sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Curioso para ver como ele é?

Fotos: autor desconhecido / Edição Mulsanne


Para saciar a curiosidade de quem não conhece um Barracuda 1968 Super Stock, tal como aquele do monstruoso vídeo abaixo.

Taí. Vinha com um motor 426 HEMI de aproximadamente 650 cavalos (425hp era a potência declarada) sob o capô de fibra, que também era utilizada nos paralamas. Contava com vidros laterais peso-pena da Corning Glass movidos por uma cinta (sem máquinas), parachoques especiais com chapa de espessura mínima, sem espelhos, consoles, ventilador, nada que acrescentasse peso!

Sua utilização em ruas era proibida, tal como a Ferrari FXX que postei há alguns dias. Haviam alguns adesivos, instalados nos vidros e no habitáculo, alertando que seu uso era somente em pistas de competição.

HEMI Barracuda 1968 a 9.100 RPM !!!!!!

Se segure bem na poltrona e aumente todo o volume. Esta é uma das arrancadas mais arrepiantes já registradas em vídeo. Em ação, um Barracuda 1968 Super Stock, com motor HEMI 426 (7 litros) de preparação pesadíssima.

O monstro negro cruzou a linha de chegada a 9.100 rotações por minuto, atingindo 249,2km/h em 8,61 segundos (400 metros), um absurdo completo!!!


Note como o scoop de fibra (entrada de ar do capô) se deforma com a ação do vento em alta velocidade. Parece que vai estourar a qualquer instante.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Para rir muito...

O filme tem somente um minuto.

É um trecho do filme Gigolô Europeu por Acidente. O que importa é a reação do motorista no final do clipe, antes de sua Ferrari F360 Modena ser destruída por um trem. Difícil é não se surpreender...

Ford Escort, o mestre dos ralis!

Foto: autor desconhecido / edição Mulsanne


"Existem carros que parecem ter sido feitos para serem transformados em bólidos de corrida."
Li uma frase parecida com essa no blig do Gomes, há uma semana. Aqui, apresento um dos meus modelos favoritos dentro do espírito.

Na foto, um Ford Escort modelo MK1 mandando ver no rally Boucles de Francorchamps, na Bélgica. O exemplar conta com o famoso motor 1600, que vinha equipado com um cabeçote preparado pela Lotus e duplo comando de válvulas. Gerava aproximadamente 165 cavalos.

O carrinho era bão. Pesava em torno de 900 quilos, tal como seu rival Ford/Lotus Cortina. Tração traseira, evidentemente. Praticamente imbatível em piso escorregadio, como cascalho e terra batida. A família escocesa McRae, do famosíssimo piloto de ralis Colin McRae, possui tradição com estes pequenos monstrinhos...

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

O verdadeiro motor italiano...

...deve sempre soar como algo próximo disso:




Cizeta who? Sou muito mais este som de Alfa Romeo V6 3.2. Refinado e afinado, agressivo, e não desengonçado. Fui...

V-16 !!! Do Cizeta, finalmente!!! Mas... que DECEPÇÃO.

A Internet tem dessas coisas, de resolver dilemas da infância.

Lembro que quando o Cizeta-Moroder V-16 foi lançado, lá por meados de 1990, saiu uma matéria na Quatro Rodas que mostrava um exemplar da cor branca. O carro foi desenhado pelo Marcello Gandini, o mesmo autor do Diablo. Em termos estilísticos, dá pra dizer que os dois são primos, pois guardam semelhanças bem definidas.

"Caraca, dezesseis cilindros num super-esportivo... como será o som disso???"

Fiquei com essa pergunta por vários anos na cabeça, até esquecê-la. Ouvi dezenas de Ferraris, dezenas de Porsches, mas nunca ouvi o tal do Cizeta. Agora finalmente pude matar minha curiosidade.

E tal como um fã que encontra pessoalmente seu ídolo num bad hair day, fiquei decepcionado com o que eu vi. Ou melhor, ouvi.

Sem meias palavras: o som é grosseiro. Não tem a profundidade quase percussiva de um V8 americano, não tem a rispidez afinada de um V12 italiano, não tem aquele "som de pista" típico de um 6 cilindros boxer da Porsche. E não criou nada no nível destes exemplos. Mesmo o "elefante" H16 da BRM soa muito mais bonito.

