
Ah meu deus, um palavrão. Ei, tire as crianças de sala, finja que nunca usou este termo para enfatizar mais que o mais de sempre, e escreva-me dando um corretivo sobre técnicas de jornalismo.
O senso-comum está viciado em criticar Rubens Barrichello. Impulso, associação automática, ele foi transformado em um ícone de um derrotado. Mas ninguém consegue explicar tecnicamente porque ele é "tão ruim". Ninguém consegue explicar como ele é um excelente acertador de carros, como aniquilou o ex-queridinho da Inglaterra Jenson Button (os bretões o trocaram por Hamilton) em 2008, como permaneceu dez voltas à frente de Kimi Raikkonen no GP da Austrália deste ano. Defendendo-se de ataques sucessivos em uma elegância poucas vezes vista na categoria. Pilotagem suave como seda, reacelerações limpas. A Ferrari do finlandês sambava nas saídas das curvas lentas. E o GP da Inglaterra? Será que alguém se lembra?
Querem outra? Muitos se lembram de Donington Park, 1993. A lição de Ayrton Senna na chuva, passou quatro na primeira volta. Incrível, não? Pois havia uma certa Jordan ali no meio, conduzida por um cara de capacete vermelho e branco: este pobre carrinho largou do décimo segundo posto, e terminou o primeiro giro em quarto. Barrichello deixou OITO para trás na primeira volta. Piloto que já andou na chuva sabe a loucura que é estar no pelotão do meio nestas condições. Iria pro pódium após andar muito tempo na segunda colocação, mas abandonou no caminho. Acabou a gasolina. O brasileiro não lembra. O brasileiro não quer saber.
Ah, mas o rubinho prometeu demais, e não cumpriu. Ele fala muita besteira. Ei, estamos discutindo o piloto ou a pessoa? Lewis Hamilton é menos piloto por lançar suas ocasionais "pérolas da humildade" à imprensa? São estes os argumentos que costumam entrar no apedrejamento em praça pública de Rubens. Poucas vezes ouvi "nesta corrida, nesta pista, ele não era veloz. Ele era, ou é, ruim de qualificação ou de corrida por este, este e aquele motivo".
Estou cada dia mais convencido de que estes argumentos não são sólidos o suficiente para entrarem em debate, pois são facilmente rebatidos. O mesmo não pode ser dito sobre Heikki Kovalainen, mas cuspir na grama de Barrichello parece mais interessante ao público brasileño, por algum motivo que não compreendo.
Sei que serei uma voz solitária neste post, e espero de antemão a represália. Poucos são os desta terra que compartilham tal ponto de vista. Ao meu lado, ao menos, conto com a opinião de Alain Prost, um zé-ninguém lá da França... também conhecido pela falta de apoio em sua terra natal. Enquanto espero o dia da merecida valorização de Rubens em seu próprio país chegar (e talvez nunca chegue), respiro aliviado ao lembrar que Stirling Moss não nasceu no Brasil. Pois ele teve o mesmo mal de Barrichello: compartilhou sua época com um super-gênio. Ao menos, os ingleses sabem valorizar o que é deles.
Bueno, ao tiozão da Fórmula 1 brilhou uma luz no fim do túnel. Foi convocado pela Honda para testar em Jerez entre os dias 9 e 11 de Dezembro. Não tenho muitas dúvidas que será o piloto mais veloz da equipe nos testes, e se não for, garanto que a diferença será insignificante. Sobre o Desafio das Estrelas, o que dizer? Nada. Não fez mais que a obrigação de um piloto muito veloz, competente, e com sede de vencer. Barrichello é um tremendo volante.
O senso-comum está viciado em criticar Rubens Barrichello. Impulso, associação automática, ele foi transformado em um ícone de um derrotado. Mas ninguém consegue explicar tecnicamente porque ele é "tão ruim". Ninguém consegue explicar como ele é um excelente acertador de carros, como aniquilou o ex-queridinho da Inglaterra Jenson Button (os bretões o trocaram por Hamilton) em 2008, como permaneceu dez voltas à frente de Kimi Raikkonen no GP da Austrália deste ano. Defendendo-se de ataques sucessivos em uma elegância poucas vezes vista na categoria. Pilotagem suave como seda, reacelerações limpas. A Ferrari do finlandês sambava nas saídas das curvas lentas. E o GP da Inglaterra? Será que alguém se lembra?
Querem outra? Muitos se lembram de Donington Park, 1993. A lição de Ayrton Senna na chuva, passou quatro na primeira volta. Incrível, não? Pois havia uma certa Jordan ali no meio, conduzida por um cara de capacete vermelho e branco: este pobre carrinho largou do décimo segundo posto, e terminou o primeiro giro em quarto. Barrichello deixou OITO para trás na primeira volta. Piloto que já andou na chuva sabe a loucura que é estar no pelotão do meio nestas condições. Iria pro pódium após andar muito tempo na segunda colocação, mas abandonou no caminho. Acabou a gasolina. O brasileiro não lembra. O brasileiro não quer saber.
