quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Schumacher e suas façanhas...



Muito bem sacada a propaganda do novo Mercedes SLS AMG, que inclusive já foi apresentado no Brasil, em um evento fechado. Todos os ganchos foram usados... o novo piloto - um estreante alemão aparentemente talentoso chamado Michael Schumacher, a interminável polêmica do downforce e a possibilidade de sustentação no teto de um túnel, as asas de gaivota nesse contexto...

...e claro. Por ironia do destino, a cor do SLS AMG é vermelha, justamente a cor da casa que foi sinônimo de Schumacher em, digamos, 80% de sua carreira. Não acho que a escolha foi proposital, pois esta cor foi empregada em apresentações do modelo antes da contratação de Schummy.

Qual o grau de verossimilhança da manobra, acaso não fosse computadorizada? Bom, se tivéssemos muita velocidade, um teto asfaltado com uma curvatura generosa e nivelada, e a rampa de "pouso" fosse gigantesca, por quê não?  Mas e da forma como foi apresentada, será que seria possível?

Gosto da introdução porque mostra uma prática muito comum aos pilotos, nos momentos que antecedem a ida à pista: visualizar o circuito (no caso, a manobra) pouco antes de percorrê-lo. E o ronco do V8 de 6,3 litros e 571hp (ou seriam 6,2 como os da série 63 AMG?), que coisa maravilhosa!

O SLS AMG tem uma distribuição de peso curiosa para um automóvel de motor frontal: 47% do peso sobre o eixo dianteiro, 53% atrás. Isso só é possível em uma configuração do tipo roadster, com o propulsor instalado em uma posição extremamente recuada.

O carro tem tudo para ser uma maravilha ao volante. Eu sou suspeito para falar de Mercedes, mas por um mau motivo: tive uma tremenda desilusão com o E63 AMG, uma verdadeira barca cuja principal característica é sair de frente, em praticamente todo e qualquer tipo de curva. Zero por cento esportivo neste aspecto, a porcentagem cai para negativo (se fosse possível) se considerarmos que, mesmo com todos os mecanismos de assistência desligados, eles continuam a trabalhar - para que o carro continue saindo de frente. Power driftings? Esqueça, o E63 AMG só sai de frente.

Por isso, fico no aguardo de uma oportunidade de guiar um C63 AMG ou qualquer modelo mais compacto e esportivo que a E AMG. Rezo para que minha opinião mude radicalmente quando este dia chegar.


Update: segue uma outra versão do vídeo, com um clone de Daniel Craig (risos) no lugar de Schumacher. Minha opinião é, tanto faz quem é o dublê, pois tenho quase certeza que a manobra é uma projeção computadorizada, embora creia que ela não seja impossível - desde que nas condições que já falei neste post...

3 comentários:

Mister Fórmula Finesse disse...

Juliano, que legal que teve a oportunidade de andar em uma máquina dessas (E63AMG), ainda mais em pista, parabêns!

Nos testes do C63 AMG os pilotos ou jornalistas sempre salientam que o diabinho sai forte de traseira com muita facilidade, existem vídeos e muitas fotos ilustrando isso.

Esse E63 é tão "barca" assim que nem provocando o volante - tirando a aderência da frente em um golpe - e baixando o sapato ele atravessa bonito??

Por essa eu não esperava desse mercedez, pelo jeito, uma configuração totalmente contrária ao arisco série C.

Abraço

Juliano "Kowalski" Barata disse...

Fala Fórmula Finesse, como vai?

Sobre a E AMG, a "babá eletrônica" impede qualquer sobre-esterço excessivo, mesmo quando tudo está "desligado". Pode arremessar o volante, fazer manobra do alce, cortar potência bruscamente no meio da curva, o diabo a quatro: ele vai sair de frente, nem que tenha que cortar a potência e operar os freios em cada roda de maneira independente e sem a sua interferência no pedal.

Do que experimentei da classe E, acho difícil a C AMG ser o extremo oposto dinâmico. Mas só vou poder dizer quando guiar um.

No chutômetro, quem salientou o sobre-esterço da classe C pode estar se referindo à saídas de traseira causadas por destracionamento proposital (power drift - e o V8 é bem torcudo), na possibilidade do C AMG interferir menos na direção quando as assistências estiverem desligadas.

Bom, eu torço para que seja uma característica dinâmica inerente por carga de suspensão. Fico na torcida...

Fica uma contrapartida: O César Urnhani e outro piloto testaram a C63 AMG e a BMW M3 na pista da Pirelli, para a Quatro Rodas. Até onde lembro, salientaram que o C63 era bem obediente, fácil de guiar (típico de sub-esterçantes), e a M3 é que era arisca, com
traseira rebelde, e que exigia mais do piloto...

abraço!

Mister Fórmula Finesse disse...

Exato Juliano, as saídas de traseira eram feitas abusando no classe C...sabe quando você dirige uma Ranger V6 em piso molhado (drift de pobre)? Ela no limite da aderência começará perder a frente antes, e mandando gás a traseira sairá - mesmo sem blocante - de forma inesperada.

Pena que por excesso de torque o E63 não faça o mesmo....mas eu aceitaria um de bom grado, penetrar em um feudo de alta performance e sofisticação que são estranhos para mim.