terça-feira, 30 de setembro de 2008

Filho de peixe...


Espontâneo e sempre surpreendendo. Tal como o pai.


segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Foto do dia, II...


2009 Porsche Cayman S Sport. Na minha lista de dream cars, figuram pouquíssimos automóveis modernos, e este é o principal deles.

Creio que seja o modelo mais fiel às raízes do fabricante, em design e concepção. Note a faixa esportiva na lateral, ela lhe traz alguma lembrança? Motor 6 cilindros boxer afinado à moda da casa, 3.4 litros de deslocamento e 303cv que resultam em um 0-100 km/h de aproximadamente cinco segundos.

É uma máquina compacta, leve, e de um design incrível. Frente às "espaçonaves" que a Ferrari e a Lamborghini têm construído ultimamente, fico com este singelo Cayman S Sport. Mas se a conversa se restringe ao passado, nada supera a italianíssima 250 SWB.

Clique na fotografia para ampliar!

GP de Cingapura! Surpresas a rodo...!


Quem disse que a Ferrari não teria chances no travado circuito de Cingapura? Eu!

Meu prognóstico mostrou-se totalmente errado. Graças à evolução técnica da equipe, aparentemente o problema do aquecimento dos pneus tornou-se parte do passado, já que Felipe Massa conquistou a pole colocando 0,6s sobre Lewis Hamilton, e Kimi Raikkonen encontrava-se em um ritmo voador impressionante ao perseguir o piloto inglês da McLaren.

Isso até Nelsinho Piquet se acidentar em uma rodada embaraçosamente solitária, o que acabou acionando o Safety Car e iniciando uma série de infortúnios aos italianos da equipe rossa.

Graças à involução estrutural da equipe, aparentemente a Ferrari continua tropeçando no feijão-com-arroz: erros de estratégia e equívocos operacionais que beiram o cômico. Todos já sabem o que ocorreu no pit-stop de Felipe Massa, só gostaria de grifar a complicação desnecessária que é este semáforo eletrônico utilizado pelo time de Maranello. O velho pirulito voltou a ser empregado pela equipe ainda na mesma prova, artefato que permite o retorno da decisão "go!" simplesmente ao ser retornado na cara do piloto. Good 'ol ways. Algumas cabeças irão rolar.

E então tivemos Fernando Alonso como merecido vencedor da primeira corrida noturna da Fórmula 1, ainda que a vitória só se mostrou possível pelo grande infortúnio de seu companheiro de equipe. Situação semelhante ocorreu na outra glória da Renault deste ano: a segunda colocação de Nelsinho Piquet em Hockenheim se deveu à entrada do Safety Car. A diferença entre as ocasiões foi o ritmo de prova do asturiano: em Cingapura, Alonso voou baixo, e estava abrindo diferença franca em relação ao segundo colocado até os últimos instantes.

Lewis Hamilton fez uma prova burocrática, usando o cérebro e administrando a pressão própria, e abocanhou um terceiro lugar que fará toda a diferença na decisão do título. Ele não precisa mais vencer para ser o campeão de 2008, reduzindo as chances de Felipe Massa ao "tudo ou nada".

Por fim, gostaria de mencionar a piada de mal-gosto que é o traçado de Cingapura. Um verdadeiro Kart Indoor! Totalmente plano, curvas trancadas, poucas retas, ondulações que chegam a arrancar faíscas de monopostos com o plank de madeira, ausência de pontos de ultrapassagem, sujeira na pista (o que dificulta ainda mais as ultrapassagens, pois é preciso sair do trilho), e Dio Santo, o que são aquelas tartarugas presentes nas zebras das curvas 10 e 11?

Meu último veneno vai para o suposto charme do circuito: a beleza da cidade não aparece na telinha. A exemplo de Valência, tudo o que vemos são muros e muros e muros. E uma arquibancada que passa por sobre a pista. E muito de vez em quando, um ou outro prédio no fundo, com iluminação exótica. Para visualizar a tal da ponte, era necessário se concentrar no cenário. Ops, já passou? Nem vi...

Valeu pelo reflexo das luzes nas carenagens, que valorizaram suas formas e deram um toque diferenciado na corrida. E só.

Foto do dia...


