quinta-feira, 29 de março de 2007

Materiais Nobres não são para Pobres

Foto: Divulgação



Eu estava choramingando lá atrás porque o Hemi 426 pesa cerca de CEM quilos a mais em relação ao 340, e que por isso o apelido do motor era “elefante laranja”.

Esse post, conforme o prometido, é o Milagre Coscarque! A palavra mágica começa com “Alu” e termina com “minum”. Aplique a tal magia no coletor de admissão, cabeçotes, bomba d’água e bloco, que milagrosamente o elefante laranja perde uma massa inacreditável – em torno de 70 quilos. Esse é o primeiro milagre.

Nada disso é novo, só pra dar dois exemplos de 40 anos atrás, as Alfas e Ferraris já tinham cabeçote e bloco de uma liga de alumínio, e o maluco do Ed Donovan; que fez um Hemi 392 stroker com bloco de alumínio "na raça" (o cara manjava, trabalhava na Offenhauser), e fez o bloco ficar tão mais resistente que aguentava numa boa nitrometano como combustível - a bebiba do Diabo, creio eu.

O segundo milagre dos Hemi de alumínio, como veremos, é fazer o dinheiro da sua conta evaporar numa velocidade infinitamente maior que uma socialite na Daslu com o cartão do marido.

A Keith Black Engines tem uma infinidade de opções dentro das variantes de blocos sólidos (pra arrancada) ou com galerias d’água, como qualquer bloco. Embora o site deles não mencione preços, não resisti à tentação de abelhá-los e mandei um e-mail há alguns meses atrás!

O preço dos blocos (sem periféricos) Street Hemi e Wedge (no caso é o mesmo bloco, com furação diferente) é de US$5.245,00. Cinco mil dólares num bloco peladão!! Mas parece uma barganha se compararmos ao Hemi 426 com bloco e cabeçotes de alumínio que a Mopar vende, já montado e completo, a US$25.000,00!!!. Por outro lado, consideremos a mão-de-obra especializada para preparar e montar um Hemi do zero, e o preço absurdo das peças de um Hemi. Pois é, não é só no Brasil que existem oportunistas: Dodge deve soar como "sou rico, me roube!" aos ouvidos dos vendedores de peças ao redor do mundo.

OK. Completando o raciocínio dos preços, acho que só valeria a pena montar do zero para quem realmente quer customizar o perfil de todo o motor: comando, compressão, curso, admissão e carburação, etc. De maneira geral, os motores "crate" (novos na caixa) são ótimas opções - os caras da Mopar não seriam trouxas em fazer algo que não compensasse comprar.

Ôpa, mas peraí. Customizar um Hemi Keith Black, comprar um Hemi 540 Aluminum da Mopar? A conversa tá boa, mas tá pra lá de Marte. Voltemos à realidade do nosso país com presidente sem dedo. Trazer um brinquedinho desses pra cá, com nossa carga tributária light, sai pela base de 100 mil reais, grana suficiente pra comprar por aqui um belo dum Dodge Charger nacional, preparar o motor “até o rabo” e ainda sobrar gasolina pra vários anos! OK, considerando o preço da gasosa, para alguns anos. Ou alguns meses?? Dias??? Não deu...

Moral da História: portanto o milagre do Hemi com peso de small block existe, o problema é que tem preço.

PS: fiquei alguns dias sem atualizar, mas por uma boa causa. Em breve o site estará no ar - e quando estiver, comunicarei no blog, obviamente.

sábado, 24 de março de 2007

Pneus para Muscle Cars !!!

Fotomontagem: Juliano "Kowalski" Barata - site Mulsanne


Quem vê carros como os Hemi Cuda do post anterior eventualmente pode se perguntar: "esses pneus diagonais dos anos 60 são muito novos hein... aliás, novos demais!!".

Sem dúvida. E são novos mesmo!