Fecho os olhos e imagino qualquer coisa com esse som desengonçado do Cizeta. Carros genéricos esportivos japoneses ou europeus. Um motor de V6 3.0/3.2 de Alfa Romeo dá de DEZ a zero no quesito "som esportivo" e eu vou provar a vocês.

Além disso, ouvi dizer que o motor dele não é propriamente um V16, mas sim um par de V8s transversais que dividem um mesmo bloco, utilizando um sistema de engrenagens na parte de baixo para fornecer ao sistema de transmissão uma potência equalizada. Um monte de peças móveis, um monte de peso. Enfim, uma gambiarra só.

Tchau Cizeta.

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

F1: um dos últimos suspiros do romantismo !

Éramos felizes e não sabíamos, durante boa parte dos anos 90.

Maravilhosa era a época quando podíamos distinguir um Renault V10 de um Williams, um Ford Cosworth V8 (de tantas equipes...) e os inacreditáveis V12 da Ferrari, Lamborghini e McLaren-Honda.

Abaixo, uma homenagem ao Grande Prêmio de Monza, palco da próxima etapa da Fórmula 1: um vídeo com os roncos da Ferrari 412T, usada em 1994 e 1995 nas variantes T1 e T2. A presença sonora deste motor beirava o absurdo, muitos dizem ser o melhor som produzido por um monoposto na história... de fato parecia uma orquestra de 12 cilindros, tocando com paixão, intensidade e até uma certa dose de violência!

Aumente ao máximo o volume. Você não vai se arrepender... vai até sentir aquele ventinho típico de autódromo.





OBS: ignorem totalmente as fotos, pois não possuem relação alguma com o som.

domingo, 26 de agosto de 2007

GP da Turquia: vitória merecida do Massa!

Em alguns minutos embarco de volta para São Paulo! Fim das micro-férias no Sul do país, região maravilhosa! Vamos lá, rapidinhas do GP da Turquia:

  • Como sempre digo, a partir do GP da França a Ferrari têm se mostrado imbatível nos primeiros metros após a largada. Com Hamilton largando do lado sujo, ficou fácil para Raikkonen superar o inglês poucos segundos após o apagamento das luzes vermelhas. OBS: como avisei ontem, Lewis tende a ser um pouco maquiavélico na largada. Bem que ele tentou fechar a porta sobre o finlandês, mas desta vez não deu.

  • Alguém notou a faixa "Hamilton Who?" com as cores da bandeira da Espanha, na última curva? Era possível vê-la claramente na largada.

  • As BMW tiveram um excelente começo de corrida, superando Alonso nas primeiras curvas. Heidfeld deu um show de pilotagem e segurou o espanhol até a volta 18, quando Fernando superou Nick no jogo dos pit-stops.

  • A estrela de Alonso voltou a brilhar. O carro dele não estava mais pesado, a verdade é que simplesmente não estava rendendo. Com o problema no pneu de Hamilton na volta 44, o pódium caiu em seu colo.

  • Hamilton deu azar. Sua corrida era estrategicamente coesa, sem abusos, buscando manter a consistência de pontos na tabela. Mas mesmo assim teve sorte. Afinal, mesmo com o pneu em frangalhos, percorreu quase metade do circuito, conseguiu chegar aos boxes; e não teve nenhum dano mais sério no conjunto de suspensão. Quatro pontinhos valiosíssimos.

  • Massa, grande pilotagem. Quase foi superado pela estratégia "maratona" de Raikkonen, que poupa equipamento no início e dá o bote mais tarde. A pressão tornou-se fortíssima a partir da volta 38, mas o brasileiro conseguiu resistir e obter vantagem no jogo da parada dos boxes.


O GP da Itália será simplesmente incendiário. E não subestimem a McLaren, muito menos a consistência de Hamilton.

sábado, 25 de agosto de 2007

A tal da "curva oito" do circuito Istanbul Park

O pessoal da Globo bateu um papo sobre a já lendária curva 8 do circuito da Turquia, durante a transmissão do treino oficial, hoje de manhã. O ponto em questão era sobre quantas pernas afinal, a tal da variante possuía. Aqui, eu me intrometo e respondo:


A curva 8 possui quatro pontos de tangência. Ou seja, o carro passa quatro vezes próximo à zebra interna durante seu contorno.

