segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Opinião: não me convenceu.

Declaração de Heikki Kovalainen, vencedor do GP da Hungria deste domingo: "eu tinha um grande carro e forcei o que podia para tentar induzir Felipe a enfrentar um problema mecânico. Deu certo."

É o tipo de afirmação que pode servir para o público em geral, mas não para quem acompanha a Fórmula 1 há ao menos algum tempo. Existem sim, mapeamentos selecionados pelo piloto que forçam mais o motor e aumentam o consumo, mas tudo é controlado microscopicamente pelas equipes (principalmente as três grandes), que jamais permitiriam um uso inconseqüente do equipamento. Os grandes times possuem estudos detalhados sobre ciclos, torques aplicados e stress de seus motores, com o fim de poder extrair o máximo de desempenho sem correr o risco de abandono. Quando um deles quebra, acredite, é uma fatalidade não-coberta pela estatística.

Há quanto tempo não vemos um motor de equipe de ponta estourando? Os fabricantes preocupam-se com isso, pois a imagem e reputação estão em jogo: antes chegar em segundo que permitir um V8 Ferrari ou Mercedes-Benz explodindo. Confiabilidade é mais importante que velocidade nas vendas dos automóveis.

Essa "estratégia" declarada por Kovalainen não funciona mais há pelo menos dez anos. O nível de durabilidade e resistência dos propulsores atuais garante que o piloto que está atrás, possui muito mais chances de danificar o motor por superaquecimento relacionado à falta de ventilação, que o piloto adiante. E lembremos, Massa correu o tempo todo de cara para o vento. Com o problema no pneu dianteiro esquerdo de Hamilton, o brasileiro pôde poupar bastante o equipamento pois tinha 23 segundos de vantagem sobre Heikki. A atitude foi comprovada nos tempos das últimas dezenas de voltas do então-líder.

Aproveito o gancho para emitir uma opinião franca: até hoje, Heikki não me convenceu como piloto, tendo um ano sabático na equipe Renault em 2007 e apresentações absolutamente anêmicas na presente temporada, salvo raríssimas exceções.

Mas carreras son carreras, e to finish first, first you have to finish. Heikki venceu, mas herdou. O dia de sua vitória merecida ainda está por vir, e farei questão de valorizá-la quando isso acontecer. Mas hoje, meu veredito é, Kovalainen floreou artificialmente o fruto dourado de sua sorte em Hungaroring. Não precisava.

2 comentários:

Unknown disse...

A declaração do Kovalainen é típica de quem quer valorizar o seu a partir criando um demérito a outrém... Não que ele não tenha o seja um bom piloto ou qualquer coisa do tipo, mas podemos adicionar ao comentado acima, uma pequena "pontada" da Mercedes na Ferrari...não?

PS: JK (gostou do JK???) cadê a cobertura??? Ha ha ha...just kidding!!

Unknown disse...

Lamentável, tanto o comentario do Kova, um piloto médiano qto o problema no motor do Massinha...