segunda-feira, 31 de março de 2008

Leitura Recomendada...


Existem poucos carros de corrida que possuem uma reputação genuinamente mítica. O Porsche 917 é um deles. Até hoje transpira desempenho sua carroceria de perfil baixo empurrada pelo motor boxer de 12 cilindros, que também inspirou bastante medo aos seus pilotos. Estes se instalavam entre galerias tubulares recheadas com óleo escaldante, com os pés localizados à frente do eixo dianteiro, e sofreram com sua instabilidade direcional em alta velocidade.

Abstrair-se do risco exponencial sem perder o respeito e a frieza eram exigências fundamentais para qualquer um que se aventurasse a bordo dos 917.

A história deste mito está sendo contada em capítulos escritos pelo mestre Joaquim Lopes, no Blog do Saloma (parte 01 - parte 02). É esta a dica de leitura de hoje. Imperdível, obrigatória.

Escândalo Mosley: quando o absurdo dos tablóides impera.


Bom, para quem não sabe o que ocorreu, cito brevemente o amigo Speeder, do blog Continental Circus. Eu removi arbitrariamente o nome do jornaleco responsável pela divulgação do escândalo, com o claro propósito de não contribuir para a audiência destes lixos chamados tablóides, tão comuns na Inglaterra:


"A Inglaterra acordou hoje com a noticia de um tabloide, afirmando que Max Mosley, o patrão da FIA, se envolvou numa orgia sexual com 5 prostitutas. E não era uma orgia qualquer... é mais para o sado-maso.

O (...) documenta que o "Tio Max" ter-se-á envolvido em práticas sado-masoquistas num denominado "dungeon" (masmorra), localizado num apartamento em Londres.

A noticia, que vem acompanhada com fotos e um video, é impressionante, pois numa passagem do vídeo, é possível assistir a uma cena protagonizada por uma prostitura vestida com um uniforme nazi e, alegadamente, com Max Mosley."




Há três reflexões fundamentais que precisam ser feitas frente à esta situação:

Primeiro, a conveniência temporal. Mal se passaram três dias desde o falecimento do ex-presidente da FIA Jean-Marie Balestre, e esta suposta orgia sexual de Mosley veio à tona. Não se sabe quando estas fitas foram gravadas. Poderiam estar aguardando por meses, até alguns poucos anos, pelo momento oportuno. E nada seria mais proveitoso que aproveitar as menções à possível colaboração nazista de Balestre para imputar uma continuidade ideológica subliminar sobre Mosley.

Nada garante que não hajam interesses de terceiros na ruína da imagem pública de Max, terceiros ligados diretamente à divulgação deste escândalo.

Segundo, o moralismo sexual e político. Como Sir Stirling Moss e os amigos Capelli e Speeder ponderaram, o que o dirigente da FIA faz ou deixa de fazer entre quatro paredes é problema dele e de mais ninguém. O que tornaria a situação insuportável para a defesa de Mosley seriam as referências nazistas presentes no programa com as prostitutas, e obviamente o fato disso tudo ter se tornado público.
Mas uma questão moralmente importante precisa ser lançada. As menções ao nazismo, presentes na conduta, vestimenta e linguagem das mulheres que acompanharam a experiência de Max, foram realmente profundas?

Ou trata-se de um fetiche sadomasoquista orientado apenas por uma atração sexual à imagem agressiva e comunicação impositiva, personificadas em prostitutas caracterizadas como nazistas?

Ora. Não há indicativos de apologia à ideologia nazista no programa sexual do atual presidente da FIA, apenas referências comunicativas e imagéticas. Não se fala em judeus, em superioridade ariana, nada disso. E a violência submissiva, da forma como foi apresentada no vídeo em questão, é típica do sadomasoquismo. Trata-se de um jogo, uma brincadeira de gosto duvidoso, e não uma simulação de um campo de concentração, como alguns irão querer insinuar. É esta a fronteira que os tablóides ingleses não fazem questão de mencionar e preferem misturar. A estes, mais interessa citar o envolvimento de seu pai Oswald Mosley com o nazismo, como se houvesse um contágio hereditário no filho. A ideologia é insinuada neste caso como uma enfermidade passível de continuidade genética.

Um absurdo completo, mas que infelizmente o povo não consegue detectar, pois este se torna surdo e cego de repúdio apenas ao ouvir a palavra "nazismo". Masoquismo, nazismo, tudo se torna uma massa só: e assim, Mosley e Balestre tornam-se o Diabo e o Mefisto da moral e dos bons costumes.

Sim. A sociedade, tão facilmente inflamável e manipulável pela mídia sensacionalista, dificilmente vai visualizar estas nuances diferentes. E vai consumir a humilhação privada de Mosley tornada pública exatamente como os tablóides querem.
E nisto entra a terceira reflexão, referente aos papparazi e tablóides em geral.

Estes deveriam ser os elementos moralmente condenados pela sociedade. Mas paradoxalmente, são consumidos de maneira frenética pelo povo. É estranho se pararmos para pensar, que a orgia sexual de Mosley é moralmente condenável, mas querer saber todos os detalhes sórdidos do escândalo, não. É estranho, os papparazi e jornalistas de tablóides invadem a privacidade alheia a um grau irrestrito, um dos maiores crimes que se possa cometer contra um indivíduo, mas a sociedade consome o resultado deste crime totalmente livre de culpa e remorso, como se uma "força invisível" tivesse trazido detalhes da vida privada de terceiros.

Pessoal, nosso mundo está muito esquisito. Fórmula 1 diz respeito à cheiro de borracha queimada, gasolina, óleo, aquele vento forte típico de autódromo. Diz respeito à sons de derrapagem abafados por roncos de motores ensurdecedores, emoção no público, frieza no cockpit. Uma briguinha aqui e acolá, às vezes na pista, às vezes nos bastidores.

Será que vamos continuar sendo ingênuos, dando importância para o que os tablóides dizem a respeito da vida privada dos integrantes de nosso esporte predileto? Vamos continuar sendo manipulados por escória da pior espécie, os seres nojentos que vivem às custas da invasão da vida alheia?

Por este motivo, não vou citar o jornaleco que divulgou as (des)aventuras sexuais de Max Mosley. Se está curioso para ver as nádegas que dizem ser dele, utilize o Google, per favore.


Update
: ...e se for uma brincadeira de 1º de Abril, serei o primeiro a atirar pedras na testa de quem manda naquela espelunca jornalística. O mal gosto impera neste caso, independentemente de serem fatos ou um trote.

domingo, 30 de março de 2008

Lancia Delta S4, vídeo-tributo...