Os sapatinhos de gala em questão são fabricados brand new nos EUA, utilizando a mesma técnica e processos empregados na época - com material mais sofisticado. Não custam barato, duram pouco (cerca de 15 mil quilômetros, segundo alguns proprietários), geram menos aderência que um bom radial atual, e tem aquela tendência horrível de seguir ranhuras e irregularidades da pista - parecem ter vontade própria. Por isso, dirigir com as duas mãos firmes no volante é obrigatório para os usuários destes pneus. Mas são sensacionais e absolutamente imbatíveis em termos estéticos para os carros de sua respectiva época.

Na linha superior, da esquerda para direita temos os pneus diagonais: Firestone Wide Oval Redline e Firestone Wide Oval RWL, vendidos somente pela Coker Tire; Goodyear Polyglas e Goodyear Polyglas Redline, vendidos somente pela Kelsey Tire; e GoodYear Speedway 350 (pneu do Mustang Shelby 67 e 68), vendido também e somente pela Kelsey Tire.

Na linha inferior, temos as alternativas radiais, para quem quer o visual "muscle" sem sacrificar o conforto, segurança e performance. Da esquerda para direita: DiamondBack Redline, BF Goodrich Redline, BF Goodrich Radial T/A RWL, GoodYear Eagle GT II RWL e Firestone Firehawk Indy 500 RWL.

Quer estes pneus? Eu também! Se vira. Além dos importadores de pneus não estarem nem aí para o mercado de carros antigos, preferindo muito mais o mercado tuning e de picapes, o Ibama impôs uma infinidade de barreiras que impedem um particular de trazer pneus para o Brasil. Seja por avião ou por navio. Conheço gente que conseguiu trazer, mas foi na base da roleta russa e quase perdeu os pneus (quase 1000 dólares de prejuízo).

Nosso país ainda tem muito o que aprender. Muito.

Cuda + 426 Hemi + original de fábrica = $$$

Foto: Ebay

Não é todo dia que aparece um 426 Hemi Cuda com motor de fábrica à venda. Muito menos preto (código TX9 – Tuxedo Black) com faixas foscas, combinação também original de plaqueta. E muito menos quando são dois: um 1971 com interior preto (o famoso "triple black") e outro 1970 com interior branco (o famoso "pinguim", risos)! E muito menos ainda quando ambos estão em condição Concours e pertencem ao mesmo dono (...filho da mãe!).

Somando o valor de mercado dos dois, chega-se em algo próximo a 1 milhão de dólares. Não acho que valham essa cifra absurda, mas há quem pague.

Uma coisa legal – e que vocês ainda me escutarão dizer muitas vezes – é a beleza dos pneus diagonais e a maneira que eles ficam estruturados, notem como quase não se achatam na região em contato com o chão; ao contrário dos pneus atuais. Outra coisa legal é o visual “clean” da lateral (sidewall), sem ranhuras, marcas ou frisos: somente o letrado branco numa superfície lisa; nada mais.

Sem dúvida, o nível de aderência e durabilidade é risível comparado aos pneus de hoje. Mas não é isso que está em questão. A estética deles é imbatível para esse tipo de carro.

Eu não sou um fã muito ardoroso do 426 Hemi que equiparam estes carros, por um único motivo, o motivo que justifica o apelido “Elefante Laranja”: este propulsor pesa exatamente CENTO E DEZ quilos a mais do que o motor 340 que equipava os Cuda AAR. Pense num carro de frente pesada.

É um motor para basicamente duas coisas: arrancadas e circuitos ovais do tipo Superspeedway. Mas felizmente, há uma alternativa muito feliz para se utilizar um 426 Hemi sem sofrer com o peso. Mágica? Em breve...

quarta-feira, 21 de março de 2007

...Soluções Engenhosas !

Foto: George Komaretho

O cofre desse Mustang 1969 de corrida merece dois títulos: "engenhosidade" e "aula de história". Até diria "não sei nem por onde começar" pra dar uma enfeitada, mas não. Vou começar.

