Vocês viram - e babaram - com o Porsche 911 1965 entrando na Eau Rouge de lado, no post anterior. Agora é hora de sentir aquele frio na barriga - sensação típica de um sobre-esterço, e acompanhar uma volta inteira em Spa Francorchamps com Roman Caresani, o autor da façanha outrora publicada.
Neste vídeo, podemos avaliar melhor a regulagem sobre-esterçante do Porsche. Nas frenagens fortes, o carro chega a perder estabilidade direcional, exigindo correções do piloto mesmo nas freadas em linha reta. Amortecedores traseiros muito resistentes no retorno (descompressão), balanço de freio proporcionalmente mais traseiro, barra estabilizadora traseira com muita carga, ou mesmo um acerto de diferencial com muita diferença entre carga e não-carga podem ocasionar este comportamento.
Durante a Eau Rouge (25s), fica claro que o sobre-esterço dinâmico é excessivo, e a causa é finalmente localizada por eliminação: na entrada da curva, o piloto não alivia o acelerador, excluindo o acerto de diferencial e o balanço de freios da lista. O comportamento traseiro do 911 está sendo causado por diferencial de carga de suspensão entre os eixos, podendo ser molas, amortecedores ou barra estabilizadora traseira muito parruda (ou dianteira muito fina). O trecho de alta velocidade entre 2:30 e 2:40 confirma o veredito.
Apesar de excessivo, diria que o piloto não está perdendo muito tempo por volta. Ele está conseguindo tracionar efetivamente nas saídas de curva e aponta com muita facilidade em direção aos pontos de tangência. Caresani tem o bicho na mão, isso fica claro. Mas tanta rebelião dinâmica causa flutuações nos tempos de volta, e no saldo final de poucas dezenas de giros, pode-se falar, sem medo de errar, em alguns segundos de prejuízo. Até porque, guiando desta forma, o ganho de temperatura (e consequentemente, de pressão) nos pneus traseiros torna-se maior, e isso acentua ainda mais o comportamento. Não é bom.
Mas este 911 está se projetando bem nas saídas, o que mostra que o acerto sobre-esterçante realmente é o caminho para este carro (inclusive porque, como todo carro com motor traseiro, sofre de dificuldades nas entradas). Só acho que poderia ser um pouquinho menos traseiro, possibilitando uma pilotagem mais redonda, com menos correções de rota.
Mas este 911 está se projetando bem nas saídas, o que mostra que o acerto sobre-esterçante realmente é o caminho para este carro (inclusive porque, como todo carro com motor traseiro, sofre de dificuldades nas entradas). Só acho que poderia ser um pouquinho menos traseiro, possibilitando uma pilotagem mais redonda, com menos correções de rota.
Fica os parabéns a Caresani, pois, apesar do estilo de direção levemente poluída (imposta pelo acerto do carro), fica claro que ele está buscando o limite. E esta é uma qualidade necessária a qualquer piloto, de qualquer categoria no mundo.
5 comentários:
Que isso , tá muiiito traseiro , haja trabalho de volante , dá músculo , o cara toca bem , mais uma calibradinha mais dianteira ajudaria.
Magnifico...mas aquilo é primeira marcha que el coloca?!!!??? se for tu ta loco...aja cambio.
Fala "Eu"!
É provável que este 911 esteja equipado com o câmbio de cinco velocidades conhecido como 901, opcional que a fábrica oferecia na época e que não era incomum.
O padrão de engates deste câmbio posiciona a ré e a primeira marcha no canal mais à esquerda, 2a e 3a no meio, e 4a e 5a à direita.
[]s!
O site tá bacana exceto na visualização dos comentários que tá difícil...
Quanto à pilotagem, ela está me lembrando quando eu jogava Enthusia pra PS2 com controle normal hehehehe.
Nesse jogo a maioria dos RWD tinham esse comportamento exagerado e era acentuado pela falta de sensibilidade do controle que era ou 0% ou 100% de aceleração hehehehe
Juliano, beleza o novo visual. Sobre o Vídeo, me lembrou os comentários que já ouvi sobre a tocada do Bird nas Berlinetas, que ele só andava de lado. Lindo demais.
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