
Há alguns dias, o amigo Mário Buzian me mandou este trecho de um depoimento pra lá de interessante (para não dizer hilariante) sobre o grande piloto, engenheiro e jornalista Expedito Marazzi. Foi escrito por Mário Souto Mayor, e está disponível no site criado pelo filho do mestre, Gabriel Marazzi.
Para quem gosta de carros antigos e de dar risada, é um prato cheio.
" (...) O Marazzi sempre fazia destas coisas para divertir a gente e a ele mesmo. Tinha uma alma e um coração de criança. Ele era calmo, mas com um gênio que explodia de uma hora para outra; ele ficava extremamente nervoso, principalmente no trânsito. O que mais me impressionava nele, era a extrema facilidade com que ele controlava os carros nas situações mais adversas. Uma história engraçada, mas nem um pouco recomendada, aconteceu numa noite em que ele e eu fomos até o posto de gasolina que ele possuía na Av. Heitor Penteado. O posto já estava fechado, fechava cedo na época, apenas o gerente estava lá para conferir o caixa com Expedito. Nós estávamos no Dodge Dart preto que ele tinha, paramos no sinal da Av. Cerro Corá com a Av. Heitor Penteado, já era tarde e as ruas estavam vazias.
Atrás do nosso carro, um "fusquinha de boy" parou e segundos depois disparou uma buzina daquelas de repartir cabelo na nuca. Expedito olhou pelo retrovisor somente levantando o canto do olho e permaneceu quieto, aparentemente sem se alterar. Mais alguns segundos, e nova buzina, desta vez um pouco mais longa.
Expedito nem olhou desta vez, o sinal ficou amarelo e ele engatou a primeira. Quando o sinal ficou verde, e o fusquinha buzinou pela terceira vez, eu só senti o Dodge rodar sobre o eixo dianteiro num cavalo de pau de 180 graus e ir de encontro ao fusquinha, que nesse momento já tinha um motorista de olhos arregalados e um coração pendurado na boca. A frente do Dodge parou a uns 10 centímetros do pará-choques do fusca, com o giro muito alto e as rodas traseiras girando em falso e fazendo uma fumaça muito grande, porém, o carro não mexia um milímetro para frente, Marazzi enfiou a mão na buzina, colocou a cabeça para fora e começou a gritar "Buzina eu também tenho, buzina eu também tenho palhaço...", o rapaz do fusca estava estático.
De repente o Dodge saiu em marcha a ré, e, com outro cavalo de pau desta vez jogando a frente, virou e entrou na Av. Heitor Penteado em alta velocidade, entramos pelo posto e novamente outro magnífico cavalo de pau de 360 graus e duas voltas, parando quase que estacionado, Expedito somente engatou a ré e ajeitou melhor o carro, eu quieto estava, quieto fiquei, ele saiu batendo a porta e foi ter com o gerente do posto que também estava paralisado com as rodadas do Dodge.
Cinco minutos depois ele volta, sorrindo e comentando "Viu que sujeito mais idiota ?", eu apenas balancei a cabeça concordando e tentando colocar o coração no batimento normal. "
Que história mais maluca, não? Em comum com o Marazzi, eu tenho o Dodge Dart preto (sim, é o carro da fotografia), o interesse pelo conhecimento técnico dos automóveis, e a paixão pelo automobilismo. De resto, sou apenas um milésimo do que o Marazzi representa para o jornalismo automotivo de nosso país. A herança de Expedito é ainda viva, e permeia muitas das linhas que lemos na imprensa atualmente, ainda que seus autores talvez não saibam disso.