Ah, mas o rubinho prometeu demais, e não cumpriu. Ele fala muita besteira. Ei, estamos discutindo o piloto ou a pessoa? Lewis Hamilton é menos piloto por lançar suas ocasionais "pérolas da humildade" à imprensa? São estes os argumentos que costumam entrar no apedrejamento em praça pública de Rubens. Poucas vezes ouvi "nesta corrida, nesta pista, ele não era veloz. Ele era, ou é, ruim de qualificação ou de corrida por este, este e aquele motivo".
Estou cada dia mais convencido de que estes argumentos não são sólidos o suficiente para entrarem em debate, pois são facilmente rebatidos. O mesmo não pode ser dito sobre Heikki Kovalainen, mas cuspir na grama de Barrichello parece mais interessante ao público brasileño, por algum motivo que não compreendo.
Sei que serei uma voz solitária neste post, e espero de antemão a represália. Poucos são os desta terra que compartilham tal ponto de vista. Ao meu lado, ao menos, conto com a opinião de Alain Prost, um zé-ninguém lá da França... também conhecido pela falta de apoio em sua terra natal. Enquanto espero o dia da merecida valorização de Rubens em seu próprio país chegar (e talvez nunca chegue), respiro aliviado ao lembrar que Stirling Moss não nasceu no Brasil. Pois ele teve o mesmo mal de Barrichello: compartilhou sua época com um super-gênio. Ao menos, os ingleses sabem valorizar o que é deles.
Bueno, ao tiozão da Fórmula 1 brilhou uma luz no fim do túnel. Foi convocado pela Honda para testar em Jerez entre os dias 9 e 11 de Dezembro. Não tenho muitas dúvidas que será o piloto mais veloz da equipe nos testes, e se não for, garanto que a diferença será insignificante. Sobre o Desafio das Estrelas, o que dizer? Nada. Não fez mais que a obrigação de um piloto muito veloz, competente, e com sede de vencer. Barrichello é um tremendo volante.
5 comentários:
É indiscutível a qualidade de Barrichello como piloto. Quem duvida disso não entende de automobilismo...contudo, ídolos não são feitos apenas de competência, mas também de carisma...e nesse ponto...aaaahhh nesse ponto o Rubinho é foda! Mas com outra conotação...
Certa vez um amigo, engenheiro automobilístico, contou-me uma piada: A secretária entra no escritório levando consigo uma pilha de currículos, põe à mesa do chefe e com voz suave fala “aqui está senhor”. O executivo nem se deu ao trabalho, pegou o primeiro da pilha e jogou os demais no lixo, “pode chamar esse, vou contrata-lo”. A secretária assustada diz “mas senhor, e os outros?” e a resposta é imediata: “detesto gente sem sorte”. É assim que eu defino o Rubens, um cara bom mas com o currículo no meio, ou seja, um cara sem sorte. Sim, sim, pegou a era Schumacher, aliás, por algumas vezes, mostrou como se guia um carro para o alemão, mas ele foi ofuscado ao extremo, pelo piloto e pela equipe. Andou antes e depois da Ferrari em equipes fracas, não pode brilhar constantemente, brilhava oportunamente. Nessa corrida bem lembrada pelo meu amigo Dodgeiro ele chegou a ficar em 4. Brigou com Eddie Jordan para ter em seu carro o cambio semi automático, as borboletinhas no volante, por causa “da suavidade das trocas de marchas que é importante na chuva”, palavras do próprio Rubens. Sim, sim, eu me lembro como se fosse ontem, e depois dizem que brasileiro não tem memória. Moss, um gênio, um cara que foi fiel demais às equipes inglesas, caso contrario teria sido um campeão, pode ser muito bem comparado ao Rubens. Ambos talentosos, rápidos, constantes mas... faltou sorte e sobrou “ses”: “se” tivesse ocorrido aquilo, “se” tivesse acontecido assim. Mas a história não é escrita por “ses”, é escrita por “foi”, “aconteceu”, “ocorreu”. Rubens deu um show nessas últimas semanas nas pistas de kart. Mostrou-se em plena forma. Torci muito por ele nas 2 baterias e torço para que a despedida dele da F1 não seja assim, dessa forma que pode ser, com a Honda agindo de uma maneira no mínimo deselegante.
Concordo. O cara é muito bom. Só que se perdeu com seu marketing pessoal aqui na terrinha. Posiciou mal sua marca. Uma pena.
Espero que continue na F1.
Mas, daqui uns 3, 4 anos, será legal tê-lo na Stock-Car, GT3, etc.
Ou, quem sabe, Le Mans,etc.
Grande piloto. Sua paralelo com Moss é bom, porém Moss estava em outro nível acima... e corria de qualquer coisa.
- Excelente post.
Sempre Torci pelo Rubinho, sempre achei ridiculo o que fazem com ele no Brasil, sempre defendo que ele pode num ter talvez o nível de Campeão mas sem duvidas corre com coração.
Algo difícil de se encontrar na blogosfera. Bom senso.
Mais que bom senso. Conhecimento. A recusa do status quo. Além de um texto fantástico. Não é a primeira vez que entro neste blog, mas é a primeira em que me sinto impelido a comentar.
Há duas ou três linhas com as quais não concordo, mas é um prazer e uma raridade encontrar textos assim nos blogs hoje em dia...
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