Le Mans, 1979. Porsche 935 Turbo pilotado pelo trio Dick Barbour, Rolf Stommelen e Paul Newman, que tinha 54 anos de idade na ocasião. O bólido terminou a prova em segundo lugar na classificação geral.

Clique na imagem para ampliar.

Paul Newman...


O céu do automobilismo norte-americano ganhou mais uma estrela a brilhar: depois de Phil Hill nos deixar há pouco menos de um mês, chega a vez do brilhante ator e piloto de classe Paul Newman partir.

Existem muitos excêntricos que possuem como hobby o automobilismo. Poucas coisas descargam tanta adrenalina e estimulam a precisão e competitividade nata dos seres humanos. Mas existem aqueles cujo sangue se entrelaça em uma conexão mais forte com o esporte a motor, e este laço é belo e inexplicável.

Newman era um destes, chegando a confessar que suas conquistas nas pistas (incluindo vários títulos do SCCA e uma vitória em Daytona aos 70 anos) lhe satisfaziam muito mais no âmbito pessoal que os dois Oscars conquistados em sua extensa carreira como ator e diretor. Racing is in his blood.

Nigel Mansell conquistou o seu único título na Fórmula Indy, em 1993, a bordo de um carro da equipe Newman-Haas, formado por uma sociedade entre o ator e o empresário Carl Haas.

Enquanto esteve entre nós, Paul também foi muito generoso. Ele criou uma marca divertida que produz uma série de produtos alimentícios, cujo lucro é todo revertido a instituições de caridade; além de ter construído ao redor do mundo uma série de campings chamados Hole in the Wall, dedicado a crianças portadoras de graves doenças.

Goodbye Paul!


sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Para os fãs da Porsche....

Porsche Driving Experience - The evolution of driving.
Porsche Driving School / Porsche Travel Club

Vídeo promocional feito pelo fabricante. Muito bom mesmo. Recline-se na poltrona e viaje...

Porsche 936 / 77 Spyder mandando ver em Le Mans...


Os números impressionam: peso de 700 quilos, motor boxer 6 cilindros 2,65L biturbo KKK, chassis tubular de composto de alumínio, velocidade máxima de 385 quilômetros por hora.

Este é o Porsche 936/77 Spyder, vencedor da edição das 24 Horas de Le Mans de 1977, pilotado pelo trio Jacky Ickx, Jürgen Barth e Hurley Haywood. No ano anterior, ainda em desenvolvimento, faturou uma série de provas de longa duração do campeonato de esporte protótipos: Monza, Imola, Dijon, Enna-Perguss e Mosport. É um carro raríssimo, apenas três unidades foram fabricadas - duas delas estão no Museu da Porsche. A unidade que venceu a mais famosa prova francesa está na mão de um particular, Bruce Canepa.

O vídeo acima, enviado pelo amigo e piloto Hamilton Roschel, mostra o 936/77 mandando ver em Le Mans, um circuito bastante intrigante, peculiar. Diria até esquisito, visto que algumas curvas não seguem exatamente o padrão que estamos acostumados a ver em autódromos, justamente por ser composto da junção de várias estradas. Note como as marchas são longas, visando a durabilidade do motor e a gigantesca reta Les Hunaudières (ou Mulsanne, que na verdade é a curva ao final desta reta).


quarta-feira, 24 de setembro de 2008

On-board em Cingapura... !!


OK, dei uma de Nelson Rubens: aumentei, mas não inventei. É onboard sim, é Fórmula 1, e é no novíssimo circuito de Cingapura. Mas é no simulador da Williams, pilotado por Nico Rosberg.

Não estou exatamente apaixonado pelo traçado, longe disso, mas estou morrendo de curiosidade de ver uma corrida noturna de F-1. E ver o que raios vai acontecer com a Ferrari nessa pista, principalmente se chover...

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Senna e Berger: testando o McLaren MP4/7 de 1992 !!



O ronco do V12 Honda RA122E/B utilizado pela McLaren na temporada de 92 é um dos mais marcantes da história da Fórmula 1. Este vídeo mostra uma sessão de testes do câmbio semi-automático, no autódromo de Silverstone, e é uma excelente oportunidade para relembrar o som metálico e orquestral do MP4/7.