A solução das barras é totalmente Trans-Am dos anos 70. Da idéia do Mustang Shelby, temos basicamente a barra transversal (Monte-Carlo) e uma versão tubular do reforço estrutural que liga as torres dos amortecedores à parede corta-fogo, só que também fazendo uma conexão com a barra Monte-Carlo, desenhando dessa forma um hexágono.

Tudo isso pra amarrar a estrutura, ajudando a manter a geometria da suspensão a mais estável possível, porque a inércia joga pesado com as longarinas ali na frente, e a suspensão tem que brigar é com o chão, e não com a torção da estrutura do carro!

Achou que acabou? Tá só começando. Olha a "câmara fria" de alumínio que o cara construiu pra isolar a admissão de ar do calor vindo do motor e do radiador, que coisa linda, coisa chique. A dobra pro distribuidor, a furação pras barras estruturais, tudo nos trinques. Não bastando isso, o cara fez um sistema "Praticamente-Ram-Air" que alimenta essa câmara com ar fresquinho, vindo de fora (veja as mangueiras), transformando-a numa espécie de Air Box. Me parece inclusive que o bocal dessas mangueiras tomou lugar dos faróis auxiliares. Muito interessante. Só fico na dúvida se em alta velocidade, não haveria muita turbulência dentro desse compartimento, que poderia atrapalhar a sucção de ar das Weber. Algum especialista de plantão?

Claro que a solução mais óbvia seria cortar o capô e fazer um scoop funcional Ram Air, mas creio que o regulamento não permitiria essa modificação. Além de ser um crime a um Mustang!

Deixei o melhor pro final. Motor Ford small block, ok. Todo brasileiro já viu Galaxie e Maverick V8 na rua. Mas 4 Weber 48 IDA... o caldo começa a engrossar... e onde será que estão espetados esses carburadores? Em breve vou dizer o que é que esse motor tem de mortífero e histórico.

"Nós temos Subida de Montanha, tchê !!!"


No domingo passado (dia 18) ocorreu no litoral norte do RS a primeira edição da "Subida da Montanha - Morro da Borússia"; como parte da programação do sesquicentenário aniversário do município de Osório. O evento contou com o apoio de toda a estrutura da prefeitura (bombeiros, polícia rodoviária, etc), além do suporte de autoclubes, dentre eles o Amigos do Galaxie e o Auto Union DKW Club do Brasil.

Quarenta e cinco carros (dentre antigos e novos) participaram, divididos em sete categorias. Dentre os participantes, pilotos vindos do Rio de Janeiro e de São Paulo. O percurso tem 3,7 quilômetros e é acessado pela BR 101.

Como toda subida de montanha, a estrada é estreita, há muitas curvas fechadas e exige-se muito torque do motor, mas este percurso do Morro da Borússia tem características interessantes se compararmos à prova do Pico do Jaraguá. O desenho do percurso é bastante longilíneo - o que na prática representa pelo menos três trechos sinuosos onde pode-se desenvolver muita velocidade, além de pequenos trechos planos e até mesmo com descidas. Logo no início do percurso há um trecho muito bonito, onde passa-se numa reta a toda velocidade rodeado por casas - lembrando a versão histórica de Spa-Francorchamps.

Veja este vídeo on-board de um belo Maverick 4 portas. O piloto não exige muito do carro, o que nos permite admirar a paisagem e analisar as curvas ;)

Dentre os pilotos a participar da Subida Montanha - Morro da Borússia, um convidado mais-que-VIP: Breno Fornari, a bordo de uma "réplica" (usa várias peças do modelo original) de sua Carretera Ford número 35, vencedora da primeira edição das Mil Milhas de Interlagos em 24/25 de Novembro de 1956. Outras duas vitórias viriam em 1958 e 1959.

Vários outros carros clássicos participaram: DKW (Puma e Belcar), GT Malzoni, Mini todo caracterizado para Rally, Puma GTB (VW e GM), Fusca, Adamo, Porsche Spyder, Maverick 4 portas, Alfa Spider 2000, Escort XR/3, Dodge Dart coupé, dentre outros.

