domingo, 9 de dezembro de 2007

Acidente fatal em Interlagos neste domingo...


É uma triste notícia. O jovem piloto paranaense da categoria Stock Light, Rafael Sperafico (27), faleceu instantaneamente neste domingo, após um grave acidente ocorrido no autódromo de Interlagos.

Seu carro saiu da pista na Subida do Café, atingiu a barreira de pneus, e foi arremessado de volta ao asfalto. Foi então atingido em cheio pelo bólido de Renato Russo; que teve quase ou nenhum tempo de reação para evitar o choque.

O vídeo para o acidente encontra-se aqui.



Ficam algumas reflexões importantes:

1) Pilotos afoitos.
Nada conclusivo foi divulgado sobre os motivos de Sperafico perder o controle de seu carro; mas há a possibilidade da causa ter sido um empurrão dado por um piloto rival. Rodrigo Mattar disse sábias palavras em seu blog:

"Durante a gravação da corrida, eu tinha comentado repetidas vezes que esta corrida tinha que ser disputada com respeito entre os pilotos, até porque seria a decisão do campeonato entre Norberto Gresse Fº e André Bragantini Júnior (...) E tudo o que faltou entre grande parte dos 32 participantes daquela competição foi respeito.Houve um festival de toques, batidas e rodadas. E o ponto culminante, o ponto lamentável, aconteceu no fim da sexta volta, quando a plena velocidade o piloto de Toledo entrou na proteção de pneus e foi atingido a pleno por Renato Russo."

Em corridas de turismo, toques são quase inevitáveis. A questão é, uma linha muito tênue separa a esportividade da falta de ética e maquiavelismo neste "mundo dos totós" inerente a estes bólidos. Aparentemente, a sensibilidade dos pilotos da Stock Light para distinguir estas nuances está em baixa.


2) Proteção estúpida de pneus. É um Calcanhar de Aquiles já levantado por muitos pilotos que correram em Interlagos: o trecho entre a Junção e o "S" do Senna é extremamente inseguro pela falta de área de escape e a presença de barreiras de pneus que arremessam os carros de volta à pista.

No caso de não se querer investir em áreas de escape maiores, a solução seria a incorporação do sistema utilizado em circuitos ovais norte-americanos, o chamado "soft-wall"; que absorve as forças agudas do impacto e não empurra o bólido de volta como uma proteção de pneus.


3) Baixa resistência estrutural? Na NASCAR, utiliza-se um projeto de estrutura tubular interna praticamente medieval, com cerca de quarenta anos de idade. Mostra-se muito eficiente na proteção contra impactos severos, mas às vezes seu excesso de rigidez pode matar ao repassar todo o choque ao corpo do piloto.

Mas no caso de Sperafico, algo um tanto mais sinistro se revela. Os médicos alegaram que o piloto faleceu instantaneamente, devido a um grave traumatismo cranioencefálico sofrido. Isso é um indicativo de que a estrutura tubular do Stock Light de Rafael falhou ao não proteger a integridade do corpo do piloto.

E então, me pergunto: o projeto da "gaiola" da Stock Light é corretamente dimensionado? E se for, ele está sendo bem construído? As soldas estão sendo feitas com técnica e material adequado? Porque alguma coisa aí não está certa.



Sensação desagradável. Esse é o fato. Provavelmente trata-se da primeira morte no novo traçado de Interlagos.

Descanse em paz, Rafael.

5 comentários:

Juliano "Kowalski" Barata disse...

Apenas uma observação que gostaria de fazer: de forma alguma estou crucificando o piloto que dividiu a curva com Sperafico. O fato é que todos os pilotos da Stock e suas sub-categorias estão submetendo seus rivais (e mesmo a si próprios) a mais riscos que o necessário. É nisso que está o meu puxão de orelha: a culpa é de todos, ou quase todos.

Unknown disse...

Nossa... até passei mal!
Fiquei muito impressionada!

Guilherme Lopes disse...

Juliano, faz todo o sentido as suposições. Um bando de moleques, falta de disciplina, proteção de pneus (sim, muitos juram que ali é seguro, já que é o tipo de curva que só teria problema em caso de problema técnico ou toque...) e chassis possivelmente mal projetado/executado.
Os pilotos assumem o risco da fatalidade? Sim. Já diria Senna que ser piloto é como "Fumar um Havanna numa banheira cheia de gasolina" mas não concordo com o que se passou ali. Uma série de erros junto.
Que essa perda sirva de lição. Ao menos nas pistas de competição não deveremos deixar que aconteca o mesmo que com nossas estradas.
Abraço!

Anônimo disse...

Bom em relação ao assunto muitos falam que discutir e procurar uma culpa ou razão do ocorrido é explorar e não respeitar a família, na minha opnião esta já foi desrrespeitada.
Falta para o automobilismo brasileiro uma coisa fundamental nos dias de hoje, respeito a vida. O automobilismo brasileiro vem da escola européia que só visa o dinheiro e mantém uma tradição de feudalismo, isso as custas de falta de segurança e arrogância tradicional francesa e inglesa.
Um jovem cheio de sonhos morre por culpa de uma total falta de segurança do carro e do circuito, e ainda eu escuto que foi fatalidade!!!!
Se voces acam que estou sendo chato ou desinformado, procurem ver como é feito um Roll Cage de um Nascar em comparação ao do Stock, parece uma piada o último.
Vários acidentes em que o piloto estava protegido por uma gaiola projetada, o "felizardo" saiu vivo. Aqui um Ex- piloto que se acha projetista faz todas as gaiolas e não é aceito qualquer outra na categoria alegando segurança... De quem? Acho que do bolso deles.
Fora que ainda houve um certo empurrãozinho (27) para esta "fatalidade".

Juliano "Kowalski" Barata disse...

Exatamente Guilherme. Ao menos, que as lições dessa tragédia sejam aprendidas.

Mas para isso, não se pode aceitar esse acidente como uma fatalidade. Isso é meio caminho andado para um conformismo que não vai melhorar em nada a segurança dos Stock e do trecho do Café (e de outros autódromos onde ela compete).

Mas João, vale um lembrete: o "empurrãozinho" do piloto rival que levou ao acidente não foi na base da pura maldade. Eu acho sim, que há uma deturpação sobre esses toques em corridas de turismo, e no Brasil estamos levando as coisas longe demais nesse aspecto. Mas se os pilotos aceitam, se submetem, e inclusive praticam esses toques exagerados, então o risco é assumido por parte de todos que competem ali.