Inclusos estão depoimentos de Gerhard Berger, que fala de sua experiência anterior e o desenvolvimento do câmbio, e Ayrton Senna. O brasileiro declara seu receio com os Williams-Renault FW14, preocupação que provou-se na prática: naquele ano, a equipe representada por Nigel Mansell e Riccardo Patrese faturou dez vitórias de 16 possíveis na temporada.

GP de Cingapura: expectativas e comentários


O vídeo acima é uma produção muito bacana da Red Bull: mostra uma volta virtual pelo novo circuito de Cingapura, narrada por Mark Webber. Vale a pena.

Apesar de toda a beleza e peculiaridade do cenário urbano noturno, o traçado em si não apresenta desafios. É um circuito de rua no estilo dos norte-americanos dos anos 80, como Phoenix - sem mudanças de relevo no estilo de Long Beach: as curvas de Cingapura são todas lentas, formadas por esquinas. A única exceção é uma pequena dobra presente presente na reta Raffles Boulevard, um trecho que apresenta riscos potenciais a pilotos excessivamente agressivos que vierem a disputar por posição por ali. As duas últimas variantes aparentam ser de baixa-média. Difícil de ser conclusivo.

Fato: o grande desafio deste final de semana estará nas mãos dos engenheiros das equipes. Se a qualificação realmente for executada no final da tarde, isso significa uma diferença de temperatura de asfalto muito grande em relação à da corrida, noturna. E essa diferença resulta em problemas de adequação de pressão e expansão ideal da banda de rodagem (leiam este post). Até onde sei, não se pode mexer em nada nos monopostos entre o final da qualificação e a largada.

Não é necessário dizer que somente um milagre salva a Ferrari de um massacre da McLaren. Os MP4/23 possuem um conjunto de chassis mais equilibrado em um traçado no qual a aderência aerodinâmica será nivelada por baixo, e as F-2008 estão com aquele sério problema de aquecimento dos pneus, já conhecido por todos. Para piorar o drama dos tiffosi, há alguma possibilidade de chuva.

Adendo: e como se não bastasse, a falta de curvas velozes no circuito representam um aquecimento ainda mais lento dos pneus. Imagine o tamanho da dor-de-cabeça para a Ferrari após cada pit-stop.


sexta-feira, 19 de setembro de 2008

YIKES !!!!!!!!!!!!!!!!


...é o que o piloto deste Mustang parece expressar em seu rosto de pânico. Também, sendo perseguido por um voraz Galaxie e um Lotus Cortina pilotado por ninguém menos que Jim Clark, a cara não poderia ser diferente.

Clique para ampliar a imagem.

"Olha como a engenharia era falha...!!"



Avaliação do Carlos Cunha com o Dodge Charger R/T:
"Você percebe como era falha a engenharia da época!! Da até dó de acelerar o carro... !! Acelerei aqui aos 160 (do velocímetro, não-reais) e não tenho coragem de acelerar mais, porque parece que o motor vai explodir, e eu não tenho uma quinta marcha para colocar aqui..."

E então eu recebo um e-mail, de um certo Charger 1975, flagrado a 203 quilômetros por hora reais (cerca de 215 no velocímetro), em uma dessas estradas da vida... nada de canhão embaixo do capô. Apenas saúde.

Sem querer entrar nas discussões de civilidade e transgressões (das brabas, nos EUA seria crime) ao CTB, a verdade é que tenho uma sólida impressão que, na "hora H", faltaram cojones ao nosso querido dublê e showman...

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Uma nota sobre a esportividade de Lewis Hamilton.


Assistam ao vídeo acima. É a manobra que Lewis Hamilton executou no último final de semana, para não perder a posição para Timo Glock. Alguém tem dúvidas de que os dois estavam lado-a-lado e que haviam boas chances do piloto inglês ser superado na próxima freada?

Garanto que, acaso não houvesse toda o clima tempestuoso devido à punição de Spa-Francorchamps, Hamilton seria punido por esta manobra sobre Glock. Nesta mesma corrida, ele ainda executou um movimento questionável sobre Fernando Alonso, na frenagem para a Variante del Rettifilio.