A melhor forma de se descrever os carros do Grupo B do campeonato mundial de Rally da FIA seria compará-los à categoria norte-americana Can-Am em seus dias de glória. Com pouquíssimas restrições no regulamento para a sua construção, os bólidos desta divisão eram extremamente potentes e leves. Isso sem mencionar os percursos desafiadores e muito perigosos.

Um dos maiores representantes desta loucura épica foi o Lancia Delta S4. Com um intrigante sistema que mesclava um compressor tipo roots e uma enorme turbina KKK, o pequeno motor de 1,8 litro gerava quase 500 cavalos sem sofrer problemas de lag (atraso de resposta, típico de motores turbinados) em acelerações. Era um verdadeiro canhão, que infelizmente acabou ficando conhecido como o carro onde o lendário piloto Henri Toivonen faleceu, ao cair de uma colina e sofrer uma explosão seguida de incêndio.

O vídeo acima é um belo tributo, dica do Caio Stedile da 8 Ball Garage! Note o poder de aceleração do Delta S4, um pouco superior aos automóveis que competem atualmente no WRC, cujo regulamento restringe a preparação dos motores de diversas formas. Imaginem este Lancia com pneus de competição e os sofisticados sistemas de suspensão de rally atuais.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Adieu, Jean-Marie Balestre (1921-2008). Leitura recomendada...

Enquanto eu me divertia com os vídeos do meu piloto favorito, soube de uma notícia importante somente agora, através de um amigo: aos 86 anos, o ex-presidente da FIA, da extinta FISA e co-fundador da FFSA, faleceu na última noite.

Tal como a coluna de ontem do Livio Oricchio sobre o Massa, recomendo desta vez a leitura do ponto de vista de Luiz Alberto Pandini sobre o dirigente francês. Muito bem ponderado e centrado, escrito com classe. É uma boa leitura, especialmente para aqueles que pensam em celebrar a morte do Balestre como uma vitória, geralmente os fãs mais cegamente passionais de Ayrton Senna.

Clique aqui para ler o texto de Pandini.

Jackie Stewart: impressões on-board do Tyrrell P34...


A idéia por trás do projeto do P34 era muito boa. Utilizar quatro pares de rodas menores à frente, reduzindo a sustentação e o arrasto aerodinâmico, além de aumentar a área de contato total dos pneus no solo.

Entre a teoria e a prática, contudo, sempre há um espaço preenchido por incontáveis variantes. Problemas com o desenvolvimento dos compostos dos pneus pequenos e a refrigeração nos freios dianteiros foram os maiores contribuintes para o fracasso do projeto, abandonado ao final da temporada de 1977.

O teste do vídeo (apresentação, na verdade) se deu no clássico circuito de Paul Ricard, em 1975. Há várias câmeras instaladas no monoposto, incluindo uma que mostra os quatro pneus dianteiros em ação nas curvas.

É interessante notar como os pneus se deslocam em relação às rodas com as forças G das curvas mais a aderência ao solo, resultando em trajetórias diferentes de um em relação ao outro: é o chamado ângulo de deriva.

Do meio para o final do vídeo, sua mulher Helen segura a placa dos boxes escrita "Stew" (abreviação de Stewart, mas também significa "comida cozida", dando um caráter irônico) para o escocês. Jackie, já aposentado da categoria, dá suas impressões sobre o monoposto, e fala sobre a sensação de voltar a bordo de um cockpit de Fórmula 1, lugar de onde ele esteve distante por quase dois anos após a tragédia de François Cevert.

Ele nega de maneira categórica qualquer possibilidade de voltar a competir na categoria, promessa que ele cumpriu veementemente.

Para mais informações sobre o Tyrrell P-34, clique aqui. Trata-se de um excelente site dedicado ao bólido.

Stewart, Fittipaldi e Cevert inspecionando o circuito...


Inspeção do circuito de Zolder (Bélgica) em 1973. Era a primeira vez que este autódromo sediaria a prova belga na Fórmula 1, antes realizada em Spa-Francorchamps.

O asfalto estava se quebrando em vários lugares do traçado devido ao recapeamento mal feito e realizado muito tardiamente. No vídeo, Stewart e Fittipaldi reconhecem os esforços da organização, mas a gravidade do problema ameaça a realização do evento. Frente a questão, Cevert possui uma postura mais radical: "no more bullshit", consta entre suas declarações.

Após um trabalho ininterrupto de mais de 24 horas, a administração do autódromo conseguiu resolver o problema. Coincidentemente, a vitória ficou para Jackie Stewart, seguido por François Cevert (ambos da Tyrrell), com Fittipaldi (Lotus) em terceiro.

Jackie Stewart: glória e dor...


Nos sete minutos do vídeo acima, há um enorme contraste ilustrado pela maior glória e a maior tragédia da carreira de Jackie Stewart. A vitória no Nürburgring Nordschleife em 1968 e a morte de seu pupilo e companheiro de equipe François Cevert, em 1973.

O vídeo inicia com uma bela reflexão do escocês sobre como o ego dos pilotos afeta a forma que eles encaram seu próprio desempenho, mais declarações de Sean Connery e Murray Walker sobre Jackie.

Stewart venceu a prova alemã em 1968 de maneira épica. Sob chuva torrencial e uma neblina que permitia não mais que noventa metros de visibilidade, o escocês voador não somente faturou a primeira colocação com seu Matra MS10, como obteve uma vantagem de aproximadamente quatro minutos sobre a Lotus do inglês Graham Hill.

A tragédia de Watkins Glen em 1973 marcou o fim da carreira de Jackie. Seu grande amigo, companheiro de equipe e discípulo François Cevert havia falecido em um grave acidente durante os treinos, no trecho mais traiçoeiro do circuito, os "Esses". Seria a centésima prova de Stewart, mas esta nunca ocorreu.

Declarações de Ken Tyrrell, Emerson Fittipaldi e Helen Stewart incluídas.

Foto do dia...


Fotos da Chrysler do Brasil, Dodge Charger R/T 1976. A foto é PB, mas é provável que seja Branco Valência ou Amarelo Montego, pelo tom dos reflexos.

É um carro excelente. Muito torque, direção surpreendemente rápida, freios ótimos para o seu tamanho. Quê? Sim, esqueça a lenda urbana, oriunda de carros com manutenção precária. Há três pistões nas pinças dianteiras de toda a linha Dodge V8 com freios a disco, ótima pegada (ainda mais com o hidrovácuo dos últimos modelos).

É um carro que, se você não for um imbecil, jamais te trará surpresas em direção esportiva. Infelizmente, nem todos têm a moderação necessária para extrair o máximo de desempenho do V8 318, resultando em uma péssima reputação de um automóvel difícil de dirigir. Esqueça isso. Qualquer Volkswagen da época exige muito mais do motorista nestas condições.