As três primeiras pernas são próximas, e a última perna, mais distante e veloz, finaliza a curva.

Das três primeiras pernas, a segunda oferece mais dificuldades, por causa de um "bump" (irregularidade no asfalto). Aparenta ser um pouquinho mais fechada também.

Por isso, a primeira perna é levemente sacrificada, e é contornada não tão próxima à zebra interna. Até porque o final do "quatrilho de pernas" é de alta, e por isso a velocidade de saída deve ser privilegiada.

Vejam neste vídeo, a curva 8 começa aos 40 segundos. Note, na segunda perna, as marcas do assoalho no chão, evidenciando o tal do "bump".

GP da Turquia: classificação disputada!

Apenas 0,245s separaram os carros da Ferrari e McLaren nos treinos oficiais para o GP da Turquia de Fórmula 1. Não bastando isso, as equipes se alternam no grid, começando pela equipe de Maranello: Felipe Massa na pole, seguido por Hamilton, Raikkonen e Alonso.

Sendo o circuito de Istanbul Park um traçado técnico, dotado de curvas que desafiam o equilíbrio dinâmico dos bólidos e a habilidade dos pilotos, é um tanto surpreendente a pouca diferença nos tempos de volta. Na primeira fila do grid, o intervalo foi de míseros 0,044s. Na segunda fila, uma situação ainda mais intensa: 0,028s separaram Raikkonen de Alonso.

É uma prova sólida de que os pilotos estão extraindo tudo o que podem de seus carros, pois nem a famigerada Curva 8 e seus quatro pontos de tangência foram capazes de fazer alguma diferença substancial nos tempos de volta.

Fica somente uma observação: Kimi Raikkonen cometeu um erro na penúltima curva, e portanto sua quantidade de combustível deve ser similar à de Massa, talvez com diferença suficiente para somente uma volta.

Como sempre, fico feliz com o desempenho e progresso da BMW. Kubica se classificou 0,148 atrás de Alonso; Heidfeld logo atrás. É uma equipe de ponta, que merece e vai conquistar seu título, sem muitas delongas. Essa é a minha aposta.

Bom, fiquemos de olho no seguinte, para amanhã:

  • É provável que Alonso esteja mais pesado. Pode surpreender a todos.

  • A Ferrari têm largado melhor que a McLaren em quase todas as provas após o GP da França. Mas Hamilton não vende fácil, e tende a ser um tanto quanto maquiavélico nos primeiros metros após a largada. Atacar Felipe ou defender-se de Kimi? Eu apostaria na primeira opção.

  • Raikkonen pode fazer uma prova calculista e vencer no estilo "maratona", poupando equipamento e mantendo um ritmo consistente.

  • Massa é o franco favorito para este GP, mas pode ceder à pressão de Hamilton, que pode inclusive estar mais leve que o brasileiro.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Vídeo: ronco nostálgico de um carro altamente tecnológico !!!

Foto: divulgação


Um Fórmula 1 dos anos 70. Essa é a única coisa que consigo pensar enquanto escuto o ronco alucinante desta Ferrari FXX, um dos carros mais exclusivos e sem dúvida, um dos mais rápidos do mundo. Tal como o Hemi Dart, este carro é homologado somente para uso em pista, e não em ruas civis... coisa para poucos.

No vídeo (clique aqui para assistir), vemos o piloto de testes do fabricante, Dario Benuzzi, mandando ver no circuito de Fiorano. Meu chute é de que se trata de alguma demonstração à imprensa especializada.

Aumente ao máximo o som de seus alto-falantes, e sinta a potência bestial do V12 de 6,3 litros em ação: 800 cavalos a 8500 giros. Apesar de gostar muito mais de um Lola T70 ou um GT40, minha opinião ficou bastante favorável ao FXX depois desse vídeo... fui seduzido pelo seu ronco incrível.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Lobini H1, o Lotus brasileiro...

Comportamento dinâmico neutro, com tendência ao sobre-esterço. Engates do câmbio justinhos, embreagem curta, caixa de direção bem rápida, posição de dirigir excelente e um ótimo feeling do pedal de freio. Um pouquinho de lag do turbo, exigindo um tempinho para adaptação, e só.

São as impressões que tive ao dar uma voltinha com este brinquedinho incrível na pista de testes da Pirelli, em Sumaré/SP, há cerca de dois anos. Abaixo, um vídeo-release bacana deste bólido.