O que Lewis fez sobre Alonso: ao ultrapassá-lo, fechou subitamente o Renault e escolheu o lado de dentro. Ou seja, se deslocou para a direita. Iniciado o ponto de frenagem, fechou Fernando novamente, deslocando-se para a esquerda. Mudou de posição duas vezes na pista, o que é considerado proibido, conduta anti-esportiva.
Há quem diga inclusive, que Hamilton tocou Alonso na primeira fechada, mas não tenho registros on-board para dar alguma certeza.





Quem acompanhou os meus comentários sobre as provas do ano passado, sabe que eu tenho (ou tinha) grande admiração por Lewis Hamilton, e como eu tinha expectativas que ele merecidamente se tornasse campeão logo. Pois ele se comportava como um piloto experiente mesmo sendo um novato sob pressão. Não é fácil estrear em uma equipe de ponta, mesmo quando o patrão o trata como um filho.

Mas as coisas mudaram. Sinto que o aumento da pressão em 2008, quando se tornou primeiro piloto e a obrigação de disputar o título se tornou eminente - e não apenas eventual - , o está fazendo perder as estribeiras. Suas ultrapassagens cada vez mais têm aberto espaço para questionamentos (Hockenheim, Spa-Francorchamps e Monza), e ele tem contado cada vez menos com o apoio dos outros pilotos da categoria. Não bastando, algumas declarações infelizes, frutos de inexperiência e sangue-quente, só pioraram a situação.

No Brasil, infelizmente, este questionamento à conduta esportiva de Hamilton têm sido associado equivocadamente a dois fatores: comportamento ufanista (protecionismo aos pilotos brasileiros) e uma suposta falta de romantismo, como se estivéssemos defendendo uma categoria esterilizada, onde qualquer noção de arrojo fosse podada.

Automobilismo não é luta de boxe. Automobilismo não é "Dias de Trovão" ou "Alta Velocidade".
Automobilismo é "Grand Prix". É "24 Horas de Le Mans". É coisa nobre, não é briga de rua.

Existe uma diferença simultaneamente tênua e imensa entre dois pilotos andando no fio da navalha e eventualmente se tocando (Villeneuve vs. Arnoux / Massa vs. Kubica), e aquele que usa o carro como um aríate, uma ameaça ou obstrução física, projetando o rival pra fora da pista com a intenção de fazê-lo.

Vejo por aí que a noção de arrojo têm sido confundida. Piloto arrojado é aquele que se arrisca e realiza a ultrapassagem. Não é aquele que arrisca ou ameaça os outros para realizar a ultrapassagem. Já assisti ao vídeo acima uma dezena de vezes. Não há como defender esta manobra como arrojada.

Eu espero que Lewis Hamilton esfrie a cabeça de alguma maneira, e volte a ser aquele piloto magnífico das primeiras provas de 2007. Nós, como espectadores, merecemos uma disputa de título bonita, sem manobras que façam o caneco ser decidido nos tribunais da vida. Ou, da FIA.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

A BMW M1 pintada por Andy Warhol...


Para alguns, Andy Warhol foi um revolucionário. Um Robin Hood que trouxe o virtuoso e erudito mundo das artes ao chão, reformulando-a livremente e de maneira acessível às massas, no conceito posteriormente batizado de pop-art. Para outros, ele não passa de um incompetente, um charlatão manipulador de opiniões que criou uma aura de mistério em volta de sua personalidade para ocultar o vazio de sua arte.


Por bem ou por mal, Warhol foi um dos artistas convidados pela BMW na década de 70 a pintar um de seus modelos, no projeto BMW Art Cars. Trata-se de uma atitude interessante, exclusiva, e que até hoje é lembrada pelos saudosistas. Os carros pintados foram expostos em alguns dos museus mais concorridos do mundo, como o Guggenheims de Nova Iorque, o Royal Academy, em Londres, e o Louvre, em Paris.

O modelo pintado por Warhol foi o M1, um dos carros de corrida mais interessantes já produzidos pelo fabricante alemão: trata-se do único automóvel com motor central produzido pela BMW. Equipado com um motor M88/1 de 6 cilindros em linha e três litros e meio de deslocamento, gerava incríveis 500 cavalos-vapor na configuração para corridas - potência que poderia ser desenvolvida a inacreditáveis 1000cv em versões turbinadas!