Agradecimentos ao Dodgeiro nato Alexandre Epaminondas pelo acervo, e ao Marcelo de Curitiba pelo talento na imagem, que estava desgastada.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Recomendação de leitura !



Por quê Massa está tendo um começo de temporada tão difícil? Quais as circunstâncias? Como está o seu panorama de chances e possibilidades?

Para a reflexão sobre as respostas, recomendo a leitura do último post no blog de Livio Oricchio. É uma análise muito bacana, crítica sem ser atroz nem ufanista.

GTFM, edição 3: imperdível !


Como um vinho, o nosso podcast fica melhor a cada dia que passa! Se você não ouviu ainda, não perca. É muito simples acessá-lo, basta clicar no link ao final deste post.

Nesta edição, falamos sobre a corrida da Malásia da Fórmula 1, com diversos pontos de vistas coincidentes e conflitantes. Vitória de Kimi Raikkonen, grave erro de Felipe Massa, a punição às McLarens, os duelos em pista, e et cetera.

Além disso, debatemos a chegada do Novo Corolla, e analisamos alguns de seus aspectos positivos e negativos frente aos rivais de mercado. Também conversamos sobre outros futuros lançamentos.

Desta vez, tivemos a honra de contar com a participação de uma convidada, a Priscilla Bar do blog Guard-Rail, além dos habituais Vitor Matsubara (blog e site Motorhaus), Renato Bellote (blog Na Garagem), e eu, Juliano Barata (blog e site Mulsanne).


! Clique aqui para acessar o Podcast !


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Uma lista verdadeiramente imbecil. Mérito da revista Time (CNN).

Toda lista do tipo "os 50 melhores (ou piores) de todos os tempos" tem sua origem em pseudo-jornalistas pretensiosos que gostam de um golpe baixo de publicidade. Sabem que este tipo de ação provoca polêmica, e quanto piores os critérios daqueles que a compõem, mais audiência terão. No melhor estilo dos programas verspertinos de nossa televisão.

O site da revista Time, da rede norte-americana CNN, publicou uma destas listas imbecis. "Os 50 Piores Carros de Todos os Tempos" é o nome. Um verdadeiro lixo, material descartável feito com a única intenção de semear a discórdia.

Para se ter uma idéia do nível de polêmica que os jornaleiros quiseram criar, consta nesta tal lista automóveis de grande valor histórico como o Ford T, Chrysler Airflow, Renault Dauphine, Lotus Elite, MGA Twin Cam, Chrysler Imperial Le Baron, Jaguar E-Type série III e o Triumph TR7. Apenas alguns exemplos.

Para quem quiser ver a lista completa, clique aqui. Recomendo visitar uma só vez, para não dar ibope a este bando de pulhas sensacionalistas. Nota ZERO para a CNN.

quarta-feira, 26 de março de 2008

Alfa GTA e Ferrari F40, no dinamômetro.

Pode ser que a ordem de ignição dos dois motores siga lógicas similares. Ou é simplesmente o sotaque italiano dos coletores e tubos de escape destes dois carros históricos.

Desconte as difereças de volume (até pelo posicionamento da câmera) e os RPM atingidos, seguramente ao menos 2000 giros a mais para o V8 da Ferrari. Você verá que há alguma coisa em comum quando estes dois monstrinhos resolvem berrar pra valer.

Update: para quem se perguntar se por acaso ainda temos exemplares da GTA no Brasil, recomendo uma passadinha no Saloma do Blog, e descer um pouquinho a página. O dono, Emílio Zambello, não somente correu com esta maravilha na época (pré-proibição dos automóveis importados de competição, que se deu em meados dos anos 70), como a possui até hoje. E eu, no auge da minha ingenuidade, achei tratar-se de uma réplica da original, tal como a carretera de Breno Fornari (descanse em paz)...



Alfa Romeo Giulia versus Lotus Cortina... na CHUVA !!!


Segure-se onde puder, pois a aderência oferecida pelo asfalto encharcado é mínima, e a tração traseira mais o entre-eixos curtos da Alfa Romeo Giulia Sprint 1600 resultam em um carrinho bem temperamental na chuva. Se o leitor não conhecia a expressão "cubo de gelo sobre a pia de mármore", agora conhece.

Não bastando o desafio que o próprio Alfa fornece ao piloto, este é obrigado a forçar ao limite para superar o seu rival na categoria, nada menos que um lendário Lotus Cortina (leia uma excelente matéria sobre este automóvel clicando aqui). Tudo isso passando a centímetros de distância de outras máquinas como Porsches 911 e um Mini Cooper - cuja tração dianteira representa uma clara vantagem no piso molhado.

O duelo ocorreu há cerca de um ano, em um evento de automobilismo clássico, no autódromo de Assen (Holanda). Vale a pena assistir até o final, para se divertir com a vibração "genuinamente" italiana do alfisti ao final da corrida.

Por quê as aspas? O piloto se chama Perry Rinjbeek.

Mais uma recomendação de leitura...!


Os mais atentos vão perceber que um link entrou hoje na lista de "sites recomendados". É a coluna Veneno, de Arnaldo Keller, um verdadeiro apaixonado por veículos antigos, e que tem muita história e conhecimento para compartilhar.

O bacana dessa coluna é que não tem um assunto fixo. O papo varia entre automobilismo atual, antigo, carros modernos, clássicos europeus, norte-americanos, brasileiros, enfim. Cada semana é uma surpresa. Eu leio essa coluna há muito tempo, é um crime eu não tê-la colocado na lista antes.

Vale a pena também descer pela página e pescar alguns dos textos antigos. No meio dessas, você encontra Subaru Impreza, Cobra de 1200 cavalos, Ford GT40, Mustang dos anos 60, Malibu, Fuscas, Opalas, lições de Piero Taruffi... olha, é coisa pracaramba.

Fica a dica! Ah sim, a foto acima foi retirada do site Best Cars Web Site, cujo link está na lista também.

terça-feira, 25 de março de 2008

O Homem de Titânio...


Já revi este vídeo aproximadamente dez vezes, e ainda não consigo acreditar no que vejo. A cena se passa na Grécia, e aparentemente foi captada por câmeras de vigilância.

A mulher no hatch verde fura o sinal vermelho, e acaba atingindo em cheio uma motocicleta que seguia na perpendicular. A moto é completamente destruída, seu condutor estava sem capacete e atinge o rosto no pára-brisas. O barulho das derrapagens e do impacto são impressionantes.

