastreamento "Enviado para CTE Goiânia", e nada de sair pra entrega...

Pois bem... Por pura sorte ou ironia do destino, hoje um amigo dono de retífica aqui em Goiânia, ligou pra ele, adivinhem oferecendo o que? Pasmem: UM CABEÇOTE HOLLEY DE ALUMINIO!!! Meu amigo correu até a loja, já com todos os comprovantes em mãos (fatura de cartão de crédito, papeis de venda, rastreamento, o escambau) e o outro cabeçote para comparar... E pimba, era o mesmo P/N, o par exatamente igual! Daí foram atrás do cara que deixou o cabeçote na oficina, na tentativa de saber a procedência, e daí o jogo de empurra só foi crescendo: era de um, que passou pra outro para pagar dívida, e passou pra outro, e por aí vai... E enquanto isso, cadê o cabeçote que sumiu de dentro do Centro de Distribuição dos Correios?

A sorte é que o dono da retífica, quando se deparou com a peça, disse ao sujeito que estava vendendo que só havia uma turma em Goiânia que poderia se interessar em comprar algo do tipo, e logo ligou para esse meu amigo, que era justamente o cara que estava esperando o cabeçote ser entregue pelos Correios! Foi uma baita coincidência que ajudou terminar tudo certo, mas que isso tem cheiro de "máfia do extravio" lá dentro, ISSO TEM!!!

Bom... Tudo já devidamente denunciado para alguns amigos-veoiteiros dentro da Superintendência de Polícia Federal, que já estão em cima pra saber dessa história."

E-mail recebido do Rafly, amigo goiano do clube União V8.

Batalha em Tsukuba



Ainda falando do AE86, de certa maneira. O programa tem meia hora, então é melhor pegar um café, uma boa poltrona, maximizar a janela e aumentar o volume. Vale a pena...

Toyota Sprinter Trueno, AE86

Pequeno, leve e um dos últimos automóveis "civis" dotados de tração traseira - ao ponto de ter um diferencial autoblocante como opcional. Por estes motivos, o Toyota Sprinter Trueno da geração AE86 tornou-se um mito entre os entusiastas japoneses, particularmente os fãs do Touge (corridas ilegais de montanha) e do Drifting.

Entre eles, o "Drift King" Keiichi Tsuchiya, que aparece debulhando um AE86 (TRD) preparado no vídeo abaixo. O motor deveria ser um 4A-GEU de 1,6 litro, 16 válvulas e duplo comando; mas o que temos lá é um 4A-GE, com 5 válvulas por cilindro (20V) e corpos de borboleta individuais - propulsor que foi empregado na Formula Toyota. E o bicho está berrando bonito... quanto será que está girando? 8000? 9000 rotações por minuto?

Note como o carro é curto (4200mm). O mesmo se aplica ao entre-eixos (2400mm, mesma medida da Ferrari 250 SWB e do Porsche 917). Isso, somado ao baixo peso (~950kg) distribuído em motor dianteiro e tração traseira, resulta em um conjunto muito equilibrado. Não bastando isso, é um automóvel de manutenção simples e barata. O que mais poderíamos querer?





O AE86 tornou-se um cult entre a molecada com o anime Initial D. Na maior cara de pau, colo uma descrição publicada no wikipedia:

Ambientada na província de Gunma durante os anos 90, a série mostra a história de Takumi Fujiwara, um garoto de 18 anos que ajuda a loja de tofu de seu pai fazendo entregas todos os dias de manhã para o hotel no Monte Akina usando o carro de seu pai, um Toyota Corolla Sprinter Trueno GT-APEX. Takumi vem fazendo essas entregas desde que tinha 13 anos. Como resultado, suas habilidades são altamente refinadas, permitindo-o pilotar durante qualquer condição climática. Em uma corrida numa Touge, potência não é o mais importante. Equilíbrio, habilidade e coragem são fatores determinantes para a vitória. Corridas na Touge são divididas em dois tipos: Dowhill e Hillclimb (Uphill). As corridas Hillclimb (subindo a montanha) depende mais da potência do carro e da capacidade do piloto para controlar a aceleração. As corridas Downhill (descendo a montanha) depende das técnicas de frenagem e controle do carro, necessitando menos potência vinda do carro.

O desenho tem trama e desenvolvimento bacanas. Ocasionais forçadas de barra são alternadas com situações realistas e reflexões de pilotagem interessantes, e não é para menos: Tsuchiya colaborou como consultor e supervisor do anime. É fácil ficar grudado na série, mas quem não está acostumado com animes e música eletrônica talvez torça o nariz em um primeiro momento.

Vejam um trecho de um dos episódios, onde o AE86 GT-Apex encara um Nissan Skyline GT-R (geração R32):




Gostei das rodas Minilite no Trueno. Eu ficaria com um todo preto.

sábado, 19 de setembro de 2009

Ford Fiesta: avaliação insólita do Top Gear




...sempre estes caras...

