Foto original: Gromm Airiss
O campeonato de 2007 têm se mostrado um dos mais equilibrados e emocionantes dos últimos anos. Testemunhamos algumas corridas muito boas, como a do Canadá e Inglaterra, mas este GP de Nürburgring foi incontestavelmente a melhor prova deste ano, até o momento.
Foi uma apresentação soberba dos pilotos Felipe Massa e Fernando Alonso, que neste exato instante estão trocando farpas na entrevista coletiva: a rivalidade entre os dois pilotos se agravou desde a largada do GP da Espanha, quando o brasileiro defendeu com unhas e dentes sua posição na primeira curva, o que quase resultou num acidente entre os dois competidores.
Eventualidade que se repetiu ao final deste Grande Prêmio, onde duas largadas foram realizadas devido à interrupção por bandeira vermelha, a poucas voltas do início.
1a Largada
Durante o alinhamento do grid, o céu já estava cinza escuro, e as primeiras gotas começam a cair. Em poucos instantes, teríamos um dilúvio que há muito tempo não se via em corridas de Fórmula 1.
Apagadas as luzes vermelhas. Massa realiza uma largada incrível, superando o segundo colocado Fernando Alonso ainda nos primeiros metros. Chega a emparelhar com o pole e líder Kimi Raikkonen na freada da primeira curva, mas não há espaço para qualquer manobra ousada.
Não bastando isso, ainda na mesma variante Castrol, o brasileiro defendeu por fora uma tentativa de ultrapassagem de Alonso. Esta seria uma primeira tensão em pista entre os dois pilotos, mas nada comparado ao que viria a acontecer ao final da prova.
Mais atrás no grid, Hamilton fez a largada perfeita. Superou seis carros em poucas curvas, e encontrava-se na quarta posição, mas havia uma grande confusão no pelotão intermediário por conta da falta de aderência no piso molhado. Houveram vários toques (incluindo um entre os dois pilotos da BMW, Heidfeld e Kubica). No saldo de tudo isso, Lewis aparece com um pneu furado e é obrigado a parar nos boxes.
A chuva desaba de vez, com violência, e a aderência é reduzida a níveis críticos. No final da segunda volta, Raikkonen tenta trocar de pneus, mas passa reto na entrada dos boxes. Isso beneficia Felipe Massa, que pretendia aguardar o pit-stop do finlandês, tão grave era a situação de chuva.
Poucos instantes depois, formou-se uma lâmina d´água imensa na freada para a primeira curva. A partir dali, começou uma verdadeira roleta-russa: quem milagrosamente não aquaplanasse, teria alguma chance de superar a curva. Lewis Hamilton, Rosberg, Speed, Button, Sutil e Liuzzi perderam o controle de seus carros na freada, sendo o caso mais grave do último piloto: ao rodar na pista, quase atingiu o safety-car e terminou tocando um trator que estava na brita, removendo os outros carros.
Felipe Massa quase perde o controle no mesmo ponto, chegando a ficar de lado. Conseguiu administrar a frenagem e permaneceu na pista. A bandeira vermelha foi acionada, corrida interrompida. Havia muito mais água do que a vazão que os pneus podiam efetuar, e os carros chegavam a aquaplanar com o assoalho ao final da reta dos boxes.
Na pole-position do novo grid formado, uma surpresa: o piloto novato da Spyker, Marcus Winkelhock! Ele iniciou a corrida com pneus de chuva, e assim não precisou parar nos boxes para a troca dos pneumáticos, como todos os outros pilotos fizeram. Melhor publicidade para a equipe, impossível.
2a Largada
O sol reaparece pouco antes dos carros saírem para a largada em movimento, lançando uma incógnita sobre a metereologia que durou toda a prova. Lewis Hamilton decide instalar os pneus para pista seca, ainda com o safety-car circulando na pista. Esta aposta logo se mostrou equivocada, pois o asfalto ainda encontrava-se úmido e frio demais.
Quando o safety-car se recolheu aos boxes, autorizando o reinício lançado, Felipe Massa superou Marcus Winkelhock na aproximação da primeira curva. Ele utilizou o alemão para bloquear Fernando Alonso, que conseguiu superar o piloto da Spyker instantes depois. Após algumas voltas, o carro de Winkelhock o deixaria na mão.
Permanecer com os pneus intermediários ou de chuva logo mostrou-se insustentável frente a pista cada vez mais seca e quente. Raikkonen foi o primeiro a parar nos boxes, o que lhe rendeu uma excelente vantagem.
O finlandês ficou logo atrás de Massa e Alonso, que mantiveram suas posições após o pit-stop, feito na volta seguinte. Ele estava se aproximando cada vez mais do piloto espanhol, mas problemas eletrônicos o tiraram da corrida antes que sequer tentasse uma ultrapassagem. Massa estava imprimindo um ritmo muito forte, abrindo em média 0.5s de vantagem por volta sobre Alonso.
Após o segundo pit-stop, a Mclaren retorna mais estável que a Ferrari. A quinze giros para o final, a vantagem, que era de cerca de sete segundos, é reduzida crescentemente. E então, na volta 51 de 60, volta a chover, lançando um elemento surpresa numa corrida que já estava bastante intensa.
As condições da pista forçam um terceiro pit-stop dos líderes. Os mecânicos da Mclaren mexem na regulagem da asa dianteira do carro de Alonso, que retorna muito mais estável que a Ferrari de Massa. O espanhol retorna à pista com tudo, pilotando com excelência, e alcança o brasileiro.
No período entre seis e quatro voltas para o final, os dois pilotos iniciaram um duelo enervadíssimo. Em uma das curvas em "S" que antecedem o grampo Dunlop, Alonso superou Massa numa manobra ousada, ultrapassando-o por fora. Os carros chegam a tocar pneus, mas a Mclaren leva vantagem. Seu carro ao final da prova encontrava-se excelente, e assim Alonso abriu em média dois segundos por volta até a bandeira quadriculada.
Como disse na apresentação, a corrida dos dois pilotos foi fabulosa. E terminou de maneira enervada: ambos trocaram demonstrações pouco afetivas logo após sairem de seus carros, o que resultou num bate-boca nos corredores do paddock... e que se estendeu até a entrevista coletiva.
Outros destaques:
Heidfeld (BMW) exagerou no arrojo e tocou com seu companheiro Kubica. Depois tentou uma ultrapassagem impossível sobre Ralf Schumacher (Toyota) na última curva, que tirou o irmão do ex-piloto da Ferrari da corrida.
Mark Weber (Red Bull) e Alexander Wurz (Williams) travaram um duelo emocionante pela terceira posição na última volta. Weber levou a melhor.
David Coulthard (Red Bull) ganhou QUINZE posições em relação à largada, e terminou em quinto. Nada mal, hein!
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