Mas nada disso é páreo para o Homem de Titânio. Ele aterrissa suavemente nos próprios pés após o atropelamento, aos gritos dá uma lição de moral para a infratora, e pede para os motoristas próximos que testemunhem a ocorrência. Tudo com uma naturalidade típica de um ser humano dotado de um corpo indestrutível. Ou de um ser humano que ainda não se deu conta de que acabou de vivenciar um milagre.

Rodada do Felipe Massa na Malásia...

Para quem ainda não viu, clique aqui para assistir (abre em uma nova janela).

Aos 50 segundos há o replay com câmera on-board. A explicação oficial da Ferrari é de que houve um "desequilíbrio aerodinâmico" causado pela forma como Massa atacou a zebra do ponto de tangência imediatamente anterior ao da rodada.

Honestamente, para mim não cola. Felipe Massa rodou exatamente no ponto de reaceleração da curva, e é possível notar que o giro do bólido sobe bem rápido no último instante antes da perda de controle.

Claro, não dá para ser 100% conclusivo se essa subida de giro agiu como causa ou foi conseqüência, mas o fato do incidente ter ocorrido exatamente no ponto de reaceleração torna grande a possibilidade de se tratar de um simples erro no pé direito do piloto. Nesse caso, Felipe teria buscado aceleração total de maneira pouco progressiva e antes da hora.

Outra coisa que depõe contra Massa é a observação do Blog do Capelli: o trecho onde o piloto rodou é exatamente aquele onde ele mais perdia tempo por volta em relação a Kimi Raikkonen. Talvez tudo tenha ocorrido por uma precipitação, um desejo de extrair mais desempenho do monoposto naquela parte do circuito.

Sem comentários...

Causos do Marazzi...


Há alguns dias, o amigo Mário Buzian me mandou este trecho de um depoimento pra lá de interessante (para não dizer hilariante) sobre o grande piloto, engenheiro e jornalista Expedito Marazzi. Foi escrito por Mário Souto Mayor, e está disponível no site criado pelo filho do mestre, Gabriel Marazzi.

Para quem gosta de carros antigos e de dar risada, é um prato cheio.


" (...) O Marazzi sempre fazia destas coisas para divertir a gente e a ele mesmo. Tinha uma alma e um coração de criança. Ele era calmo, mas com um gênio que explodia de uma hora para outra; ele ficava extremamente nervoso, principalmente no trânsito. O que mais me impressionava nele, era a extrema facilidade com que ele controlava os carros nas situações mais adversas.

Uma história engraçada, mas nem um pouco recomendada, aconteceu numa noite em que ele e eu fomos até o posto de gasolina que ele possuía na Av. Heitor Penteado. O posto já estava fechado, fechava cedo na época, apenas o gerente estava lá para conferir o caixa com Expedito. Nós estávamos no Dodge Dart preto que ele tinha, paramos no sinal da Av. Cerro Corá com a Av. Heitor Penteado, já era tarde e as ruas estavam vazias.

Atrás do nosso carro, um "fusquinha de boy" parou e segundos depois disparou uma buzina daquelas de repartir cabelo na nuca. Expedito olhou pelo retrovisor somente levantando o canto do olho e permaneceu quieto, aparentemente sem se alterar. Mais alguns segundos, e nova buzina, desta vez um pouco mais longa.

Expedito nem olhou desta vez, o sinal ficou amarelo e ele engatou a primeira. Quando o sinal ficou verde, e o fusquinha buzinou pela terceira vez, eu só senti o Dodge rodar sobre o eixo dianteiro num cavalo de pau de 180 graus e ir de encontro ao fusquinha, que nesse momento já tinha um motorista de olhos arregalados e um coração pendurado na boca. A frente do Dodge parou a uns 10 centímetros do pará-choques do fusca, com o giro muito alto e as rodas traseiras girando em falso e fazendo uma fumaça muito grande, porém, o carro não mexia um milímetro para frente, Marazzi enfiou a mão na buzina, colocou a cabeça para fora e começou a gritar "Buzina eu também tenho, buzina eu também tenho palhaço...", o rapaz do fusca estava estático.

De repente o Dodge saiu em marcha a ré, e, com outro cavalo de pau desta vez jogando a frente, virou e entrou na Av. Heitor Penteado em alta velocidade, entramos pelo posto e novamente outro magnífico cavalo de pau de 360 graus e duas voltas, parando quase que estacionado, Expedito somente engatou a ré e ajeitou melhor o carro, eu quieto estava, quieto fiquei, ele saiu batendo a porta e foi ter com o gerente do posto que também estava paralisado com as rodadas do Dodge.

Cinco minutos depois ele volta, sorrindo e comentando "Viu que sujeito mais idiota ?", eu apenas balancei a cabeça concordando e tentando colocar o coração no batimento normal. "


Que história mais maluca, não? Em comum com o Marazzi, eu tenho o Dodge Dart preto (sim, é o carro da fotografia), o interesse pelo conhecimento técnico dos automóveis, e a paixão pelo automobilismo. De resto, sou apenas um milésimo do que o Marazzi representa para o jornalismo automotivo de nosso país. A herança de Expedito é ainda viva, e permeia muitas das linhas que lemos na imprensa atualmente, ainda que seus autores talvez não saibam disso.

Dois crimes hediondos. E dois proprietários orgulhosos.

Pobres automóveis. Cada vez mais estão sendo usados de suporte para a vulgaridade de donos com muitas idéias e nenhum bom gosto. Não bastando a ação dos proprietários, programas e quadros de televisão como o Overhaulin' e o Lata Velha mitificam este tipo de modificação como o ápice da exclusividade, estimulando ainda mais este tipo de "crime".

O que temos abaixo são dois crimes mortais, representados em dois pólos opostos, mas igualmente catastróficos. O primeiro vídeo mostra um Dodge Charger R/T, cuja estrutura foi encurtada em cerca de quarenta centímetros. Todo o acabamento do carro, externo e interno, foi "tunado" de alguma maneira, sempre infeliz. No segundo, temos uma Ferrari 360 Modena, transformada em uma limousine - tipo de carro que já é uma aberração por si só. Agora, imagine uma dotada de portas asa-de-gaivota com quase dois metros de comprimento. Pois é...

O fabricante italiano clama o direito de proibir o proprietário da limousine de utilizar o cavallino rampante, ou qualquer outro logo relacionado à Ferrari no veículo. A Chrysler Corporation devia fazer o mesmo com o dono do Charger, pois este monstro se transformou em tudo, menos em um Dodge.




sábado, 22 de março de 2008

Fórmula 1. O novo perigo: final da qualificação.