E um brinde a todos os fabricantes independentes deste país. São muitos para serem listados na atualidade, mas a lista certamente é encabeçada pela Chamonix. Lutam em nome de uma paixão e remam contra um país que premia sua produção criativa com uma quantidade de impostos e burocracia inacreditáveis...

Não resta muito a estes fabricantes senão produzir com os olhos voltados ao exterior, pois sabem que não sai muito peixe deste mar(asmo) onde vivemos...

GT40 Mk1: belíssimo!

Foto: autor desconhecido


Esse exemplar chega a ser jogo sujo, de tão lindo. Ainda mais com o motor Ford que mais agrada o dono deste blog: o 289 (4,7 litros) com cabeçotes de alumínio Gurney e 4 weber 48 IDA. As rodas raiadas com cubo rápido matam a pau e nada mais, senão tenho um enfarto!

Ao fundo, uma Ferrari 246 Dino (GT ou GTS?) cor de cobre. Ao lado do GT40, um protótipo da GM para um Corvette com motor central.

Acidente de um clássico italiano...

"Havia um Jaguar no caminho...
No caminho havia um Jaguar..."






O coração dos alfisti bate mais triste a partir dos 2:09 do vídeo... pela expressão corporal do piloto, que aparece à frente de sua Alfasud Sprint danificada ao final do vídeo, o estrago foi grande...

A corrida era disputada no circuito de Mainfeild, na Nova Zelândia.

domingo, 19 de agosto de 2007

O nada bizarro Bizzarrini !!!

Fotos: autor desconhecido / edição Mulsanne


Bizzarrini 5300 GT Strada 1967, by Giotto Bizzarrini, ex-engenheiro da Ferrari. Um dos responsáveis principais por obras como o modelo 250 GTO da casa principal de Maranello, ao lado de Girolamo Gardini, e outros.

Este modelo é um dos primeiros carros a participar do que chamo de "Operação Transatlântico": bólidos europeus com motorização V8 norte-americana. No caso, um 327 Chevy preparado, que gerava 365hp. Sua carrozzeria de alumínio foi projetada pelo Gruppo Bertone, e pesava 1225 quilos. A soma disso tudo levava o automóvel a 100 km/h em menos de 7 segundos. Nada mal.

O Bizzarrini não é muito conhecido em terras tupiniquins. É de se entender o seu anonimato quase "lado B": pouco mais de 100 unidades foram produzidas entre 1965 e 1969...

sábado, 18 de agosto de 2007

...e agora, o PRÓPRIO !!!

Foto Albert Fattal / Edição Mulsanne


Parnelli Jones´ 1970 Mustang Boss 302. Race car, Trans-Am.
Perfeito. Apenas isso.

OBS:
esta é a cor Grabber Orange que comentei no post anterior.
OBS2: pneus Goodyear, patrocinador Firestone. Perfeito mesmo assim.

Mustang dos sonhos à venda !!!

Foto: autor desconhecido


Não sou muito fã do Mustang Eleanor do filme 60 segundos. Gosto da cor Pepper Gray, gosto do motor big block com abafadores Flowmaster (sim, aprendi a gostar de Flowmaster), gosto até mesmo do design das rodas, releitura do modelo clássico que equipava os Shelby Cobra e os GT-40. Mesmo com os aros imensos... eu perdôo (risos).

Mas não gosto do toque "modernizante" que predomina sobre o carro. Não sou fã da escola Chip Foose, embora saiba respeitar e apreciar devidamente a qualidade do trabalho realizado. Há coisa desnecessária ali, que só acrescenta peso e afasta o espírito "muscle car" do automóvel.

O exemplar acima me dá motivos de sobra para que meu queixo não caia diante de uma Eleanor. Boss 302 1970. Para muitos, o melhor Mustang. O mais agressivo, o mais eficiente em curvas e em aceleração (sim, é mais rápido que um big block no 0-96kph).

É parte da tríade dos ´Stang que considero mais bonitos. Ao lado dele, cultuo o Mustang Hertz 1966 e o Shelby 1965 de pista. Para ser 1000% perfeito, bastaria ser da cor Grabber Orange.

