segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Uma bela maneira de se gastar US$100 mil


Survivor. É assim que os gringos descrevem um carro antigo intocado, que nunca passou por um processo de restauração. Agora, um Jaguar XKE roadster 4.2 nesta condição, mas absolutamente impecável, recebe um outro nome - que é "pqp". Dispensa tradução, pois é uma sigla internacional para se expressar surpresa. Pode ser acompanhada de um gesto: duas mãos sobre a testa.

Com apenas 12.000 milhas no odômetro, este felino é uma verdadeira Nicole Kidman: mais charmosa a cada ano que passa, e com a carroceria original, if you know what I mean. No caso do jegue, digo, Jag, é mais que isso: trata-se de pintura, cromos e tapeçaria de fábrica, os mesmos pneus, tecido do teto... pense no que deve ser conduzir esta máquina. O perfume do interior. A ausência de rangidos. E a virgindade... não, tarados de plantão, isso significa um carro que nunca foi desmontado.



Mas há uma mentira neste post. Infelizmente, este sonho musgo com interior creme não custa "apenas" cem mil dólares. O preço de reserva do leilão está acima disso, e obviamente não será revelado até ser atingido. Mas você pode acompanhá-lo neste link, e agonizar o processo de venda ao futuro, misterioso e novo proprietário.

Já cantava o refinado e afinadíssimo Genival Lacerda: "De quem é esse Jag?". Bom, acho que era isso que ele cantava.


O caso Caoa-Hyundai: publicidade mentirosa


No mundo da publicidade, não há santos ou ingênuos. Tudo é intencional - cada ângulo, cada cor, cada gesto, cada vírgula. Isso inclui a manipulação de frases para se confundir ou criar duplo sentido, omissão de informações... e mentiras deslavadas, óleo de peroba, mão grande. Perché no!

O editor-chefe do Best Cars Web Site, Fabrício Samahá, publicou há dois dias um editorial-merthiolate aplicado aos litros sobre uma ferida que poucos estão dando a devida atenção: a publicidade do grupo Caoa-Hyundai. Desta vez, não digo que a leitura é recomendada. É obrigatória.

Sobre os produtos da Hyundai, não vejo restrições. O i30 é um bom carro, já o guiei algumas vezes. Mas de fato, é muito menos que o que tem sido alardeado por aí. E dentre seus rivais de mercado, prefiro quase todos os outros. Nada pessoal. Um dia eles chegam lá.

Só lá, mesmo....



A comida agridoce deles está longe de ser sofisticada, a população se alimenta mal e é obesa de maneira geral, e culturalmente não são exatamente... pródigos. Mas nem tudo é ruim nos Estados Unidos, que aliás, tem muita coisa boa: música, produção de cinema, indústria, sistema político-econômico... e motores. Muitos motores. MUITOS MOTORES.

Já falei alguma vez que os EUA são uma potência (pun intended) em motores?

Você não vai em uma oficina em Turim ou em Dresden e pede no balcão: "ei, quero um motor de Ferrari ou de Porsche de competição, daqueles que competem na Le Mans Series". Mas você pode ir à Arrington Engines, em Martinsville, e pedir um V8 Dodge de Nascar, gerando algo em torno de 700 cavalos a 9000 rotações por minuto (800+ na configuração de corrida) - com taxa de compressão compatível com gasolina comum!

Vamos a alguns detalhes: 358 polegadas cúbicas (5,8L), bloco R5 e cabeçotes P7 (ambos de alumínio), fluxo aprimorado dos cabeçotes e coletores de admissão em torno CNC, sistema de cárter seco, bielas e pistões forjados (Carrillo/JE), etc, etc... só não inclui os culhões para sentar a bota, nem o cérebro pra conseguir passar 700cv ao asfalto em uma arrancada.

Por outro lado (e graças a deus), não possui nenhuma muleta como coletores e comandos variáveis, sistema de injeção eletrônica, nada disso. Para se ter uma idéia, temos duas válvulas por cilindro e o único comando de válvulas fica no bloco, como qualquer V8 da década de 60. Varetas, balanceiros, tudo aquilo. Isso é motor pra quem gosta de corrida. E ponto final.

*não percam o final do vídeo