segunda-feira, 6 de abril de 2009

GP da Malásia: depois que acabou o caos, é fácil...


O céu negro, o vento gelado e a tradição malaia não deixavam mentir: iria chover. Mas esta pergunta é insuficiente para a Fórmula 1. "Quando", "o quanto" e "por quanto tempo" são as indagações que realmente interessam, e estas ninguém possui as respostas. Pilotos, engenheiros, estrategistas, metereologistas, jornalistas, o papa, o Mr. M, ninguém.

Ninguém esperava a intermitência da chuva que castigou o GP deste final de semana. Garoa, chuva, garoa, mais chuva, menos chuva, dilúvio. Esta oscilação transformou qualquer escolha estratégica em uma verdadeira roleta russa. Depois que acabou o caos, é fácil apontar o dedo e dizer quais equipes acertaram ou erraram, quando na verdade, o que vimos foram equipes que deram sorte e azar.

Talvez a decisão estratégica mais próxima ao equívoco foi aquela imposta à Ferrari de Kimi Raikkonen. Como bem observou Flávio Gomes, quando os pneus de chuva foram instalados no carro do finlandês, o asfalto encontrava-se seco a ponto de ter sido registrada a melhor volta da corrida (Jenson Button, 1:36,641). Mas acontece que tempestades tropicais são conhecidas por desabar de uma vez - e se isso tivesse ocorrido alguns segundos após o pit-stop de Kimi? Aí todos estariam rasgando seda para a Ferrari... "uma decisão sábia". Balela. Foi uma loteria, e Raikkonen não fez nenhum ponto em seu bilhete.



Seguem alguns pitacos.

- Estou desconfiado do sistema de embreagem da Brawn GP. Barrichello largou mal na Austrália, agora foi a vez de Button. Rubens também saiu muito mal de um pit-stop, seu monoposto quase morreu. Anotem e fiquem de olho: se isso ocorrer nas próximas corridas, lembrem-se que vocês viram primeiro aqui (risos).

- Button (1º) está pilotando como um campeão. Seu ritmo de corrida foi melhor que o de Barrichello, ainda que caiba uma ressalva: o brasileiro reclamou o final de semana inteiro sobre uma saída de frente excessiva de seu carro, que pôde ser vista principalmente nos treinos livres. Mas não importa: se Jenson continuar dominando as provas desta maneira, será o primeiro piloto da equipe e ponto. Isso se já não for, já que a equipe é britânica e "JB" têm demonstrado competência de sobra.

- Ferrari. Nah. E a "estratégia" imbecil utilizada na classificação merece ovos e tomates.

- Timo Glock (3º). O oposto de Raikkonen. Deu sorte ao escolher os intermediários, pois a chuva demorou para engrossar. Obteve uma vantagem que durou algumas voltas, ao saldo positivo de ser 7 ou 8 segundos mais veloz por giro que os líderes. Bingo!

- Jarno Trulli (4º). Caso similar a Raikkonen. Usou pneus para tempestade muito cedo, e estes se destruíram após apenas três voltas. A Toyota decidiu cobrir as variáveis atribuindo uma estratégia a cada piloto, e Trulli deu azar.

- Mark Webber (6º). A princípio, também se beneficiou da escolha dos intermediários, mas foi pego pela intermitência da chuva e acabou fazendo uma parada a mais que o necessário. Faz parte do jogo.

- Nick Heidfeld (2º). Um misto de sorte e habilidade. Colocou os pneus para chuva pouco tempo depois de Raikkonen - e este hiato salvou os seus pneus. Permaneceu com eles até a corrida ser interrompida, em um ritmo constante e seguro. Deu sorte pela interrupção da prova, pois teria de parar novamente devido à condição terminal de seus pneus.

- Rubens Barrichello (5º). Uma ótima corrida até o início da chuva. Muitas ultrapassagens belíssimas, fruto de sua velocidade e experiência. Foi prejudicado pela roleta russa imposta pela chuva. Nesse momento, também cometeu um erro de pilotagem que lhe custou duas posições em pista.

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