Muitos já sabem que Lewis Hamilton e Heikki Kovalainen foram punidos com o recuo de cinco posições após a classificação do GP da Malásia. O motivo: como todos ao final da sessão, estavam se locomovendo a uma velocidade baixíssima (em torno de 40 km/h) para economizar o combustível de largada, de maneira que acabaram atrapalhando os pilotos Fernando Alonso e Nick Heidfeld – os dois conseguiram passar pela linha de chegada antes do prazo de encerramento, e tiveram o direito a mais uma volta rápida.

Ambos fizeram desvios em alta velocidade para evitar atingir os bólidos da McLaren, perdendo o mínimo de tempo. E esta combinação de necessidades opostas, o mais lento possível versus o mais rápido possível, é a simplesmente a situação mais perigosa que pode acontecer, seja em um autódromo, estrada, ou no trânsito da cidade.

A FIA criou um perigo iminente a cada final de qualificação. Como vimos nesta madrugada, aqueles que passam pela linha de chegada após o encerramento da sessão andam devagar demais para economizar combustível, ao ponto dos pilotos que passaram antes do final dos treinos conseguirem alcançar estes vagarosos bólidos no terço final da volta.

Se nada for feito em prol da segurança, será apenas uma questão de tempo para que um grave acidente ocorra. Basta um destes bólidos lentos se distrair, por exemplo estando em um grupo, invadir a trajetória utilizada pelos carros em velocidade, e um piloto concentrado na volta lançada não visualizar ou não conseguir desviar de uma "tartaruga" se locomovendo a 40 quilômetros por hora.



Update: como foi bem lembrado pelo Thiago (sem sobrenome), da comunidade "Fórmula 1 Brasil" no Orkut, acidente em circunstâncias similares vitimou um dos maiores ídolos da Ferrari, Gilles Villeneuve. Com o agravante do carro lento não estar em velocidade tão baixas como as das Mclarens de hoje.


quinta-feira, 20 de março de 2008

Novidade no Mulsanne.com.br !! Matéria técnica sobre a Fórmula 1 atual !


"Os bólidos intolerantes da Fórmula 1 contemporânea:
como as restrições da FISA/FIA a partir de 1993 favoreceram o desenvolvimento aerodinâmico em detrimento à aderência de origem mecânica. E como isso afetou negativamente as disputas."

Acima estão o título e o subtítulo da matéria. Na verdade é uma série, que irei publicar em três ou quatro capítulos. Está no ar a primeira parte, a introdução. Honestamente, é uma leitura que recomendo.

Clique aqui para acessar o site! O link para a matéria está na primeira página.

quarta-feira, 19 de março de 2008

OFF-Topic: o pior cantor do mundo !


É raro vermos assuntos off-topic neste blog. Mas este merece. Perca um minuto da sua vida para conhecer o pior vocalista da história da humanidade, mestre da técnica do bocejo vocal. A reação dos jurados não poderia ser diferente.

Let my p-pleee goooooooooo....

Foto(s) do dia...!


Incrível o fotográfo que registrou este Bizzarrini P538 Barchetta, um dos carros mais belos e raros do mundo - dica do velho amigo Marcelo Monteiro!

Apenas três unidades desta versão foram produzidas, e este exemplar, o Chassi 001, é o único que foi equipado originalmente com o motor do Lamborghini Miura: V12 de 3,9 litros e 420 cavalos - suficiente para levar o bólido a quase 300 quilômetros por hora. Curiosamente, o propulsor foi instalado na posição longitudinal, e não transversal como no Miura. A carroceria, de fibra de vidro e alumínio esculpida à mão, garantia um peso baixo de exatamente 1188,4 quilos.

Na época, este exemplar sofreu um grave acidente durante testes que danificou bastante o bólido. Após muitos anos, o carro foi restaurado por um entusiasta, que instalou um motor Chevy 327 com quatro carburadores Weber 45 DCOE e câmbio ZF de cinco marchas, configuração original de quase todos os outros Bizzarrini.

Clique na fotografia para ampliar !

2ª edição da Subida da Montanha do Rio Grande do Sul !


Foi um grande sucesso o evento, renomeado para "Prova Breno Fornari", em homenagem póstuma ao lendário piloto gaúcho, vencedor de três edições das Mil Milhas Brasileiras!

Aproximadamente cinqüenta carros, divididos em oito categorias, mandaram brasa montanha acima nas serras do litoral gaúcho. Conforme divulgado no Blig do Gomes, o vencedor foi, pasmem, um Fiat 147, de Rogério Franz. Seu tempo foi 2:51.785, média de 81,730 km/h. O carrinho era um dos únicos participantes da categoria G, cuja preparação era livre.

Veja a listagem das categorias abaixo:

CAT. A - até 1300cc
CAT. B - 1301 cc à 1600cc
CAT. C - 1601cc à 2000cc
CAT. D - 2001cc à 2800cc
CAT. E - esportivos modernos/ 4 e 6 cilindros
CAT. F - carros c/ motor V8
CAT. G - carros de competição/ preparação livre
CAT. ESPECIAL - HOMENAGEM A BRENO FORNARI

E não perca o vídeo acima: pegue uma carona na Alfa 155 de Renato Cunha do clube Alfa Romeo BR, que fez o tempo de 3:25.047 e média horária de 68,472km/h!

GTFM Edição 02: um podcast sobre automóveis e automobilismo!



Já está disponível a segunda edição do GTFM, que está cada vez melhor!

Desta vez, tal como na primeira, o programa reuniu os seguintes participantes: Vitor Matsubara (blog e site
Motorhaus), Renato Bellote (blog Na Garagem), e eu, Juliano Barata (blog e site Mulsanne).

Assuntos desta edição: Fórmula 1 2008 - corrida da Austrália, fim do controle de tração, prognósticos e análises de pilotos e equipes; e uma discussão a respeito da pesquisa realizada pelo instituto Pró-Teste, que apontou os fabricantes eleitos como os mais confiáveis e recomendáveis pelos brasileiros: por quê os automóveis japoneses estão na ponta, não somente no Brasil, como em boa parte do mundo?

terça-feira, 18 de março de 2008

Semáforo dos boxes: breve reflexão.


Com a punição a Rubens Barrichello (Honda) por ter saído dos boxes quando o semáforo vermelho estava aceso no último G.P. da Austrália, um debate acerca deste equipamento voltou a tomar vida. Esta discussão teve larga repercussão desde a corrida do Canadá de 2007, quando Felipe Massa e Giancarlo Fisichella foram desclassificados pelo mesmo motivo.

O fato é o seguinte: o papel do sinal não é ser uma armadilha para punir pilotos, e sim um equipamento de segurança preventivo.