É impossível não mencionar também a BMW Pro Car Series, exclusiva a modelos M1, que contava com vários pilotos e ex-pilotos de Fórmula 1, como Niki Lauda e Nelson Piquet; e fartas premiações em dinheiro.

Warhol foi o único dos artistas convidados que fez questão de pintar ele mesmo o bólido - fazendo-o em apenas 23 minutos! Os outros se ateram à miniatura de estudo em escala 1:5, encarregando técnicos especializados para a execução no modelo final. O M1 pintado pelo "mestre da pop-art" participou da edição de 1979 das 24 Horas de Le Mans. Foi pilotado por Hervé Poulain, Marcel Mignot e Manfred Winkelhock. Conquistou a sexta posição na geral. Nada mal!


sábado, 13 de setembro de 2008

Riccardo Patrese mandando ver com a esposa!


Ora essa, este é um blog familiar! Suas mentes andam muito poluídas... trata-se apenas de um singelo título para o vídeo acima, um dos mais hilários que já vi. Dica publicada no blog Continental Circus, do amigo Speeder.

O ex-piloto Riccardo Patrese, como alguns sabem, foi convidado pela Honda para realizar um teste no Fórmula 1 da equipe, no autódromo espanhol de Jerez de La Frontera. E de quebra, pôde dar uma voltinha no pequeno foguete Civic Type-R.

O italiano levou a esposa a bordo. Que não parece muito adepta da velocidade e proporcionou assim um instantâneo clássico do You Tube, verdadeiramente hilário! Grazie, donna!

" Guarda, GUARDA!!! Per favore...........Riccardo!!! Mamma miiiiaaaaaaaaaaaaaaa!!"

Se chover amanhã em Monza, o que esperar?



Eurythmics - "Here Comes the Rain Again"


- Largada: muitas trocas de posições. Sem o controle de tração, sair do grid com velocidade, local onde há muita borracha depositada (sabão), será um grande problema.


- Contudo, não chega a ser um problema tão preocupante quanto a freada para a primeira curva, a Variante Del Rettifilio. Totalmente cegos devido ao spray d'água levantado pelos monopostos, é grande a probabilidade de muitos pilotos perderem o ponto de referência de freada, travando as rodas e atingindo os carros à frente. Essa situação caótica também deve se estender à Variante Della Rogia, a terceira curva, uma chicane de baixa-média velocidade.

Nem Massa nem Hamilton devem arriscar demais na primeira curva. Contudo, o risco maior dos dois principais aspirantes ao título está no erro dos outros.


- Outro local crítico, e que promete fazer estrago, é a saída da Variante Ascari: é aquele "S" de média-alta onde vários pilotos rodaram no treino de hoje, incluindo Raikkonen, Hamilton e Bourdais. Ele exige uma certa agressividade em seu contorno, mesmo em condições de pista molhada. Isso porque a mudança de direção entre as duas pernas é muito aguda. Também tenho a impressão de haver tendência à formação de poças justamente neste local. Esta agressividade causa um pequeno desequilíbrio dinâmico nos carros, que tendem a sair de traseira. Com pouca asa e com pouca aderência dos pneus, é fácil botar tudo a perder.


- Outros locais que exigem atenção: as saídas das duas pernas da Curva Di Lesmo, principalmente a primeira. São variantes nas quais os monopostos apóiam bastante nas rodas externas, e que tendem a arrastar o carro até a borda externa da pista, onde existem duas armadilhas escorregadias: a faixa branca que delimita o asfalto, e a zebra.

O ponto de reaceleração da Parabólica é outro ponto crítico. Sem o controle de tração e sem muita pressão aerodinâmica devido à pouca asa e à relativa pouca velocidade deste trecho, é de se esperar erros que proporcionem ultrapassagens ou acidentes.

O ponto que mais me preocupa sem dúvida são as retas, principalmente a longa descida que leva à Variante Ascari, pois é circundada por guard-rails, praticamente sem área de escape. Se algum carro obstruir o caminho por qualquer motivo (rodada, batida, quebra) nestes trechos, as chances de um acidente grave são grandes.

Por isso, não se surpreendam se o Safety Car intervir na corrida, mesmo sem motivo aparente.

Treinos GP da Itália: Che Sorpresa!!