Tudo parece relativamente normal (apesar do escancarado clima de ironia), até surgir a pergunta: "e se eu for perseguido em um shopping center por bandidos em um Corvette?"

Daí em diante, é puro LSD... e não me refiro a um diferencial de deslizamento limitado.

C@g@d@ do Safety Car... mais uma...



No futebol, quando o juiz pisa na bola e planta as nádegas no chão, o estádio vai abaixo. Quando marca um pênalti de forma injusta, também, mas em fúria.

Mas no automobilismo, trapalhadas ou erros de julgamento cometidos pelo safety-car não são engraçados. Quase sempre resultam em acidentes, e alguns são bem feios. É o caso desta panca ocorrida em uma etapa da Dutch Supercar Challenge, no autódromo de Spa Francorchamps.

O (un)safety-car deveria posicionar-se à frente do líder, mas falha na decisão e se coloca adiante de outro carro. Quando percebe o equívoco, decide praticamente estacionar no trecho mais crítico do circuito: a entrada da Blanchimont, curva cega de altíssima velocidade. Quando o líder nota a presença da chicane ambulante, digo, o (very un)safety-car, já é tarde.

Assitam às consequências.

O monstro e um passarinho...



(com todo o respeito)

GT40 no dinamômetro





Não é todo dia que vemos um GT40 (réplica, ok) em um dinamômetro. Construído pela Race Car Replicas, o meninão nas cores da equipe de John Wyer é praticamente uma recriação do modelo original.

No cofre, temos um bloco 289 de 1966 (no modelo original da John Wyer, seria um 302, mas é praticamente o mesmo motor, com curso diferente) que empurra um transeixo de cinco marchas da ZF. Nas partes internas do propulsor, alguns luxos e mimos típicos de competição: pistões cabeçudos Keith Black, parafusos ARP, bielas retrabalhadas para redução de stress (o processo se chama shot peening), cabeçotes de alumínio alimentados por um quarteto de carburadores Weber, comando de válvulas roletado, e o mais bacana: os coletores de escape feitos à mão, no sistema conhecido como "bundle of snakes", que une dois pares de tubos na ordem de explosão do motor em um padrão rotacional. Assim, o fluxo do escapamento torna-se mais contínuo, quase sem bombeamentos.... o que pode ser notado pelo ronco liso. Nem parece um V8 americano!


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Cathi Felser


Piloto alemã de 26 anos, com resultados não tão brilhantes quanto os seus olhos. Competiu no kart germânico (onde venceu uma corrida), Fórmula Ford austríaca e alemã, e os campeonatos locais de Fórmula BMW, Fórmula 3 e a Copa Seat Leon. Desde 2008, ela corre na GT4, a bordo de um KTM X-Bow pela equipe Reiter Engineering.

Eu não faria piadas com ela, visto que Felser faz direito. E faz muito bem.

Um carrinho que virou cult...


...entre a molecada e outros não tão moleques assim. Por quê? E que carro é esse?


domingo, 6 de setembro de 2009

Porsche 911 GT3 RSR x Ferrari F430: 1000km de Interlagos



Tem coisa melhor que uma briga em pista entre carros destas marcas?

Lembro-me até hoje da disputa entre o Porsche 959 e a Ferrari F40, uma matéria da Autocar que foi publicada no Brasil na revista Quatro Rodas. Os pilotos de teste? Ninguém menos que Walter Brun e Gerhard Berger. Pista? Coisa pouca, Fiorano!

Para quem quiser ler trechos da matéria, clique neste link.

Acidente fatal em Suzuka...



É impossível assistir a esta batida e não associá-la à ocorrência entre Senna e Prost, na decisão do título de 1990. O vídeo mostra o acidente entre Hitoshi Ogawa e Andrew Gilbert-Scott, em uma prova da F3000 nipônica, em 1992. O piloto japonês faleceu instantaneamente.

É uma prova infeliz de como o automobilismo possui um elemento de risco intangível. A primeira curva do autódromo de Suzuka possui um enorme recuo, digno das exigências atuais de segurança da FIA. Mas o desenvolvimento do incidente entre os dois pilotos eleva o que seria um mero toque de corrida a uma tragédia.

No Brasil, há muitos defensores da atitude de Senna em 1990, como "legítima vingança" no contexto de tensão entre os rivais. Não vejo como é possível defender um toque intencional a 270 quilômetros por hora, informação divulgada no anuário da Autosport. Em 89 e 90, Senna e Prost foram mal perdedores.


Nesta foto, pode-se ver como o carro de Senna sai do chão no momento do toque, e como ambos passaram perto de tocarem rodas, situação que levaria a uma decolagem similar ou pior ao acidente da F3000.

Existem muitas maneiras de se vencer um título. Nas decisões daqueles dois anos assistimos às piores. Mas há quem veja beleza e justiça nisso.