Se há certa regularidade na ocorrência dos pilotos passarem direto pelo semáforo e alegarem que não o viram, vale a pena pararmos de crucificar os pilotos que cometeram a infração. Afinal, acima da punição, está o motivo pelo qual ela existe: a segurança em pista.

Talvez seja a hora da FIA pensar em alternativas mais evidentes de sinalização que impeçam o carro de sair dos boxes naquele momento, nem que se apele a um bandeirinha no final do pitlane.

Muitos questionam a concentração dos pilotos que não visualizaram o semáforo, mas vale a pena mencionar a circunstância na qual eles se encontram: acima da adrenalina e o desespero de desligar o limitador de velocidade, os pilotos estão focados do outro lado da mureta, pensando sobre atrás (ou na frente) de quem eles conseguirão sair, e como o carro estará se comportando com os pneus frios para realizar um possível ataque ou defesa.

É uma situação de extrema pressão e expectativa. Nesse contexto, um sinal de luz, localizado em uma mureta logo após uma infinidade de pessoas, painéis e monitores; torna-se diminuto, por maior que seja.

É direito do público e da imprensa criticar os pilotos que não visualizaram o semáforo, mas vale a pena a própria FIA refletir sobre o por quê a punição existir e ser tão rigorosa; e quem sabe encontrar outras alternativas de sinalização. Trata-se de uma questão de segurança.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Foto do dia...


A foto de hoje é minha. Foi há algumas semanas, no autódromo de Interlagos: prova da Porsche GT3 Cup Challenge Brasil. Aquele ronco maravilhoso e as reduções de marcha bem rápidas e típicas de câmbio seqüenciais.

Temos aí o piloto Henry Visconde, mandando brasa no "S" do Senna, entre as duas pernas da variante. Pois é, na verdade é uma baita descida. Mas nada como um jogo de ângulo pra deixar todo mundo louco...

Clique na imagem para ampliar!

Porsche 908K no dinamômetro...


Não se trata de uma réplica. Este é um exemplar original, chassi número 10, pilotado por ninguém menos que Vic Elford nos 1000 quilômetros de Spa de 1968; sendo preparado agora para um evento em Daytona. Preste atenção na maravilha deste ronco: 8 cilindros, três litros e aproximadamente 350 cavalos.

É de perder a cabeça.

domingo, 16 de março de 2008

A cena que ninguém viu...

A FOM transmitiu a vibração e a felicidade de Ron Dennis quando Kovalainen ultrapassou Alonso. Segundos depois, inexplicavelmente Alonso repassou facilmente o finlandês, que perdeu desempenho em plena reta.

Infelizmente as câmeras não captaram (ou não transmitiram) a mudança de humor de Dennis neste segundo momento. Teria sido pra lá de engraçado, indepentemente de quem goste ou não do inglês.

Fórmula 1: GP da Austrália em pitacos...

  • Fim do controle de tração: melhorou muito a emoção das corridas. Quase impossível de se ver uma volta realizada sem pequenos erros, embora não devemos nos empolgar demais. As escorregadas e atravessadas que vimos durante todo o final de semana são em grande parte atribuídas ao asfalto pouco abrasivo e muita sujeira na pista. Não devemos vê-las com tanta freqüência ao longo da temporada. Também tivemos uma pequena amostra de que o seu fim pode dificultar ultrapassagens em certas circunstâncias, mas de maneira geral o saldo é muito positivo.

  • Não entendeu? Bueno, a dificuldade dos Fórmula 1 de 2008 será o assunto da próxima matéria a ser publicada no Mulsanne.com.br , não perca! Em breve...

  • Felipe Massa (Ferrari): errou sozinho na primeira curva. Estava do lado errado da curva, reacelerou cedo e com muita vontade, sujeira na pista, pneus frios (lembram-se deste post? Menor área de contato com o solo porque a temperatura não fez a pressão aumentar ao ponto ideal) destracionou, rodou como principiante.

  • Talvez mais principiante ainda tenha sido a atitude de Coulthard (Red Bull Racing) ao fechar a porta para Massa em uma condição impossível, causando o acidente. Disputando posição, é verdade. Mas nem de longe teve a finesse esportiva de Rubens Barrichello (Honda), que defendeu-se de Kimi Raikkonen (Ferrari) por quase vinte voltas como um campeão mundial. Pilotagem extremamente limpa e suave, evitando zebras, linhas de tangência defensivas sem ser anti-ético. Maravilhoso. Quando notou que Raikkonen veio muito mais rápido do primeiro "S" do circuito, dificultou mas não impediu. Grande esportista.

  • Barrichello comeu o pão que o diabo amassou por outro lado, pois sua equipe não o preveniu de entrar nos boxes quando estes estavam fechados (safety car), muito menos o alertaram do sinal vermelho na saída do pitlane - o que acabou o desclassificando da sexta colocação conquistada na corrida. Há quem responsabilize o piloto por este tipo de erro, mas igual ou pior é a distração da equipe. Isso sem contar a trapalhada do homem do pirulito (Stop), que o levantou antes da hora e quase causou um desastre...

  • Raikkonen teve azar, sorte, e muitos erros bobos neste final de semana. Primeiro, passa reto ao atrasar demais a frenagem no ataque à Kovalainen (McLaren). Depois, bota uma das rodas na grama durante a frenagem, rodando de maneira espetacular. Duas vezes na mesma curva, a número 3.

  • Talvez a Ferrari esteja com problemas de arrefecimento em seu motor, pois não somente Massa e Raikkonen abandonaram com o propulsor cuspindo óleo: Sebastien Bourdais (Toro Rosso, motor Ferrari) também ficou pelo caminho, quando se defendia magistralmente de Alonso (Renault) e Kovalainen no final da prova...

  • Que som terrível captado pelas câmeras no acidente de Timo Glock (Toyota). Barulhos de impactos, derrapagens, trouxe péssimas lembranças de acidentes terríveis do passado; como o de Kubica, no Canadá (2007).

  • O pódium: Heidfeld (BMW) e Rosberg (Williams), apesar de velozes e seguros durante a prova, não devem ser considerados como ameaça às duas maiores equipes. As circunstâncias de erros e azar da Ferrari nesta prova permitiram o bom resultado dos pilotos alemães.

  • A BMW já provou que, em termos de velocidade em volta lançada, está cada vez mais próxima da Ferrari e McLaren. Resta agora desenvolver o conjunto para que este seja mais estável ao longo de uma corrida, pois Kubica já comentou que o modelo de 2008 da equipe é bastante temperamental.

  • Estréia de Nelsinho Piquet. Um fiasco. Vamos ver nas próximas corridas.