O Boss da foto é muito especial. Foi construído por G.S. Johnson, que foi co-piloto do grande Parnelli Jones na categoria Trans-Am, EUA. Não é um carro que foi restaurado ao nível concours de originalidade. Embora essa tenha sido a intenção original do proprietário, no meio do caminho ele mudou de idéia... felizmente.

Este Mustang foi preparado totalmente à moda "old school", se aproximando o quão foi possível do estilo de preparação feita para os carros de pista da época. Os sapatinhos de letrado amarelado envolvendo as rodas Minilite são praticamente um atestado da herança Trans-Am.

Babou, né! Pois é, eu também. E este brinquedinho está a venda... 95 mil dólares!

Ritmo lento nas atualizações!

Pessoal, como pode-se notar, essa semana o blog andou devagar nas atualizações. Explico: estou passando alguns dias em Blumenau, curtindo uma micro-férias. Pois é, não foi só o pessoal da Fórmula 1 que tirou algumas semanas pra pendurar os volantes!!

Ao final de Agosto estarei de volta, e em pouco tempo teremos novidades interessantíssimas no site Mulsanne. Mas a partir de hoje, o blog já volta a seu ritmo normal de atualizações!!!

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Cadillac de Mármore à venda...

Foto: UU Museum of Fine Arts


Entre 1985 e 1999, o escultor Roland Baladi gastou sangue e suor nesta obra-prima aí em cima! Uma réplica 1/1 de um Cadillac Eldorado 1953, esculpida em mármore Carrara. O trabalho em mármore é um dos mais difíceis e delicados, pois somente admite extração do material. Um erro pode ser fatal...

O precinho da obra é quase proporcional a seu peso: aproximadamente 650 mil dólares, dezesseis mil quilos! Cuidado pra não deixar cair no pé de ninguém durante o transporte...

Italianos dos anos 70: Maserati Merak

Foto original Russ Perryment / Edição Mulsanne


Em muitos aspectos, a década de 1970 foi um retrocesso. Muitos dizem que os carros italianos esportivos verdadeiros, de corpo e alma, estão nas gerações dos anos 60 para trás. Salvo raras exceções, que sempre existem.

De certa maneira eu concordo. Eu acho lindo este Maserati Merak, por exemplo. Fica clara a inspiração "futurista de época", mas notem, num momento de transição estilística: ainda existiam muitos cromos em sua carroceria, além de soluções de design típicas das gerações anteriores.

O Merak nunca foi um exemplo de desempenho, apesar de andar bem. Era o irmão mais novo do Maserati Bora, e contava com uma motorização V6 de 3 litros, que gerava entre 190 e 220bhp. Ambos eram as opções da Casa do Tridente, na época sob domínio da Citroën.

Apesar da sofisticação do projeto (transmissão ZF, suspensão independente nas quatro rodas, barras estabilizadoras e freios a disco ventilados nos dois eixos, etc), seu peso não ajudava em nada. Em ordem de marcha ultrapassava uma tonelada e meia. Sabe o que isso significa? Uma massa superior à do Dodge Charger brasileiro...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Tal pai tal "filho" II

Foto original Mike Lee / Edição Mulsanne


A fama de Colin Chapman acaba fazendo sombra sobre um dos maiores nomes da história do automobilismo, Jim Hall. Ele e Hap Sharp comandavam a Chaparral, equipe e construtora que revolucionou e investiu naquilo que pode ser chamado de "essência do automobilismo contemporâneo": a aerodinâmica.

A aerodinâmica será o assunto da próxima matéria disponível no site Mulsanne. Na verdade, uma série de matérias, que serão publicadas em doses homeopáticas.

Aguardem. É coisa boa.

Gentlemen Drivers !!!

Foto Richard / Edição Mulsanne


Rivais nos anos dourados, amigos desde sempre. O lendário piloto e construtor, Sir Jack Brabham (esq.), sendo cumprimentado pelo não-menos-magnífico Sir Stirling Moss, um dos pilotos mais habilidosos e classudos da história.

Moss foi homenageado pela Royal Mail recentemente, em comemoração aos 50 anos de sua vitória no GP da Inglaterra a bordo de um Vanwall. Uma folha com 50 selos custa 17 libras esterlinas. Quer comprar? Clique aqui...

Tal pai, tal filho...

Foto original Richard / Edição Mulsanne


Damon Hill no circuito de Goodwood, na edição de 2002 do Goodwood Revival Meeting. O inglês está a bordo de uma BRM, aparentemente uma P57 de 1962, igual ao modelo que deu o título a seu pai, Graham Hill.