- Ele merece! Sebastien Vettel (pole-position) é um dos talentos mais promissores da nova fornada de pilotos da Fórmula 1, e sempre que cai água, ele dá um show. Lembram-se da prova em Fuji, no ano passado? Seu companheiro de equipe (Bourdais) encontra-se logo atrás, classificado em quarto; demonstrando que os carros e os pilotos da Toro Rosso são muito bons de pista molhada! Que bela surpresa! Com tanque vazio ou não, esta é uma marca histórica.

Sobre os principais concorrentes ao título de 2008:


- Felipe Massa (6º) e sua redenção parcial: sua habilidade em chuva, constantemente questionada, mostrou-se excelente nos treinos de hoje. Conseguiu baixar o seu tempo significativamente quando a chuva engrossou, no Q2 e Q3. Salvo uma saída de pista em uma das pernas da Curva Di Lesmo, não cometeu erros com seu F-2008, um carro muito ruim sob tormentas.

Sua única chance de fazer uma boa corrida está em executar o menor número de paradas possíveis, e evitando também a troca de pneus, mantendo assim a temperatura e pressão ideal dos compostos. Obter a temperatura ótima de funcionamento dos pneus têm sido a maior dificuldade da Ferrari, cujo chassis provavelmente trabalha com acerto de suspensão mais macia que a McLaren.

Conquistando um bom resultado amanhã, a redenção será completa, ao menos sob o olhar deste que vos fala. Massa ainda precisa me convencer em pista molhada, mesmo que a Ferrari seja um carro excessivamente desequilibrado sob estas condições climáticas.


- Lewis Hamilton (15º) mordeu a língua: após as declarações infelizes valorizando excessivamente sua habilidade em chuva, colocou-se em uma situação desagradável frente aos outros pilotos, e agora frente à imprensa. Demorou para sair à pista e perdeu o asfalto menos úmido do início da sessão. De maneira geral, seu desempenho na classificação foi fraco: Massa conquistou o tempo que garantiu sua vaga para o Q3 nos últimos minutos, uma demonstração de que haviam possibilidades ao inglês, que realmente não se encontrou neste sábado.

Para a prova, espero muito de Lewis Hamilton. Será a chance do inglês fazer a melhor corrida de sua carreira, dando a volta por cima após o episódio controverso de Spa-Francorchamps. Ainda por cima na casa da Ferrari. Os tempos conquistados por Kovalainen (2º) mostram que equipamento para isso ele tem.

Vale também uma observação: Heikki está em uma situação totalmente livre de pressão em termos de disputa de campeonato, e por isso pôde arriscar mais. É justamente este o meu temor: a pressão sobre os ombros de Lewis pode resultar em erros por parte do primeiro piloto da McLaren. Sua consistência em situações psicologicamente dramáticas representa o seu calcanhar de aquiles. Mantendo o auto-controle e conseguindo um bom ritmo, possui chances de vencer a prova. Não subestimem sua posição de largada.


- Kimi Raikkonen (14º): está numa situação curiosa. Também não conseguiu se encontrar na classificação, o que acabou valorizando o trabalho de Massa neste sábado. Agora, de contrato renovado com a Ferrari, encontra-se imediatamente à frente de seu inimigo - ou seja, mais que rival. Conhecendo a tradicionalíssima casa da Ferrari, mais a situação diplomaticamente ácida entre o finlandês e Hamilton, não seria especular demais apostar em um trabalho de escudeiro exigido por parte da equipe.

Contudo, Raikkonen também correrá para vencer, e sem a mesma pressão sobre os ombros que incomodam tanto Felipe Massa como Lewis Hamilton. Sua maior dificuldade: ele terá de largar de tanque cheio, e precisará de um ritmo de corrida agressivo com um carro que não ajuda nestas condições climáticas.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

E então, eis que na pista... (Áustria 2001)


Patrick Head: "nesta volta, Juan, nesta volta... ahn, nós vimos um veado. No circuito. Nós acreditamos estar em algum lugar da pista (...)"
JP Montoya: "oh, um veado?"
Patrick Head: "sim, um veado. Como um cavalo, com chifres."
JP Montoya: "(rindo) eu sei, eu sei... um veado...! hahahahaha..."

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Foto do dia...


