sábado, 25 de julho de 2009

Azar e sorte extrema. Ao mesmo tempo.

Jackie Stewart disse certa vez: "é claro que o automobilismo é perigoso, e jamais se tornará completamente seguro, não importa o que as pessoas façam". Ironicamente, esta passagem está presente no vídeo-tributo que postei ontem.

Ainda não consigo crer no azar de Felipe Massa. Qual a chance de um piloto ser atingido na cabeça, por uma mola de 800 gramas pingando no solo, deixada por outro carro que passou por lá vários segundos antes? Antes de mais nada, qual é a chance de um carro de Fórmula 1 perder uma mola em uma quebra sem impactos?

Barrichello declarou que o incidente de hoje é um aviso, chamando para novas providências em nome da segurança. Mas o que vimos neste treino de Hungaroring faz parte do que Stewart refletiu. É o elemento intangível, o azar extremo. O ponto fora da curva de milhares de horas de estudos e experiências. Jamais será coberto.

A morte de Henry Surtees na F-2, atingido por um pneu de um carro adversário, esta sim poderia ter sido evitada. O sistema de cabos de aço, empregado na F-1, custa pouco. Não envolve tecnologia. Por quê então não é utilizada em todas as categorias de monopostos, onde as cabeças dos pilotos estão expostas?

Sobre o acidente em si, não há muito o que dizer. Apenas algo me deixou intrigado. Massa pisou no freio até o momento do acidente, com pressão de 100% (replay onboard a partir dos 25s do vídeo). Ele também não solta o volante, mas é bem claro que a sua cabeça cai para a frente logo após o impacto da mola.

O que será que causou esta frenagem e a posição das mãos? Alguma contração muscular? Ou Felipe manteve um estado mínimo de consciência até certo ponto? Considerando a típica perda de memória ocorrida em acidentes graves, creio que nem ele conseguirá responder.

Qual a sorte extrema de Massa? Ter sido atingido no supercílio, e não no olho esquerdo. Ter pisado nos freios. Estar em um autódromo de média velocidade. Tudo isso conta. Apesar de resistir ao tiro de um revólver, não creio que a viseira aguentasse ao impacto, já que o capacete ficou seriamente danificado. A imagem
está aqui, mas adianto que é bastante explícita.

Fica a torcida para que ele se recupere plenamente, e que volte às pistas.




7 comentários:

Unknown disse...

Vídeo fora do ar devido a restrições de direitos autorais. :(

Fiquemos na torcida pelo massa.

Ron Groo disse...

E mais uma vez Jackie Stewart está coberto de razão.

Felipe "Zurkka" Tadeu disse...

O que me deixa muito triste foi ver o estado do Rubinho, o cara esta arrasado, eu tambem ficaria se uma peça do meu carro quase matasse alguém

Massa estava freiando E acelerando, isso demonstra que ele perdeu a conciencia, o fato dele não ter largado o volante, nem ter tentado desviar o carro mostra isso, afinal, a mola pesa quase 1 kilo e foi calculado um impacto a 280 km/h (somando a velociade da mola mais a de felipe na hora da colisão)

sim, o capacete é forte pacas e isso o salvou sem duvidas, mas ele teve azar por a mola ter batido ali na quina, bem na junção da viseira com o capacete, o estrago maior foi feito pela viseira, se tivesse pego mais acima a mola talvez nada disso tinha ocorrido

Ticiane disse...

Bem lembrado pelo amigo acima....

mais uma vez, um brasileiro sofre com o dilema da "junção" entre a viseira e o capacete.... jah vimos esse filme.

Li em algum lugar que deram a idéia de um cockpit fechado, tipo bolha...não seria má idéia.

Felipe "Zurkka" Tadeu disse...

eles podiam se inspirar na categoria mais arriscada do mundo da velocidada, dos barcos drag, eles usam o mesmo "vidro" usado no cockpit dos f-16, as colisões acima de 200 km/h são comuns no meio (e em altas velocidades agua = concreto) e graças ao cockpit protegido é comum os pilotos sairem andando

Anônimo disse...

Na sequência de eventos de sorte e azar, fiquei aqui pensando em quanto foi a sorte do Felipe em ao desmaiar soltar o pé sobre o pedal de freio.

Depois da batida contra a mola, a velocidade diminuiu, manteve-se, ou aumentou? A quanto ele acertaria a barreira de pneus se ao demaiar mantivesse aceleração plena???

Henrique

The Stig disse...

Escelente o post, como em 99% das vezes.
É por aí mesmo, não adianta tentar tornar o automobilismo 100% seguro, esporte a motor sempre ensejará em acidentes fatais e ferimentos desagradáveis.
O problema, é que os órgãos reguladores e a imprensa parecem não acreditar nisso. Qualquer acidente fatal é encarada como resultado de regras de segurança negligentes. A verdade é uma só, enquanto pessoas combinarem carros velozes, circuitos, pilotos e competitividade, pessoas vão morrer ou se machucar.
Nesse ponto de vista, o esporte parece injustificável, totalmente irracional. Talvez seja mesmo, mas, de qualquer maneira, é irresistível, emocionante, apaixonante.
Só tenho medo que, por conta de acidentes como este (algo como um raio atingir o mesmo lugar 2 vezes), o esporte sofra uma tentativa de esterilização, algo bastante visível nesta temporada onde qualquer toque é punido com drive-through´s e stop-and-go´s...