As comparações feitas por parte do público e da imprensa foram inevitáveis em seus anos como piloto de F-1. Damon sempre se esquivou e chegou a negar qualquer tipo de influência. Mas a admiração é "indisfarçável".

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Cego é preso por dirigir carro !!

Foto original Jann / Edição Mulsanne


Uma das cenas mais famosas do filme Perfume de Mulher é aquela onde um cego (interpretado por Al Pacino) pilota uma Ferrari 348 Targa nas ruas de Nova York. É parado pela polícia e reage com uma certa ironia, característica marcante do personagem.

Agora vamos ao mundo real. Notícia insólita da agência Reuters, vinda da Estônia, país que fica ao norte da Europa, próximo à Finlândia.

Possivelmente inspirado no filme, um jovem cego de apenas 20 anos conduzia seu carro pelas ruas da cidade de Tartu, auxiliado pelo passageiro, uma criança de 16 anos! O policial, ao perceber que o carro seguia trajetória irregular, parou o automóvel e requisitou um teste de bafômetro. Daí para notar que o condutor era cego, foram apenas alguns instantes...

Três clássicos Muscle !!!

Foto: Monica Jarema / edição Mulsanne

Curto e grosso: Cuda 1974 + Pneus diagonais Mickey Thompson Indy Profile + Rodas American Racing Torq-Thrust.
Mais cultura "drag race", impossível.

domingo, 5 de agosto de 2007

GP da Hungria: resumo e comentários!

Com a punição de Alonso após a qualificação para o GP da Hungria, as expectativas eram de que Hamilton fizesse uma corrida razoavelmente tranqüila. Ao menos enquanto Heidfeld se defendesse de Raikkonen, o terceiro colocado no grid. De Alonso e Massa era esperada uma corrida de recuperação limitada, num circuito quase sem pontos de ultrapassagens.

Quase tudo se confirmou nesta corrida, que apresentou poucas emoções em pista.



1º bloco

Largada: Raikkonen larga bem e passa Heidfeld. Na frenagem para a primeira curva, Alonso toma uma fechada de Rosberg e perde uma posição nas curvas seguintes. Massa supera dois ou três carros no momento da largada, mas comete um erro e termina a volta na 16ª posição.

Ao final da primeira volta, Alonso desliza de traseira sobre a sujeira da pista, da mesma maneira que a Ferrari de Massa na classificação. Perde posição para Weber, e Kovalainen quase o supera também.

Algumas voltas depois, o espanhol se recupera, passando Weber e Kubica; mas não consegue se aproximar o suficiente para tentar ultrapassagem sobre Ralf. Foi o primeiro a fazer o pit-stop, na 17ª volta.

Raikkonen se mantém a aproximadamente 3s atrás de Hamilton por volta do 7º giro. O ritmo dos dois é semelhante até a décima volta, quando a diferença passa para 4,5s possivelmente devido a um erro do finlandês.



2º bloco
Os dois líderes param na décima nona volta. No retorno, a diferença se manteve em 1,5s. A partir do 25ª giro, Raikkonen começa a reduzir alguns centésimos por volta. O rendimento da Ferrari parecia melhor após o 2º pitstop, mas algum tempo depois se estabiliza. Portanto, não houve tentativas de ultrapassagem entre os ponteiros.

Alonso continua atrás de Ralf após a parada do alemão, com a mesma diferença, de aproximadamente 1s.

Sato e Massa largaram com muito combustível. Correram juntos, respectivamente na 10ª e 11ª posição, até a trigésima segunda volta, quando o japonês para nos boxes. Três giros depois, exatamente na metade da corrida, é a vez de Massa. Ele realizou uma parada curta, provavelmente para auxiliar Raikkonen; pois voltou exatamente à frente de Hamilton. Após uma bandeira azul, Massa freia forte e deixa os líderes passarem sem qualquer interferência.

Davidson toca em Kovalainen na 42ª volta e roda, ficando numa posição bastante perigosa; mas o Safety Car não chegou a ser acionado. Estranhamente, um carro de passeio estaciona logo atrás do carro de Davidson; uma decisão de segurança questionável.

