quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O arrasto aerodinâmico das caixas de roda...


Quando pensamos em um carro de corrida com pouca potência, necessariamente este precisa ser leve como uma pluma e aerodinâmico como uma gota para ser competitivo.

Para isso, deve-se utilizar todos os recursos disponíveis à mão: substituir as peças de lata por compostos como fibra de vidro ou carbono, submeter a carroceria ao banho ácido (acid dipping) para reduzir a espessura de chapa (cuidando para não exagerar e comprometer a rigidez à torção), e etc, etc, etc.

E no aspecto aerodinâmico, a carroceria deve ser o mais streamlined possível, com um formato próximo a uma gota. A ressalva é que este formato tende a causar sustentação aerodinâmica na parte traseira do carro, pois cria uma zona de baixa pressão no dorso da lataria próximo à traseira. Dependendo das velocidades atingidas, do comprimento do entre-eixos e da tendência à sustentação, a estabilidade direcional pode ser seriamente afetada. Ou seja, segurar a fera em linha reta passa a ser uma tarefa quase impossível.

Peraí, me perdi no papo. A idéia era falar sobre o arrasto aerodinâmico causado pelas caixas de roda, a cavidade na lataria onde os pneus estão instalados. Não precisa de grandes teorias, é algo bastante explícito e intuitivo. Para reduzir este arrasto que não traz nenhum benefício e apenas reduz a velocidade final do carro, as equipes utilizam diversas soluções: muitas perfuram persianas na parte traseira ou superior dos paralamas (Mercedes e Audi DTM, Ferrrari 333SP, etc), outras reformulam a aba interna dos paralamas em formato de "sino" ou "saia" para que estes imprimam menor resistência (DKWs de corrida), e outros simplesmente cobrem com lataria a caixa de roda, como o Jaguar XJR-9LM e o antiquíssimo Chrysler Airflow, da década de 30.

Este é também o caso do Porsche 356 acima, participando de uma prova da Le Mans Classic deste ano. Mas o interessante é que até mesmo as rodas dianteiras foram cobertas, uma solução bastante ousada.

Um comentário:

Felipe "Zurkka" Tadeu disse...

vi em um documentario algo interessante sobre esse acid dipping, quando o charger daytona foi criado os modelos que participaram da daytona receberam um acid dipping tão forte que um fiscal quando foi aprovar os carros colocou seu copo de cafe no teto do carro para fazer algumas anotações, para sua surpresa o teto DEFORMOU, o que trouxe alguns problemas para a equipe