  • Para ver os resultados completos, clique aqui !

quinta-feira, 13 de março de 2008

DUPLA novidade no Mulsanne.com.br ! Imperdível !



É isso mesmo amigos! Não percam a cobertura da 2ª etapa da Históricos V8 5000, vencida por Renato Hiluey, muito menos a matéria com esta bela berlina Alfa Giulia 1300/1600 1972, um pequeno puro-sangue equilibradíssimo.

Basta clicar aqui para acessar o site Mulsanne. Os links encontram-se logo na primeira página, bem visíveis. Moleza!

Macaquice S.A.


Motorista acéfalo e dono de uma Ferrari F355, faz um burnout em uma estrada que parece ser a entrada de algum evento automobilístico. Após perder o controle do carro, atinge um Seat Ibiza que está entre um Shelby Cobra e um Lotus Seven, e foge. Muito legal o cara.

Shelby Cobra 289 (original) em Watkins Glen...


Que tal dar uma voltinha no lendário circuito norte-americano de Watkins Glen (onde Emerson Fittipaldi conquistou sua primeira vitória) a bordo de um Shelby Cobra 289 autêntico? Preste atenção na beleza do ronco deste propulsor, como ele soa rouco e bruto como todo V8 de litragem grande, mas ao mesmo tempo soa liso e afinado. Eu diria que o bicho está girando na casa dos 7000 giros.

Em companhia ao Cobra, temos um Mustang 1965 azul, um Camaro 1969 vermelho, e um Corvette Stingray conversível azul. Pegue o babador, e mande bala!

Alfa Romeo 164, escapamento direto...



Atenção cardíacos! O vídeo do link abaixo pode ser emocionante ao ponto de ser perigoso à saúde.

Trata-se de uma Alfa 164 dando algumas aceleradas. Tudo normal, exceto o fato de seu escapamento ter dispensado os silenciosos. Na verdade, ao que parece, o escapamento está terminando nos coletores. Acredite ou não, o ronco deste V6 3.0 24 válvulas ficou parecido com um protótipo de competições dos anos 50 ou 60.

Clique aqui para abrir o vídeo em uma nova janela.

Inacreditável...

Esta notícia dada pelo Portal Globo (G1) é o que eu chamaria de "coincidência cósmica" ou "cara de pau extrema":


"O empresário Gabriel Pacheco dos Santos comprou, com nota fiscal, um carro novo em setembro do ano passado. Desde então, ele recebeu seis multas por excesso de velocidade. Uma delas foi emitida no estado do Rio de Janeiro, na data em que estava com a mulher em um hospital em Belo Horizonte para o nascimento do filho. Foi então que ele desconfiou que o carro tinha sido clonado.

A dúvida acabou quando Gabriel recebeu um telefonema do cunhado relatando que ele acabara de ver o carro clonado e que iria segui-lo. Meia hora depois, Gabriel recebeu uma nova ligação. "O carro tá na sua garagem", informa o cunhado. Ele mal podia acreditar que o veículo estava na garagem de baixo.

O carro clonado estava no mesmo condomínio em que Gabriel mora. Na verdade, o veículo estava na garagem da vizinha.
"


Veja o resto da notícia clicando aqui. No link, você encontra um vídeo também.

quarta-feira, 12 de março de 2008

A Frase do dia...

"Os moto-boys se acham uns craques, mas não são, não. Somos nós que somos os craques, porque nós é que fazemos de tudo para evitar que se machuquem, por mais que tentem."

É um pequeno trecho da coluna Veneno, de Arnaldo Keller. O título desta semana é "Trânsito paulistano, estresse e motos". Vale muito a pena.

terça-feira, 11 de março de 2008

Distribuição de freios: recurso ou remendo? Depende!

Belo Camaro, saindo de traseira na entrada de uma curva! Milagre? Não.
Dentre várias possibilidades, sugiro as três principais: barra estabilizadora traseira proporcionalmente
mais espessa que a dianteira, regulagem de descompressão dos amortecedores traseiros mais rígida
(que também reduz o mergulho do nariz nas frenagens e torna o carro mais imprevisível nestas horas),
ou a clássica distribuição de freios privilegiando potência de frenagem nas rodas de trás. Já andou de bike?



A maioria esmagadora dos automóveis de competição com motores dianteiros sofre de um pequeno problema de comportamento dinâmico nas entradas de curva, trecho que antecede o ponto de tangência: saem de frente. Nas variantes lentas então, que tem raio menor (são mais fechadas), praticamente todos os bólidos apresentam este problema.

A inércia fala alto, o eixo que está carregando o motor quer continuar a direção que vinha seguindo durante a reta. O carro teima "preguiçosamente" em seguir a trajetória do esterçamento, e acaba exigindo um pouco de convencimento do piloto no braço: este normalmente atrasa um átimo a virada para o ponto de tangência, para esterçar o volante num súbito, mas pequeno e calculado "tranco", provocando intencionalmente um desequilíbrio que faz os pneus traseiros escorregarem um pouco, neutralizando o sub-esterço.

Um piloto talentoso nem percebe que faz isso. É algo instintivo, a interação entre a máquina e o seu corpo está num grau de resposta que ultrapassa a racionalização - que cobraria preciosos décimos de segundo.

Mas um super-piloto, exemplo mais recente Michael Schumacher, tem uma relação ainda mais intrincada. Seu corpo age e reage sobre o automóvel de maneira instantânea, mas seu cérebro simultaneamente analisa as circunstâncias de pista e de equipamento. Em pouquíssimas voltas, o piloto alemão não somente sabe em quais curvas o bólido apresenta comportamento sub ou sobre-esterçante (saída de frente ou traseira), mas também já adapta o estilo de pilotagem e as regulagens de distribuição de freio e diferencial para estas variantes; suprindo o quão possível, ainda de dentro do cockpit (ou seja, sem retornar aos boxes), os problemas de comportamento dinâmico nestes trechos.

Voltando ao planeta Terra e ao assunto deste post, o chamado "bias" dos freios (distribuição de potência dos freios entre os eixos dianteiro e traseiro), é uma ferramenta útil, mas não ideal, para equilibrar o comportamento de um automóvel nas entradas de curva, essencialmente em três circunstâncias:

1) Mudanças dinâmicas. Exemplo: mudança de temperatura do asfalto, chuva, desgaste dos pneus, consumo de combustível (quando o tanque não está posicionado sobre o centro de gravidade).
2) Falta de grana ou restrição de regulamento, que impedem múltiplas escolhas de molas, amortecedores e barras estabilizadoras.
3) Quando nenhum raio de alteração nas regulagens de suspensão deu certo para resolver o problema de sub-esterço nas entradas de curva. É o famoso "remendo".