Na verdade, eu estava procurando uma foto de alguma grid girl italiana, digamos, bem equipada. Pra anunciar o GP de Monza, dar uma perfumada e um gostinho menos mecânico neste blog.

Mas decidi publicar esta aí. O sorriso tímido de uma jovem garotinha inglesa, com um cavallino rampante pintado em seu rosto. Um doce. A foto foi tirada por Patrick Mayon, no clássico autódromo de Brands Hatch, instantes antes de uma prova do World Touring Cars Championship. É, o FIA WTCC.

...e se chover em Monza? Há chances, viu!

Não falta acontecer mais nada! Acabei de ler no excelente blog Continental Circus, a seguinte notícia:

"(...) segundo
o boletim meteorológico, está prevista chuva e temperaturas baixas durante todo o fim de semana, especialmente durante o dia da corrida. Que eu saiba, a última vez que choveu foi em 1976, e não foi na hora da largada (...)"

Minha aposta: se chover em Monza, teremos uma das corridas mais emocionantes da história. Não somente pela motivação ardil de Hamilton, Massa e Raikkonen, mas também pelo fato do circuito apresentar as freadas mais fortes da temporada, o que também significa muitos trechos de reaceleração sob pouca influência do grip aerodinâmico.

E meu palpite: se chover, a McLaren fatura fácil. Os carros da Ferrari têm se mostrado falíveis em condição de chuva devido a seu projeto exigir maior temperatura de funcionamento dos pneus. Silverstone e Spa-Francorchamps foram dois exemplos.

Análise da Parabólica, passo-a-passo...


Essa é uma dica de leitura para quem ainda não conhece o site Mulsanne, que é diferente do presente blog. Lá, temos matérias bem mais extensas e detalhadas, com fotos ampliáveis e et cetera.

A matéria em questão detalha a Curva Parabolica, o maior desafio do Autodromo Nazionale Monza. Você a encontra dentro do site, na seção "Automobilismo". Segue um trechinho dela:


"Novecentos e cinqüenta e oito metros de aceleração plena, mais o fato de se vir já lançado da saída veloz da Variante Ascari (veja foto) resultam em garantias suficientes de que o carro estará na quinta marcha em uma rotação elevada, ao final da reta oposta. A quase 240 km/h, a entrada para a Parabolica se aproxima ferozmente.

As placas de frenagem passam como borrões na visão periférica. O terço inicial desta variante será o trecho mais complicado de nossa viagem. A freada é extremamente tardia (círculo 1 na imagem ao lado) e perigosa para os cardíacos de plantão: começa forte e retilínea, mas termina projetando-se para o ponto de tangência
(...)"

Republicação: Análise do circuito de Monza.

Imagem: Formula One Administration Ltd / Edição Mulsanne


Deixarei apresentações e floreios de lado, pois há muito a dizer. Vamos ao que interessa.

À exceção das duas pernas da Curva di Lesmos (número 4), todas as variantes do circuito de Monza são introduzidas por um trecho razoavelmente longo de aceleração plena. Em teoria, isso corresponderia à existência de vários pontos de ultrapassagem, mas a prática pode não atender às expectativas. Vejamos o por quê.

O principal ponto de ultrapassagem é, ou seria, a freada para a Variante del Rettifilio (n. 1), por ser introduzida pela grande reta dos boxes, e exigir a freada mais intensa do percurso. Até então, o conceito corresponde fielmente ao layout dos novos circuitos, protagonizados pelo engenheiro Hermann Tilke.

Contudo, antecedendo a entrada da reta dos boxes, há a curva mais desafiadora do circuito, a Parabólica (n.6). Seu gradiente de raio decrescente resulta numa forte tendência sub-esterçante em sua entrada e no início do ponto de reaceleração, ou seja, o carro naturalmente tende a sair de frente. Por ser uma variante de média velocidade, seu contorno demanda não somente a chamada aderência mecânica (pneus), mas também da aderência aerodinâmica; principalmente nas asas dianteiras.

Ora. Já é bastante difundido o fato de que os carros de Fórmula 1 atuais deixam um rastro aerodinâmico muito turbulento, impedindo-os de andarem próximos em curvas, por falta de pressão aerodinâmica. Por isso, a conclusão é fácil: os carros não podem contornar, e consequentemente, sair da Parabólica próximos o suficiente para tentarem ultrapassagens ao final dos 1.194 metros da reta dos boxes. Salvo raras exceções.

