À convite da Renault e da agência de publicidade Salem, o Mulsanne esteve presente no autódromo de Interlagos nesta terça-feira, para um curso de pilotagem defensiva e esportiva. Oferecido pelo Centro de Pilotagem Roberto Manzini, o curso cerca de dez horas extremamente divertidas e instrutivas.
Para encurtar a longa conversa, as aulas teóricas buscaram valorizar principalmente a correta postura para a condução e a suavidade nos comandos do automóvel. Pudemos aferir na prática a importância destes fatores quando fomos à antiga reta oposta do autódromo, para executar o exercício de slalom; o desvio alternado de cones com velocidade constante.
O slalom é um exercício muito divertido e que ensina essencialmente o grande princípio básico da condução automobilística, que é a noção de transferência de peso (no caso, lateral). Leia o post anterior deste blog, que há alguns comentários pertinentes sobre o assunto. O slalom lembra um jogo de xadrez ou sinuca no aspecto estratégico: a manobra atual terá conseqüências diretas e indiretas nos desvios seguintes. Então, se fizermos a tangência errada no contorno do primeiro cone, ou entrarmos rápido demais; provavelmente ainda será possível contornar os próximos dois cones, mas não mais do que isso.
O fato é o seguinte: parece muito mais fácil olhando do que fazendo. Uma vez ao comando do automóvel, o efeito cumulativo de ficar pendulando para lá e para cá arremessa o corpo em igual proporção; e o volante simplesmente não pára quieto um segundo: está sempre executando alguma manobra. Como é possível notar na fotografia, o piso estava bastante molhado por causa da chuva constante; o que deixava o exercício ainda mais delicado em termos de equilíbrio.
Os carros disponíveis eram o Renault Mégane Sedan 1.6 16V e o novíssimo Renault Sandero, com motorização semelhante. Ambos dispunham de ABS e direção hidráulica, mas por uma questão de coincidência andei somente no Sandero.
Haviam duas tentativas (na verdade quatro, pois o percurso era ida-e-volta). Na primeira, o segredo era desenhar a trajetória ideal e procurar sentir a desmultiplicação do volante. Na volta, imprimir um velocidade constante maior, para sentir a rolagem da carroceria e acostumar com o montante de manobras necessárias.
Para a segunda tentativa, precisei ajustar um pouco o encosto do banco e deixá-lo ainda mais ereto, pois senti que meus ombros estavam se movendo um pouco para frente durante o slalom. Mantive uma velocidade um pouco maior na ida, e na volta tentei a maior velocidade que pude, dentro das circunstâncias do piso e da pouca intimidade com o Sandero. Lá pelo terceiro cone, senti que o pneu dianteiro externo escorregou um pouco; e imediatamente aliviei o acelerador sutilmente para tentar voltar à trajetória. Não atropelei nenhum cone, e consegui terminar o exercício satisfatoriamente, apesar de não ter sido perfeito.
Foi algo relativamente sutil, mas os instrutores do Manzini eram atentos ao extremo e notaram a pisada de bola. Não poderia esperar por menos!
Cerca de meia hora depois, estávamos de volta ao local, para um teste de frenagem de emergência com ABS, vindo a 80 quilômetros por hora. O objetivo do exercício era testar o reflexo do condutor (pois o "sinal verde" para a frenagem era um cone jogado transversalmente à pista, simulando um pedestre atravessando a rua), e ensinar a correta utilização do sistema ABS: o pedal de freio deve ser pisado sem dó em uma emergência, permitindo o sistema anti-bloqueio administrar corretamente a pressão de fluido em cada uma das pinças.
Este exercício foi muito mais fácil que o slalom, mas muito me impressionou como o ABS possibilita uma frenagem extremamente eficaz, mesmo em piso encharcado. Ele trabalha pelo princípio da técnica conhecida como
thresold braking, resultando em um pequeno escorregamento do pneu no solo (que produz atrito por fricção), mas ainda mantendo a rotação das rodas, permitindo assim também a frenagem por intermédio do atrito entre as pastilhas e os discos de freio.
Depois foi a cereja do bolo, como disse meu amigo Vitor Matsubara (blog
Motorhaus) e pode-se ver na fotografia abaixo.
Hora de encarar o circuito de Interlagos. A ordem dos eventos seria a seguinte: aula teórica; volta de carona com um instrutor em um Sandero para conhecer o traçado; pilotagem por cinco voltas em um Mégane preparado para pista; e carona em ritmo de flying lap com um dos instrutores por duas voltas.
Êpa, irei sacaneá-los por enquanto, mas é um bom motivo.
O relato completo e detalhado desta experiência no autódromo, com todas as impressões que tive em cada curva do circuito, será publicado em uma matéria no
Mulsanne.com.br, que estará no ar semana que vem. Aguardem, será uma leitura bastante emocionante e com aqueles detalhes técnicos de tempero que vocês adoram!
Por enquanto, fica o agradecimento sincero à
Renault do Brasil, à agência
Salem e ao
Centro de Pilotagem Roberto Manzini; pela maravilhosa experiência proporcionada e por toda a atenção prestada aos convidados.