Mas não se levou em conta o elemento Murphy: o mecânico que esqueceu de dar o aperto no bocal ao lavar o radiador, uma mangueira rasgada ou um radiador furado por uma trombada que não impossibilitou o carro de continuar sendo usado. Enfim, o elemento "mundo imperfeito", os acidentes e tropeços desta vida que está longe de ser fluida como um rio.
Pois é, hoje eu descobri mais uma destas falhas de projeto. Gravíssima. Ao passear com o meu cachorro esta manhã (finalmente conseguimos adestrá-lo para tal, por sinal), não vi as fezes, vulgo cocô, que um outro canino depositou no caminho.
Trágico, mas acontece. Quando chegar próximo a minha casa, eu limpo, pensei. O que eu não contava era com um design intrincado, cheio de furos, ângulos, frisos e ziguezagues anormais na sola do meu tênis, um Adidas destes novos.
Tirar o cocô da sola tornou-se um trabalho de artesão, envolvendo ferramentas exóticas desenvolvidas e improvisadas on the fly, jatos d'água sob altíssima pressão, e quase uma hora de trabalho ininterrupto. Quase uma hora! Dá pra acreditar?
Quem desenhou a sola certamente não contava com este tipo de acidente. E digo mais: também não levou em conta algo tão trivial como chuva. Este tênis gera aderência inferior a um pneu slick usado em um piso de concreto molhado. Já perdi a conta de quantas vezes eu caí tragicomicamente com este par de tênis sob o menor indício de umidade no solo.
Parte da resposta para o parágrafo acima eu sei. A sola é estruturada de uma maneira mais rígida que a média, sendo que o amortecimento ocorre por um sistema de amortecedores de borracha. Só que a sola mais rígida apresenta menor fidelidade de deformação e conformidade ao piso, gerando pontos periféricos críticos e tendenciosos a aquaplanagem.
Peraí, o que que eu tô fazendo! Aqui é um blog de automobilismo, não sobre tênis defeituosos!Vou botar aquela tranqueira no solo e voltar ao que interessa. Preferencialmente sem cocôs no caminho.

