Os carros de competição mais sofisticados possuem esta regulagem dentro do cockpit, acessível ao piloto. Outros, somente retornando aos boxes e dizendo aos mecânicos "joga um pouco mais de freio pra trás!".

Por outro lado, se o mecânico for impaciente ou leigo, e jogar potência demais aos freios de trás, normalmente o carro não volta aos boxes, ficando de férias em algum muro após uma rodada espetacular.


Continuo essa viagem na maionese em breve, aprofundando os números 1, 2 e 3...

GTFM: um podcast sobre automóveis e automobilismo!


Esse é um projeto muito bacana! "Podcast" é um programa de áudio, uma espécie de mesa redonda onde são debatidos diversos assuntos, no nosso caso, automóveis (modernos e antigos) e automobilismo.

O GTFM reúne os seguintes participantes: Vitor Matsubara (blog e site Motorhaus), Renato Bellote (blog Na Garagem), Guilherme Lopes (site Auto Diário) e eu, Juliano Barata (blog e site Mulsanne). O Guilherme esteve ausente nesta edição, mas estará presente na próxima.

Para ouvir, é muito simples. Você não precisa baixar nenhum arquivo, e por ser em áudio streaming, você pode escutar o podcast enquanto faz outras coisas no computador. Vale a pena dar uma conferida!

Assuntos desta edição: questões relativas ao sucesso dos automóveis importados, a compra da VW pela Porsche e os 40 anos de Porsche no Brasil. Muitos outros temas são debatidos no decorrer da conversa, mas estes são os principais.



! Clique aqui para acessar o Podcast !
(na seqüência, aperte o botão cinza "play" para ouvir.)

Domingo tem Subida da Montanha!!!!

É com muita felicidade que divulgo a seguinte notícia: o morro da Borússia, em Osório (RS), vai sediar neste Domingo (16) a segunda edição de sua prova de subida de montanha. A competição foi renomeada para "Prova Breno Fornari", em homenagem ao lendário piloto gaúcho, vencedor de três edições das Mil Milhas Brasileiras, incluindo a primeira, em 1956.

Fornari faleceu em agosto do ano passado aos 82 anos, mas chegou a participar como convidado especial da 1ª edição da subida do morro da Borússia, à bordo de sua carretera Ford número 35.

O trajeto desta subida de montanha é muito bacana, coisa especial, bem diferente. Serão cerca de 50 carros divididos em oito categorias. Eu mantenho os meus comentários, feitos há quase um ano:

"O desenho do percurso é bastante longilíneo - o que na prática representa pelo menos três trechos sinuosos onde pode-se desenvolver muita velocidade, além de pequenos trechos planos e até mesmo com descidas. Logo no início do percurso há um trecho muito bonito, onde passa-se numa reta a toda velocidade rodeado por casas..."


Como uma imagem vale mais do que mil palavras, pegue uma carona no Maverick do vídeo acima e descubra com calma os mistérios das curvas do morro da Borússia!

OBS: conforme o portal Litoralmania divulga, o evento conta com o apoio da Prefeitura Municipal de Osório, através da Secretaria de Desenvolvimento, Turismo, Cultura, Esporte e Lazer.

Ah, se aqui no Sudeste as coisas fossem assim... :(

domingo, 9 de março de 2008

Imperdível: entrevista com Chico Lameirão!


Recomendo muito a entrevista dada pelo lendário piloto a Sérgio Sultani, colaborador do site da FASP. Clique aqui para ler a entrevista!

Chico Lameirão, que pilotou para uma inifinidade das melhores equipes de turismo do Brasil como a Vemag e Hollywood, esteve ontem presente nos boxes do Autódromo de Interlagos, e até bateu um papo com um dos pilotos da categoria Históricos V8 5000, Renato Hiluey.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Foto do dia...

Clique na foto para ampliar.


Ford GT-40 1966, com um motor 427 no estilo dos modelos MKII. Difícil dizer alguma coisa a mais, porque neste exato instante eu estou em choque.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Porsche-Abarth Carrera GTL. Mosca prata de olhos azuis.


Com carroceria de alumínio esculpida à mão, tal como os melhores GTs da época, o raríssimo Porsche-Abarth Carrera GTL foi um sério competidor nas corridas mais importantes do automobilismo do final dos anos 50 e início dos 60. Le Mans, Targa Florio, Goodwood... diga o nome, e certamente o Porsche-Abarth esteve lá, disputando vitórias em sua categoria.

Ao seu comando, pilotos lendários como Jo Bonnier, Graham Hill e Stirling Moss pisaram fundo no acelerador, atingindo até 240 quilômetros por hora neste bólido, equipado com um motor 4 cilindros refrigerado a ar, de apenas 1,6 litro. O segredo estava na aerodinâmica e no baixo peso da carroceria, feita em Turim pela Abarth.

Inacreditavelmente, o exemplar das fotografias está à venda. Não é uma réplica, e sim um autêntico. Se você é milionário, e tem cultura para não gastar em carrões "pimp" modernos, mas sim em um automóvel ítalo-germânico importantíssimo, de uma das mais tradicionais marcas do mundo, ligue para +44 (0)20 7584 3503 e fale com a equipe Fiskens!

Um novo Corvette na área...


A moda retrô já nem precisa mais ser mencionada. Salvo raras exceções, faz parte do estilo e design de qualquer automóvel esportivo que se preze na atualidade.

O que vemos na fotografia acima é um projeto custom made, uma projeção de uma personalização de um Corvette Z06 que será fabricada pela empresa Ugur Sahin Design, da Holanda. Do carro original mesmo, só a suspensão e a estrutura, composta de materiais nobres, como magnésio e alumínio.

Além da carroceria inteiramente nova, levíssima e claramente inspirada nos Corvettes Stingray do final dos anos 60 e início dos 70, o Z03 da Ugur Sahin apresenta várias modificações mecânicas, incluindo pacotes de performance sobre o motor 427 (7 litros) original. A brincadeira começa em 500 cavalos e pode chegar até 750, incluindo um sistema de lubrificação dotado de cárter seco, tal como nos carros de corrida. Este sistema permite que o motor seja instalado mais baixo, garantindo um centro de gravidade mais próximo ao solo.

A meta é que 100 unidades sejam produzidas desta belezinha, a partir do final de 2008. Minha única ressalva fica para os faróis dianteiros. De resto, este carro é uma pérola do design independente.

domingo, 2 de março de 2008

Foto do dia...


A perfeita captura do espírito do automobilismo.
A essência.

Sir Stirling Moss, um Aston Martin, e o Goodwood Festival of Speed, em 2002.
Clique na foto para ampliar.