Do mesmo mal sofre um outro ponto de ultrapassagem, a freada para a Parabólica. Apesar da reta anterior à sua tomada possuir 958 metros, a saída da Variante Ascari (n.5) exige bastante equilíbrio aerodinâmico; pois naquele ponto os bólidos estão acima dos 200 quilômetros por hora.

Um ponto que sofre um pouco menos deste problema é a freada para a própria Variante Ascari. A segunda perna da Curva di Lesmo (n.4) é razoavelmente lenta (aprox. 160km/h), exigindo menos aderência aerodinâmica, e possibilitando uma aproximação mais radical do atacante, para descer grudado e com o pé embaixo até a Ascari.

Outro trecho possível é a freada para a Variante Della Roggia (n.3), pois a saída da Variante del Rettifilio (n.1) é lenta e quase totalmente dependente do grip mecânico. Em compensação, o trabalho de defesa é facilitado pela chamada Curva Grande (n.2), feita de pé embaixo. Basta o piloto à frente manter a trajetória interna na Curva Grande, pois isso força o rival a percorrer o traçado externo (mais longo e mais sujo). De quebra, o defensor já fica na trajetória ideal para contornar a Variante Della Roggia.

Resumo da Ópera: não deve se criar muitas expectativas de ultrapassagens neste GP. Salvo erros, tentativas heróicas, ou a existência de um carro superior atrás de um outro mais lento; a probabilidade é de assistirmos a um monótono comboio. Possibilidade endossada pelo Felipe Massa, conforme declaração presente no Blog do Ico:

“Nos testes da última semana, tentei seguir alguns carros de perto, mas não deu. Você perde tanta pressão aerodinâmica que o carro fica praticamente inguiável. Ultrapassar aqui vai ser praticamente impossível”.



Este post foi originalmente publicado há quase um ano. E estou trazendo-o de volta, na maior cara de pau (risos)...

Em Monza, o circo vai pegar fogo...!

Felipe Massa, sobre Hamilton: "Ele não teve paciência de esperar para ultrapassá-lo em outro ponto (...) e as regras dizem que ele deveria ser punido." Fonte: Grande Prêmio

Lewis Hamilton, sobre Raikkonen: "Acontece que, se você não for homem o suficiente para fazer a freada mais forte, é problema seu. É em situações como essa que se vê qual piloto é mais confiante e tem mais coragem de colocar o carro na beira da pista” Fonte: Gazeta Esportiva

Kimi Raikkonen, sobre Lewis Hamilton: "Coloque um muro de concreto naquela chicane: ele nunca conseguiria chegar ao primeiro lugar com essa barreira" Fonte: Gazeta Esportiva


É com este clima de chaleira que o Grande Prêmio de Monza se aproxima. Mal houve tempo para se arrefecer os ânimos, pois a prova será disputada já neste final de semana!

Dizem que o mesmo tipo de composto utilizado na Bélgica será utilizado em Monza. Nesse aspecto, a equipe de Maranello sofre desvantagem. Por outro lado, especula-se que o conjunto aerodinâmico da Ferrari é melhor desenvolvido, frente ao chassis superior da McLaren.

A sorte está lançada. E o caldeirão está borbulhando...

Pneu Inteligente desenvolvido e testado


Um novo tipo de pneu, cuja carcaça era auto-adaptável à diversas condições de pressão e temperatura, estava sendo desenvolvido por um fabricante australiano em conjunto com a NASA. Dotados de microprocessadores extremamente complexos e construídos a partir da chamada nano-tecnologia, os novos pneumáticos só não foram empregados por causa de um estranho fenômeno.

Pesquisadores entrevistados desconfiam que a complexidade do hardware e do software era tamanha, que os pneus começaram a se auto-programar e a realizar comandos não-solicitados pelo usuário.

No vídeo acima, temos o flagrante de um destes pneus, abandonando o automóvel ao qual pertencia, para fugir em disparada e se refugiar com outros companheiros. O pneu foi demitido por justa causa e está sendo processado por danos materiais e morais.

Haja sangue frio...

Acho que dispensa maiores comentários...