Saídas de pista e acidentes foram inevitáveis, como um Honda CRX preto que saiu da pista e foi parar entre as árvores, mas não houve nenhum choque de grandes proporções.

O carro mais rápido foi um Passat 1975, com o tempo de 2:51:960.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Patas, sapatos, pneumáticos, etc!

Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne


Conjunto de roda e pneu do Maverick número 5 do David. Note a cambagem bem negativa e o quão baixo o carro está - até mesmo o esterçamento fica reduzido, pois os pneus raspam nos paralamas com pouco ângulo. Nenhum problema pra correr na pista, mas dificuldade garantida para manobrar o carro! Está valendo tudo pra baixar o centro de gravidade e diminuir a ação da inércia de um conjunto frontal tão pesado como dos nossos amados V8!

Bom. Os carros estão ainda em fase de ajustes gerais, então, coisas mais finas, como utilizar pirômetro nos pneus para de acordo com sua leitura, adequar a pressão dos pneus e o ângulo de cambagem (quem sabe até arriscar uma assimetria), por enquanto são dispensadas. Por enquanto...

...saindo da toca à caça!!

Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne


Esse é o Maverick do Renato Hiluey. O conjunto de rodas desse carro é simplesmente maravilhoso, totalmente nostálgico: American Racing Torq-Thrust. Elas são legítimas representantes da "cultura" muscle car clássica, bem como as Magnum 500 ou as Cragar S/S. Não bastando isso, o carro possui um par de pequenos faróis de milha amarelos à frente que dão um toque ainda mais "bandido".

Olhando pra ele, não resisti à tentação de imaginá-lo com os "patrocínios" da John Player Special em dourado, tal como o Lotus do Rato e do Ronnie. Garanto que se você visualizar, vai pensar "putz, é mesmo hein!"

Esse carro voltou de Interlagos na raça, à moda antiga: andando na rua mesmo! Topamos com ele na Praça Panamericana, provavelmente à caminho da oficina do Pedrinho. Segundo um amigo, que estava de passageiro no Dart que eu dirigia, o Pedrinho viu nosso carro e apontou "olha lá!". Bacana.

Talvez o que o Pedrinho não tenha visto é que quase bati na traseira da Parati onde ele estava a bordo, porque me distraí olhando o Maverick do Hiluey (risos)....

Históricos V8 rugindo em Interlagos !!!

Foto: Juliano "Kowalski" Barata - Site Mulsanne


Com certeza não haveria maneira melhor de iniciar este blog! No dia 3 de março de 2007 houve a segunda etapa do Campeonato Paulista de Automobilismo, e uma de suas categorias, inaugurada neste ano, representa a realização de um sonho de muita gente do meio dos carros antigos - prova disso era a quantidade de visitantes que o único box reservado à categoria teve.

É esta categoria a homenageada do "post inaugural": a Históricos V8 5000.

A categoria por enquanto divide a pista com a Força Livre, pois há somente dois carros prontos, e para se homologar um grid, devem haver ao menos quinze carros. Vários já estão saindo do forno. É apenas uma questão de tempo. O regulamento é feito de maneira a priorizar a competitividade e reduzir os custos, o que a torna ainda mais interessante.

Só quem esteve presente pode comentar sobre a beleza de duelo que foi a disputa entre o David (maverick creme, número 5) e o Renato (maverick preto, número 21). Muito emocionante, mas respeitoso e esportivo acima de tudo. A imaginação voava entre os amigos presentes, que anseiam por um grid cheio de barcas V8 rugindo: "como será então quando houverem dez, quinze, vinte carros?!".

Um lembrete (desculpem pelo marketing): meu site possui uma seção inteiramente dedicada à esta categoria. Porque eu acredito 1000% no propósito da mesma e porque sou apaixonado por V8 americanos dos anos 60-70. Bom, quem me conhece sabe disso...