No 46º giro, Raikkonen para pela terceira e última vez nos boxes. Com o tanque vazio, Hamilton imprime um ritmo forte e vai aos pits quatro voltas depois; da mesma maneira que Alonso. O inglês volta a estabelecer 4,5s de diferença para a Ferrari de Kimi.



3º bloco
Ocorreram muitas aproximações no final da corrida, mas nenhuma tentativa de ultrapassagem. Os baixos níveis de aderência mecânica por causa do asfalto sujo, e o alto grau de dependência da aderência aerodinâmica em um circuito lento, dificultaram ao extremo as disputas.

Alonso briga com Heidfeld pelo degrau mais baixo do pódium, enquanto Massa chega no décimo segundo colocado, Giancarlo Fisichella.

Raikkonen se aproxima de Hamilton perigosamente entre a 52ª e a 56ª volta,. A diferença, que era de 4,5s; se torna apenas visual a partir do 57º giro. Mas não houve uma única tentativa de ultrapassagem.



De certa maneira, nenhuma surpresa nesse domingo. Bote na conta o circuito de Hungaroring, a situação difícil de Felipe Massa, a punição a Fernando Alonso, a constância do "novato veterano" Hamilton e a frieza e falta de tempero de Raikkonen.

A declaração de Felipe Massa foi emblemática: "Acho que foi a pior corrida da minha vida. Tudo deu errado no fim-de-semana...". Com o fraco resultado desta prova, a situação do brasileiro frente ao título de pilotos foi promovida de "muito difícil" a "praticamente impossível".

Sem dúvida, Hamilton está num excelente momento do campeonato, apesar dos pesares. A crise da relação entre Alonso (que cometeu vários pequenos erros nesta prova) e Ron Dennis acabaria vindo a calhar para o piloto inglês, mas a desobediência na qualificação contou pontos a menos nesse aspecto.

sábado, 4 de agosto de 2007

Alonso e McLaren punidos no GP da Hungria !!

Por ter prejudicado seu companheiro de equipe na última sessão de treinos, a FIA decidiu punir Alonso com o acréscimo de cinco posições no grid. Portanto, o piloto espanhol largará da sexta posição.

Os pilotos classificados entre o sexto e segundo lugar no grid ganharam uma posição. Portanto, Lewis Hamilton é o novo pole position do Grande Prêmio da Hungria.

A equipe McLaren também foi punida por passividade e responsabilidade da situação, e não receberá os pontos no campeonato de construtores acaso os conquiste nesta etapa.

Classificação GP da Hungria: rapidinhas

Nada de novo no front. Definitivamente, a McLaren possui vantagem incontestável em circuitos travados; e o modelo F2007 da Ferrari não é páreo para o MP4-22 nestas circunstâncias.

Foi possível notar que os níveis de aderência da pista pareciam baixos: quase não se via o groove de borracha sobre o asfalto, e vários carros escorregavam um pouco nas entradas e saídas de curva.

Vamos às rapidinhas:

Alonso e Hamilton (McLaren):
Hamilton, na primeira sessão de classificação, fez sua volta com pneus duros, num ritmo desnecessariamente forte.

Na troca de pneus da última sessão, Alonso aparentemente “enrolou” alguns segundos para sair dos boxes; o que custou a participação da última volta rápida de Hamilton, que aguardava exatamente atrás. Não sabemos a causa definitiva, mas não me pareceu honesta a atitude do espanhol, que logo em seguida fez um excelente tempo e conquistou a pole.

Ron Dennis não parecia nem um pouco feliz com a conquista da dobradinha no grid. A relação dele com Alonso está visivelmente trincada.



Heidfeld e Kubica (BMW)
Gosto muito da dupla de pilotos e de Mario Theissen. Todos têm feito um trabalho excelente e dedicado. Os resultados mostram um progresso incontestável. Ouso dizer que a partir do próximo ano, a equipe alemã chegue ainda mais perto das líderes, e talvez passe a disputar vitórias.

Kubica fez um excelente tempo na primeira sessão, mas perdeu consistência no restante do treino: largará da sétima posição. Já Heidfeld conseguiu posicionar-se à frente de Raikkonen no grid, e larga em terceiro. Excelente.



