Foto: Robert Dalaudiere (clique para ampliar)Chevron B-16 1970, a pérola do designer Derek Bennett. Peso inferior a 600 quilos, estrutura monocoque mesclando tubos de aço com chapas de duraluminum, porção frontal da estrutura (sub-frame) removível, tal como nos Camaros da mesma época, motor Cosworth FVA de Fórmula 2 cursado para 1790cc. Quatro cilindros que rendem algo próximo a 300 cavalos.
Seu piloto mais representativo foi Brian Redman, que venceu no primeiro evento oficial do bólido, os 500KM de Nürburgring Nordschleife de 1969.
Muitos reclamavam do comportamento sub-esterçante do carro (saía de frente) em curvas, e dizem que isso foi sanado com o desenvolvimento das asas traseiras integradas que você vê na fotografia acima.
Agora, como se resolve um sub-esterço aumentando a aderência do eixo traseiro? Afinal, o sub-esterço é um sintoma de falta de aderência no eixo dianteiro! Nestas circunstâncias, uma asa traseira só pioraria o balanço do carro, não?
Segue o meu palpite. Provavelmente o carro era muito instável em altas velocidades, sofrendo de lifting, ou simplesmente sustentação aerodinâmica. De acordo com o design, alguns carros sofrem lift na porção dianteira (como o GT40), e outros sofrem no eixo traseiro - possivelmente o caso do B16. Para ajudar artificialmente, na base do improviso tosco e simples, a balancear um carro cujo eixo traseiro torna-se muito leve em alta velocidade, a suspensão pode ser calibrada mais rígida na dianteira (barras, molas ou amortecedores) para produzir um comportamento sub-esterçante que será compensado conforme a aderência da traseira vai baixando em velocidades maiores. O preço disso é que, em velocidades baixas o carro torna-se um monstro do sub-esterço, saindo muito de frente em toda e qualquer curva lenta.
Neste tipo de caso, a asa traseira, além de garantir estabilidade direcional em altas velocidades, tende a assegurar também que o comportamento dinâmico do bólido não sofrerá mutações dramáticas conforme sua velocidade aumenta. Ou seja, a suspensão pode ser calibrada pensando pura e simplesmente em sua eficácia máxima, sem ser sacrificada em regulagens para compensar defeitos crônicos.
Se você pensa que esse tipo de "remendo" é incomum, engana-se. Depois conto uma situação absolutamente típica do mundo da velocidade...
3 comentários:
Todos os Chevron foram carros bem construídos e bonitos. O Heve P6 chupou todo o design do B19 e seus desenvolvimentos: B-21, B-23.
(...após alguns dias de sumiço)
Pois é Caíque, se por um lado a proibição de carros de corrida importados acabou com os dias de Lolas, Alfas e GT40, por outro estimulou muita coisa bacana por aqui. Pena que alguns anos depois o governo proibiria corridas de longa duração, e aquele lance do álcool também, aí já em meados dos 80...
[]s
Explica melhor esse lance de corrigir saída de dianteira com asa na traseira...
Fiquei boiando...
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