quarta-feira, 11 de março de 2009

Recomendado: o engodo do "Flex Fuel" no Brasil.


Taxa de compressão que não é a ideal nem para a gasolina nem para o álcool, ponto de ignição adaptativo e conseqüentemente também não-ideal... a tal da tecnologia flex, que permite a utilização de gasolina e álcool no mesmo automóvel, não passa de um engodo de marketing que se transformou numa verdadeira bola de neve.

Se antes as fábricas empurravam este sistema como a nova maravilha do mundo, hoje as mesmas fábricas são reféns dos consumidores leigos que tiveram o cérebro lavado com o tal do "flex". Dois exemplos são emblemáticos: a Ford, cujo Focus não conseguiu escapar da adaptação ao sistema (o que vai trazer desvalorização aos Focus movidos apenas a gasolina, graças aos alienados), e a Honda, que acabou cedendo à pressão mercadológica (e esta não segue lógica alguma) e largou mão do Civic movido apenas a gasolina, oferecendo somente o Flex há mais de ano...

Por quê o Flex foi criado, então? Bob Sharp dá o veredito: "De todos os países, o Brasil é o único que não precisa da solução flex, pois temos gasolina e álcool em total e absoluta abundância, e em caráter irreversível. Flex é medida paliativa para países/regiões que desejam começar a usar álcool mas não o têm em farta disponibilidade. Desse modo, o proprietário garante mobilidade caso não encontre álcool. Para vocês terem uma idéia, só cerca de 1.200 postos de um total de 180.000 têm álcool nos EUA, e em muitos estados não está disponível. No Brasil, praticamente todos os 35.000 postos oferecem álcool."

Em nosso país, o Flex foi adotado sob o pretexto da liberdade de escolha de combustível, conforme a flutuação de custo final dos mesmos. Todos testemunharam o aumento estratosférico do preço do álcool com o "boom" de demanda dos automóveis flex e álcool, e a consequente queda da procura pela gasolina. Na época, andar somente com o derivado da cana-de-açúcar compensava muito mais, mas hoje, nem tanto: o governo e as agências reguladoras tiveram de agir para equilibrar as demandas. Fenômeno similar ocorreu com o GNV. Nesse momento, os bicombustíveis explodiram com força total, alimentados pela insegurança dos consumidores: hoje praticamente só há carros flex no mercado, que apresentam rendimento pior que um automóvel movido por apenas um combustível. Estamos jogando dinheiro no lixo.

Não perca a explicação em detalhes sobre a incapacidade do sistema Flex de obter o melhor da gasolina e do álcool. O texto é do André Dantas, e o blog é o recomendadíssimo AutoEntusiastas. Clique aqui para acessar o texto.

4 comentários:

Luís disse...

É eu ja tinha visto, e pensei na mesma coisa.

Mas o problema é o que garante que teremos álcool(ah dois anos atrás ouve aquela disparada nos preços, movida pelos usineiros)? além do que o consumidor já tem o estigma do álcool...

Paulo Keller disse...

Gostei do recomendadíssimo!!!

Abraço.

PK

Trainsppotting disse...

O Próalcool foi criado na década de 70 com o objetivo de mitigar os impactos da crise do petróleo e sem nenhuma relação com o moderno conceito de meio ambiente.

Em 2008 a GM quebrou por apostar por 25 anos em carros grandes em consumo e tamanho quando os clientes demandaram carros menores e de baixo consumo e só eram econtrados no Brasil.

Foi fechada a fábrica, situada no estado de Wisconsin empregava 1.300 pessoas e produzia os modelos SUV´s GMC Yukon, GMC Yukon XL, Chevrolet Tahoe e Chevrolet Suburban por falta de demanda, enquanto que SUV´s brasileiros são flex.

Paradoxalmente a filial brasileira não sofreu o impacto da marolinha pois 70% da frota nacional é de flex fuel e 95% dos carros novos são produzidos sob este conceito o que é um indicador seguro de tendância para os carros trazidos de fora pelas importadoras (independentemente da catergoria) incluindo o mercado para os super-ricos, e que podem facilmente receber up-grade para o conceito de fuel flex à exemplo da adequação ao combustível nacional E22.

Na decada de 80 tivemos falta de alcool e certamente os flex fariam diferença.

Embora SUV´s não concorram com outras categorias por motivos óbvios, concorrem universalmente em tendência à exemplo da recente aprovação pela ONU para geração de créditos de carbono via MDl no protocolo de Kioto para bio-combustíveis em transporte que podem (se brigarmos por isso)transferir creditos de carbono diretamente para o bolso do consumidor à exemplo da distribuição de renda (mesmo que de forma questionavel)via Nota Fiscal(hoje Paulista)Brasil, ou seja:

The fuel flex.

Em 22 de julho de 2008, Washington, os senadores John Thunewith, Sam
Brownback, Ken Salazar e Joseph Lieberman introduziram o Open Fuel
Standard Act que determina que 50% dos novos automóveis sejam flex em
2012 e que este percentual aumente para 80% em 2015 o que contribui certamente para sedimentar o conceito em escala global o sucesso do Local Case BR.

Embora o etanol em varias regiões do pais tenha perdido a competitividade economica, fica a desição do usuário em migrar para a gasolina, gas natural ou transporte publico, mas, em minha humilde opiniao nenhuma montadora no brasil quebrou depois que o petroleo dobrou de preço em 2008.

http://thomas.loc.gov/cgi-bin/query/z?c110:S.3303: (com os dois pontinhos no final)

Melhor que isso só carros híbridos : elétricos e a ciclo otto flex

Parabéns pelo debate de alto nível e feliz 2010 à todos

Unknown disse...

Que beleza a parte gráfica desse site: fundo branco com letras brancas....
Uma beleza a facilidade de leitura, nota dez!
:-(