Raikkonen e Massa (Ferrari):
Na segunda sessão, Massa escorregou feio na última curva, corrigindo a trajetória duas vezes. Ao parar nos boxes para botar pneus macios, a equipe esquece-se de abastecer o carro; numa situação atípica em todos os sentidos. O erro da Ferrari é injustificável. Os pneus esfriaram, o carro ficou muito sub-esterçante e Felipe não teve muito o quê fazer. Resultado: larga em décimo quarto.

Kimi Raikkonen fez um treino sem surpresas e larga em quarto. Tirou o que pôde da Ferrari F2007, que não parece ter se encontrado neste fim-de-semana.


Rosberg e Wurz (Williams):
Sem comentários. Não consigo entender a sorte de um cara como o Wurz, tão mais lento que Nico. Rosberg larga da quinta posição, e Wurz classificou-se em décimo terceiro. De resto, fico feliz pela consistência da equipe Williams, considerando seu orçamento apertado para este ano.



Button e Barrichello (Honda):
17º e 18º tempo. Claro indício que os pilotos estão fazendo o que podem, mas o carro não ajuda. 2007 definitivamente é um ano para a Honda esquecer.



Vettel (Toro Rosso):
O acerto de seu carro não parecia adequado, e sofreu com a falta de aderência tanto nas entradas como nas saídas de curva. Saiu da pista duas vezes na primeira sessão. Larga da vigésima posição.



Yamamoto (Spyker):
Fez um tempo ruim, quase 1s atrás de Sutil; tal como Winkelhock em Nürburgring. Larga da última posição do grid.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

GP da Hungria, Hungaroring. Tensão máxima.

Considerando os eventos da semana passada, é certeza que as equipes de Woking e Maranello entrarão na pista pintadas de guerra.

As trocas de acusações entre a McLaren e a Ferrari prosseguem com declarações e réplicas, nada amistosas, após a decisão endossada pelo Conselho Mundial de Automobilismo da FIA. Não vou ser repetitivo. Pizza. Finito.

Sabe-se que Hungaroring é uma pista travada, se não me engano a segunda mais lenta de toda a temporada; só perdendo para Mônaco. As características do McLaren MP4-22 em tese favorecem a equipe: entre-eixos mais curto e um motor mais torcudo em regimes médios. Assim, em curvas lentas o carro aponta para saída de curva com antecedência, e sai com mais força por causa do propulsor.

Por outro lado, apesar de lento, o traçado possui características mais propícias de um circuito; e não há variantes tão fechadas e agudas como em Monte-Carlo. E ambas as equipes fizeram progressos substanciais.

A Ferrari está largando assustadoramente bem desde o GP da França, e não se tem a resposta precisa por trás disso: suspensão, controle de tração, gerenciamento eletrônico, ou o motor. Sim, motor, porque o tal "congelamento dos motores" permite o desenvolvimento dos propulsores, ainda que de maneira limitada e sob supervisão da FIA.

Essa mesma tração que têm feito os cavallinos arrancarem como dragsters italianos nas largadas pode trazer no pacote um pulo do gato escondido. Mas vamos deixar estes "se's" de lado.

Certeza por certeza, a única coisa que pode ser dita é: Hungaroring é uma pista praticamente sem pontos técnicos de ultrapassagem, sendo necessária a "invenção" destes pontos conforme as portas abertas deixadas pelos rivais.

Somando isso à situação tensa entre as equipes líderes, mais a relação de ódio entre Massa e Alonso, temos um cenário onde a possibilidade de toque ou de incidente não deve ser descartada.

Por sinal: há uma possibilidade considerável de chuva sobre o autódromo neste fim-de-semana. A corrida promete, e ultimamente as promessas têm sido cumpridas!

NOVIDADES no Mulsanne.com.br!! Ao Volante: Dodge Dart 1974 !!!


Este belo Chrysler esbanja sobriedade, classe e desempenho. Como todo V8 de projeto americano, oferece muito torque e respostas imediatas ao acelerador. Confira como é a sensação de se adentrar e conduzir este clássico da indústria automobilística brasileira, na estréia da seção "Ao Volante" !

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NOVIDADES no Mulsanne.com.br!! Curva Karussell do Nordschleife !


O lendário piloto escocês Jackie Stewart tinha muitas razões para chamar a Nürburgring Nordschleife de "Inferno Verde". A curva Karussell é somente um dos motivos. Aperte os cintos e prepare-se para mergulhar em uma das variantes mais diferenciadas do mundo!

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